Uncategorized

Um puxão de orelha

Conforme o tempo passa, empresas e empreendedores vão se esquecendo do valor do produto mínimo viável; ele tem de ser sempre a primeira opção à mesa
é diretor da HSM Educação Executiva, com vasta experiência executiva no desenvolvimento e implantação de modelos de gestão e acadêmica.

Compartilhar:

Estreamos este espaço para falar de educação executiva, que é a nossa praia. Elegi um assunto que acho urgente as empresas abordarem: seu modo de inovar. Sei que você, gestor, já leu tudo o que podia sobre o inovador processo da startup enxuta, a lean startup, desenvolvido por Steve Blank e Eric Ries, e seu MVP, sigla em inglês de produto mínimo viável –nesta revista, inclusive. 

Estou quase certo de que você achou incrível a combinação que os dois fizeram, em um mesmo pacote, de ideias e ferramentas de marketing, tecnologia e gestão, e a ousadia deles em transformar uma metodologia pensada originalmente para startups de tecnologia em um método aplicável a qualquer empresa. O ciclo construir-medir-aprender que Blank e Ries propuseram representou talvez uma epifania em sua vida, assim como a permanente interação com os usuários a fim de testar diferentes hipóteses para encaixar novidades no mercado. No entanto, na hora de colocar um produto ou serviço novo no mercado, você faz… um plano de negócios tradicional. 

Na hora H, você pede à equipe que deixe o produto ou serviço redondinho, perfeito para ser consumido. Você se apoia em pesquisa de mercado, em grupos focais, em projeções de crescimento  e em sua experiência ou intuição –e sente-se com o dever cumprido. Você continua a usar o método antigo. Eu lhe pergunto: por quê? Sei que construir pontes entre a teoria e a prática é trabalhoso, porque envolve muitas pessoas e suas concepções. 

Mas será que você acreditou de verdade na lean startup? Porque quem acredita vai à luta. Um dos problemas é o raciocínio convencional em que os gestores foram treinados, segundo o qual o método MVP não deveria funcionar. Porém a vida real mostra que funciona –e muito bem! Outro problema talvez seja o fato de que o conceito de produto mínimo viável vem sendo confundido, por muitos dos que dizem aplicá-lo, com uma versão do produto com funcionalidades mais simples para ser entregue mais rápido. Não é essa a proposta; usar o mínimo de capital no projeto não é igual a fazer algo baratinho. 

Um terceiro problema é que o MVP também tem sido interpretado erroneamente como um teste de protótipo ou conceito. Ele não foi concebido apenas para responder a questões técnicas ou sobre o design do produto! Seu objetivo é testar hipóteses fundamentais do negócio e proporcionar o aprendizado sobre isso. E o mais importante, que talvez poucos tenham entendido, é que o MVP deve ser um vetor da criação da cultura de experimentação na empresa. 

Lembre-se sempre: nos últimos anos, muitas ideias brilhantes sucumbiram no mercado por consumirem trabalho incansável sem nenhuma validação de seu valor e de suas possibilidades de crescer e se converter em um negócio sustentável. Perdão pelo puxão de orelha, mas esqueça o que fazia e comece a usar o MVP já.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A revolução que a tecnologia não consegue fazer por você

Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Liderança, Cultura organizacional
4 de março de 2026 12h00
Com todos acessando as mesmas ferramentas para polir narrativas, o que os diferencia? Segundo pesquisa feita com gestores brasileiros, autoconhecimento, expressão e autoria

Patricia Gibin - Consultora e coach

19 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
4 de março de 2026 06H00
As agendas do ATD26 e SHRM26 deixam claro: o ano começou exigindo líderes capazes de decidir com IA, sustentar cultura e entregar performance em sistemas cada vez mais complexos. Liderança virou infraestrutura de execução - e está em ritmo acelerado.

Allessandra Canuto - Especialista em Inteligência Emocional e Saúde Mental

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de março de 2026 15h00
O verdadeiro poder está em aprender a editar o que a tecnologia ousa criar. Em outras palavras, a era da IA generativa derruba o mito da máquina infalível e te convida para dialogar com artistas imprevisíveis.

Sylvio Leal - Head de Marketing Latam da Sinch

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de março de 2026 08h00
Quando o ego negocia no seu lugar, até decisões inteligentes produzem resultados medíocres. Este artigo aborda a negociação sob a ótica da teoria dos jogos, identidade decisória e arquitetura de incentivos - não apenas como técnica, mas como variável estrutural na construção de valor organizacional.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Cultura organizacional, Liderança
2 de março de 2026
Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de março de 2026
A crise não está apenas no excesso de trabalho, mas no peso emocional que distorce decisões e fragiliza equipes.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de fevereiro de 2026
Em 2026 o diferencial no uso da IA não será de quem criar mais agentes ou automatizar mais tarefas, mas em quem souber construir sistemas capazes de pensar, aprender e decidir melhor no seu contexto organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de fevereiro de 2026
Sem modelo operativo claro, sua IA é só enfeite - e suas reuniões, só barulho.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de fevereiro de 2026
Diante dos desafios crescentes da mobilidade, conectar corporações, startups, parceiros e especialistas em um ambiente colaborativo pode ser o caminho para acelerar soluções, transformar ideias em projetos concretos e impulsionar a inovação nesse setor.

Juliana Burza - Gerente de Novos Negócios & Produtos de Inovação no Learning Village

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de fevereiro de 2026
No novo jogo do trabalho, talento não é ativo para reter - é inteligência para circular.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

3 minutos min de leitura