Marketing & growth
4 minutos min de leitura

Venda é mais do que talento. É preciso garantir uma jornada de venda fluida no B2B

A jornada de venda B2B deve incluir geração de demanda inteligente, excelência no processo de discovery e investimento em sucesso do cliente.
Head de Parcerias e Alianças na Lecom Tecnologia, com mais de 20 anos de experiência no mercado de tecnologia. Empreendedor, Investidor e Mentor de Startups, Especialista em Vendas, Marketing e Gestão orientada a dados, com atuação em mercados SMB e Enterprise.

Compartilhar:

Vendas B2B ainda são associadas ao talento individual do vendedor: carisma, poder de persuasão e relacionamento. Esse modelo, porém, está ficando para trás. Em um ambiente cada vez mais digital, orientado por dados e com compradores mais críticos e informados, crescer sem estrutura deixou de ser apenas ineficiente e passou a ser um risco para a sobrevivência do negócio. 

Segundo o Gartner, 60% das decisões de compra B2B já são baseadas em dados, não em percepções individuais ou improviso. Isso significa que o comprador chega muito mais preparado para a negociação, e quanto menos estruturada é a jornada, maior o risco de perder relevância, competitividade e controle dos resultados.

Com isso, seja na venda direta ou indireta, o desafio é o mesmo. Sem uma jornada padronizada e documentada, a empresa perde previsibilidade e capacidade de repetição. Na venda direta, mesmo com controle interno das etapas, cada vendedor tende a criar seu próprio método, gerando um funil inconsistente e difícil de medir. Na venda indireta, onde o potencial de crescimento é maior, a exigência também aumenta: capilaridade só vira escala quando existe governança, com processos claros, materiais, treinamento e regras de execução. Caso contrário, o que deveria acelerar vira retrabalho e perda de reputação e qualidade.

Esse cenário exige uma mudança profunda na forma de vender. Não se trata apenas de talento individual, mas também da capacidade da empresa de garantir uma jornada de venda fluida, clara e replicável, que conecte três etapas fundamentais: geração de demanda inteligente, excelência no processo de discovery e foco em sucesso do cliente. É essa jornada (e não o canal ou o estilo do vendedor) que sustenta crescimento consistente e escalável.


1ª etapa da jornada de vendas B2B: a geração de demanda inteligente

Empresas que querem vender melhor precisam começar respondendo a essas perguntas básicas: para quem vender, o que vender e quando vender.

Quando essas respostas não estão bem definidas, os erros surgem logo na origem, seja com campanhas desalinhadas, com participação em eventos sem aderência ao público certo ou até na prospecção de empresas que não têm fit real com a capacidade de entrega da solução.

Em contraponto, uma geração de demanda inteligente envolve:

  • Ações de inbound e outbound orientadas ao Perfil de Cliente Ideal (PCI)
  • Clareza sobre quais áreas da empresa realmente vivem a dor resolvida pela solução
  • Qualificação rigorosa, evitando desperdício de tempo e investimento com leads que não convertem


Tendo uma geração de demanda inteligente, o time comercial está pronto para o próximo passo: o discovery.


2ª etapa da jornada de vendas B2B: o discovery bem feito 

O discovery é um dos momentos mais críticos de toda a jornada B2B, e também um dos mais negligenciados. Um discovery superficial transforma qualquer solução em commodity e empurra a venda para comparações por preço.

Por outro lado, um discovery estruturado permite:

  • Identificar dores reais, urgência e impacto financeiro no negócio
  • Conectar a solução aos objetivos de negócio 
  • Direcionar a venda para a área correta (financeiro, RH, operações, TI, etc.)
  • Aumentar significativamente a taxa de fechamento e o ticket médio.


De acordo com a McKinsey, uma das principais frustrações dos compradores B2B é lidar com vendedores que não têm preparo para oferecer recomendações específicas ou contextualizadas. Isso reforça a importância do discovery bem feito.


3ª etapa da jornada de vendas B2B: foco no sucesso do cliente 

Uma jornada de venda fluida não termina no fechamento do contrato. Pelo contrário: o pós-venda é parte central da estratégia de crescimento.

Uma estratégia sólida de sucesso do cliente tem foco em:

  • Retenção e redução de churn
  • Expansão de contrato via up-sell e cross-sell
  • Fortalecimento do relacionamento e geração de defensores da marca


Clientes que percebem valor real tendem a expandir a solução para outras áreas da empresa e a indicar o fornecedor para o mercado. Por isso, desde o início da jornada, é essencial priorizar áreas que geram maior impacto no negócio.


Vender bem no B2B exige processos, dados e consistência

Empresas que escalam são aquelas que estruturam sua jornada desde a geração e qualificação de demanda, passam por discovery bem definido, monitoram indicadores ao longo do funil e mantém integração real entre vendas e pós-venda.

Padronização, automação estratégica, clareza de mercado, capacitação e foco em retenção e expansão deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos para competir. Afinal, venda é mais do que talento: é método, inteligência, capacitação constante e disciplina ao longo de toda jornada.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Por que sua lista de tarefas explode

Organizações não estão falhando por falta de esforço, estão falhando por fazer coisas demais ao mesmo tempo. Este artigo reforça que o verdadeiro papel da liderança não é multiplicar tarefas, mas definir o problema certo e simplificar a execução.

Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de junho de 2026 13H00
Se líderes continuam aprendendo, por que continuam não evoluindo? A resposta pode estar na forma como treinamos - e no que deixamos de medir.

Alexandre Santille - Fundador e Sócio da teya

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de junho de 2026 08H00
Este artigo mostra como falhas operacionais e desintegração de sistemas ainda geram perdas bilionárias - e por que a inteligência artificial pode transformar a eficiência em vantagem estratégica no setor elétrico.

Gilson Paulillo - Diretor comercial da Pagar

2 minutos min de leitura
Carreira, Cultura organizacional, Gestão de pessoas
A longevidade deixou de ser apenas um dado demográfico para se tornar questão de governança

Fran Winandy

0 min de leitura
Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de junho de 2026 13H00
Quando bem interpretados, os sinais do comportamento das equipes deixam de ser rotina e passam a revelar o que realmente sustenta performance, engajamento e resultado.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

4 minutos min de leitura
ESG
6 de junho de 2026 09H00
Este artigo mostra por que a inclusão de pessoas com deficiência ainda não evoluiu de obrigação legal para estratégia de negócio nas organizações brasileiras.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

6 minutos min de leitura
Liderança
5 de junho de 2026 16H00
Organizações não estão falhando por falta de esforço, estão falhando por fazer coisas demais ao mesmo tempo. Este artigo reforça que o verdadeiro papel da liderança não é multiplicar tarefas, mas definir o problema certo e simplificar a execução.

François Bazini - CMO e Consultor

8 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Liderança
5 de junho de 2026 08H00
Como o Brasil chegou à NR1 e por que esta pode ser nossa última chance de acertar?

Thais Requito - Palestrante, consultora e pesquisadora em saúde mental e trabalho sustentável

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
4 de junho de 2026 14H00
Ao refletir sobre a evolução da indústria têxtil, o autor propõe uma mudança de lógica: mais do que investir em máquinas, a competitividade passa a depender do valor real que a tecnologia entrega ao longo do tempo.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
4 de junho de 2026 08H00
O próximo desafio da liderança não é tecnológico - é aprender a liderar humanos e máquinas na mesma mesa.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de junho de 2026 15H00
Quando a IA vira solução antes de existir o problema, o resultado tende a ser irrelevante. Este artigo mostra por que o erro das empresas não está na tecnologia, mas na ordem das decisões

Osvaldo Aranha - Chief AI Strategist, Palestrante, Mentor e Conselheiro

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão