Inovação, Tecnologia e inovação, Gestão de pessoas, Cultura organizacional

25 insights sobre o futuro do trabalho pós-covid

Com o avanço da imunização, o olhar dos conselhos e do C-level está cada vez mais voltado para o futuro. Em uma conversa com seis desses executivos, Joseph Teperman reuniu as principais preocupações e – mais importante – os principais insights sobre o futuro da gestão de pessoas e do ambiente de trabalho.
CEO da Amrop INNITI, Board Member, Lifelong Learner, Anticarreirista

Compartilhar:

No último dia 9 de setembro, organizei um brainstorming com seis dos principais líderes de organizações do Brasil, dos setores de tecnologia, realidade virtual, real estate e venture capital.

As perguntas para discussão eram aquelas que todos querem responder hoje em dia: como será a nova forma de trabalhar e de estudar?

Na mesa, CEOs, conselheiros, sócios e investidores trataram de dores comuns e geraram uma “tempestade” de insights poderosos que, com certeza, serão sentidos na dinâmica das organizações nos próximos anos. São esses tópicos que compartilho com vocês.

## Percepção do presente

### Gestão de pessoas e trabalho remoto

1. Onboarding de gente nova remota é um caos, dificuldade de passar a cultura é grande.

2. Bill Gates diz que as viagens corporativas vão cair 50%. No período pré-pandemia, as companhias aéreas tinham sua ocupação na proporção de 70% para o segmento corporativo e 30% para viajantes a lazer.

3. Outra percepção de Bill Gates compartilhada no grupo: ele diz que 30% do trabalho é remotizável, ou seja, pode ser feito de qualquer lugar!

4. Há uma preocupação de fragmentação da cultura organizacional para os times que ficarem 100% no home office.

5. Segunda a sexta-feira, 8h às 17h, de dentro dos escritórios não vai existir nunca mais. As empresas que estão obrigando as pessoas a voltarem dessa forma, estão tendo reclamações e já começam a perder gente boa.

6. Em empresas de varejo com lojas físicas, construtoras com funcionários em obra, entre outras, as pessoas têm que ir trabalhar no local, não tem jeito.

7. Para aumentar o senso de pertencimento, a estratégia dos kits está bombando: caneta, livro, caderno, meias, etc.

8. Vale a criatividade e investimentos de integração, como a entrega de pizza para 50 pessoas ao mesmo tempo durante uma reunião virtual.

9. O cuidado com a integração é relevante, ou pode-se conviver com perdas e alta de turn over, como no exemplo de um estagiário novo que ficou três meses na empresa e acabou saindo porque ficou esquecido. Não estava no campo de visão dos líderes e acabou ficando sem receber tarefas, e sem aprender!

10. O ramp-up entre a contratação e o começo efetivo da produção está muito mais longo. Se, antes da pandemia, a geração da receita acontecia em três meses, agora está sendo em seis. Esse novo colaborador sente-se muito solitário; na pré-pandemia, os funcionários mais seniores podiam apoiar e ensinar no começo, ouvindo os calls ou levando em reuniões. Nos últimos meses, não está acontecendo.

11. É preciso sair do modelo “comando e controle” para o de “liberdade e resultado”. Dar meta, ferramentas, possibilidade de ajuda e cobrar resultado. O uso da Salesforce, por exemplo, ajuda a medir como está o funil, o tempo no telefone, reuniões no Zoom, reuniões já marcadas no futuro, etc.

### Saúde mental
12. Sanidade mental: o RH (CEOs!) tem que colocar muita grana, porque tem muita gente “pirando”.

13. As empresas estão fazendo meet ups sem o propósito de trabalhar, mas sim com o foco em humanizar as relações.

14. Desenvolvedores: a produtividade explodiu, só que trabalham até esticar a corda demais. Já foi criada ferramenta de desenvolvimento colaborativo — entra todo mundo junto, tem alguma interação. Pode entrar como espectador também, para ver como estão trabalhando.

### Remuneração e disputa por talentos
15. Os brasileiros que ganham R$ 15k recebem proposta de empresas do exterior para U$ 10k, que são R$ 50k! Como solução: stock options.

16. Major techs nos EUA alinharam os salários o com custo de vida de onde a pessoa passou a morar. Lá é possível reduzir salários.

## Visão do futuro

### Tecnologias que estão transformando o ambiente de trabalho
17. Workpods: prédios espalhados com pods de trabalho. As casas têm muitas distrações, pouca estrutura, cadeiras inadequadas, etc. No workpod, é possível resolver essas contexto, e contam com alguns mecanismos positivos para empresas e pessoas, como horário de check-in, de check-out, etc.

18. [ Horizon workroom](https://about.fb.com/news/2021/08/introducing-horizon-workrooms-remote-collaboration-reimagined/): a possibilidade de levar o metaverso para o espaço de trabalho com o Horizon Workrooms, que permite ver ter a experiência completa de linguagem corporal do avatar, traz uma interação mais realista para ambiente de trabalho corporativo remoto. Os presentes concordam que, com a entrada do 5G, a experiência digital vai melhorar. Veja a experiência neste [link](https://youtu.be/EhT-JWV8j5k).

19. Neat traz mais qualidade para as reuniões hibrídas no Zoom. Um equipamento que enquadra cada uma das pessoas de uma mesa grande de reuniões, mesmo que a pessoa se mexa durante a reunião. Assim quem está na reunião de forma remota, enxerga todos adequadamente, como você pode ver [aqui](https://youtu.be/E6pLMyv9KD8).

20. [Density IO](https://www.density.io/): apoia o conceito de espaços flexíveis de trabalho, ao ajudar a otimizar o uso – recursos e investimentos – do espaço físico. Permite a análise do uso do espaço em tempo real a partir da coleta de dados de ocupação com uma câmera no ambiente, dimensionando a necessidade real de espaço de escritório.

### Gestão de pessoas
21. [Pin People](https://pinpeople.com.br/): a startup brasileira ajuda no onboarding, offboarding  e gestão das pessoas. A plataforma de people analytics analisa o sentimento e ajuda com ritos e símbolos, como allhands, 1:1. Emite aviso para o líder que não ligou para a equipe, etc. Monta cadeia de relacionamento do líder com quem está chegando.

### Ambiente de ensino e aprendizagem
22. Faculdades: para se diferenciar, tem que entregar ambiente e conteúdo. Como disponibiliza, e como prepara espaços físicos e virtuais, é o que está fazendo e vai fazer a diferença.

23. Hubs de aprendizados: sala de reunião com whiteboard, lousa digital. Cena imersiva.

24. Cursos: escola de ensino que se posicionar como híbrido vai levar mais mercado. Espaço físico será usado para cocriação, aula oral. E tecnologia para dar suporte ao ensino remoto.

25. Escola pública: em um exemplo real, 40% está no presencial e 30% no remoto. Ou seja, 30% dos alunos abandonaram a escola!

Compartilhar:

Artigos relacionados

“Strategy Washing”: quando a estratégia é apenas uma fachada

Estamos entrando na temporada dos planos estratégicos – mas será que o que chamamos de “estratégia” não é só mais uma embalagem bonita para táticas antigas? Entenda o risco do “strategy washing” e por que repensar a forma como construímos estratégia é essencial para navegar futuros possíveis com mais consciência e adaptabilidade.

Como a inteligência artificial impulsiona as power skills

Em um universo do trabalho regido pela tecnologia de ponta, gestores e colaboradores vão obrigatoriamente colocar na dianteira das avaliações as habilidades humanas, uma vez que as tarefas técnicas estarão cada vez mais automatizadas; portanto, comunicação, criatividade, pensamento crítico, persuasão, escuta ativa e curiosidade são exemplos desse rol de conceitos considerados essenciais nesse início de século.

iF Design Awards, Brasil e criação de riqueza

A importância de entender como o design estratégico, apoiado por políticas públicas e gestão moderna, impulsiona o valor real das empresas e a competitividade de nações como China e Brasil.

Transformando complexidade em terreno navegável com o framework AIMS

Em tempos de alta complexidade, líderes precisam de mais do que planos lineares – precisam de mapas adaptativos. Conheça o framework AIMS, ferramenta prática para navegar ambientes incertos e promover mudanças sustentáveis sem sufocar a emergência dos sistemas humanos.

Inovação
Estamos entrando na era da Inteligência Viva: sistemas que aprendem, evoluem e tomam decisões como um organismo autônomo. Eles já estão reescrevendo as regras da logística, da medicina e até da criatividade. A pergunta que nenhuma empresa pode ignorar: como liderar equipes quando metade delas não é feita de pessoas?

Átila Persici

6 min de leitura
Gestão de Pessoas
Mais da metade dos jovens trabalhadores já não acredita no valor de um diploma universitário — e esse é só o começo da revolução que está transformando o mercado de trabalho. Com uma relação pragmática com o emprego, a Geração Z encara o trabalho como negócio, não como projeto de vida, desafiando estruturas hierárquicas e modelos de carreira tradicionais. A pergunta que fica: as empresas estão prontas para se adaptar, ou insistirão em um sistema que não conversa mais com a principal força de trabalho do futuro?

Rubens Pimentel

4 min de leitura
Tecnologias exponenciais
US$ 4,4 trilhões anuais. Esse é o prêmio para empresas que souberem integrar agentes de IA autônomos até 2030 (McKinsey). Mas o verdadeiro desafio não é a tecnologia – é reconstruir processos, culturas e lideranças para uma era onde máquinas tomam decisões.

Vitor Maciel

6 min de leitura
ESG
Um ano depois e a chuva escancara desigualdades e nossa relação com o futuro

Anna Luísa Beserra

6 min de leitura
Empreendedorismo
Liderar na era digital: como a ousadia, a IA e a visão além do status quo estão redefinindo o sucesso empresarial

Bruno Padredi

5 min de leitura
Liderança
Conheça os 4 pilares de uma gestão eficaz propostos pelo Vice-Presidente da BossaBox

João Zanocelo

6 min de leitura
Inovação
Eventos não morreram, mas 78% dos participantes já rejeitam formatos ultrapassados. O OASIS Connection chega como antídoto: um laboratório vivo onde IA, wellness e conexões reais recriam o futuro dos negócios

Vanessa Chiarelli Schabbel

5 min de leitura
Marketing
Entenda por que 90% dos lançamentos fracassam quando ignoram a economia comportamental. O Nobel Daniel Kahneman revela como produtos são criados pela lógica, mas comprados pela emoção.

Priscila Alcântara

8 min de leitura
Liderança
Relatórios do ATD 2025 revelam: empresas skills-based se adaptam 40% mais rápido. O segredo? Trilhas de aprendizagem que falam a língua do negócio.

Caroline Verre

4 min de leitura
Liderança
Por em prática nunca é um trabalho fácil, mas sempre é um reaprendizado. Hora de expor isso e fazer o que realmente importa.

Caroline Verre

5 min de leitura