Estratégia, Gestão de Pessoas
0 min de leitura

Como a Copa do Mundo inspira nova lógica de engajamento no universo corporativo

Quando a energia do Mundial entra no cotidiano corporativo, o humor, empatia e pertencimento se modificam; e quem ganha é a corporação, com o incremento do comprometimento de colaboradores e impactados
Cofundador da Mereo, HR Tech presente em mais de 40 países e responsável por atender a 10% das 500 maiores empresas do Brasil. É graduado em Engenharia de Controle e Automação pela PUC-MG e aprimorei minha formação na University of Chicago e em Stanford.

Compartilhar:

A dificuldade de engajar colaboradores em processos de avaliação e desenvolvimento não é nova. Mas as pistas de onde encontrar a solução para superar esse desafio, essas sim, são novas. E algumas delas, inclusive, chegam de lugares inesperados.

Quer um exemplo?

Em um experimento recente, uma empresa utilizou a temática da Copa do Mundo para conduzir uma pesquisa interna com seus colaboradores. O resultado foi surpreendente: os índices de participação superaram significativamente os de abordagens tradicionais.

O curioso, contudo, neste caso é que se trata da mesma ferramenta, mesmo público, mas de outra energia.

O que mudou? O contexto.

A Copa cria algo raro no ambiente corporativo: um senso coletivo de pertencimento, de competição saudável, de acompanhamento em tempo real. As pessoas se engajam porque querem, e não porque precisam. O que cria um obstáculo natural aos modelos tradicionais.

Modelos clássicos de avaliação e desenvolvimento seguem uma lógica de obrigação: ciclos formais, prazos e lembretes. Funcionam como declaração de imposto de renda – todo mundo faz, ninguém gosta. A participação existe, mas o engajamento real, não.

O problema não é de ferramenta. É de design. Quando o processo é percebido como burocracia, a resposta humana é cumprir o mínimo. Quando é percebido como jornada, com progressão visível, reconhecimento e pertencimento, a resposta muda.

O que a lógica do álbum de figurinhas revela

Pense no álbum de figurinhas da Copa. Ninguém obriga ninguém a completá-lo. Mas a combinação de progressão visível, conquistas incrementais e senso de comunidade cria uma adesão espontânea que qualquer gestor de recursos humanos invejaria.

Essa lógica, que os especialistas chamam de gamificação, não é novidade no varejo ou no entretenimento. No desenvolvimento organizacional, porém, ainda é subutilizada. A maioria das empresas usa pontualidade onde deveria usar continuidade. Usa obrigação onde poderia usar motivação intrínseca.

A mecânica é transferível: as metas viram etapas de uma jornada. Avaliações viram checkpoints. Evolução de competências vira progressão acumulável. E cada avanço gera reconhecimento visível, não apenas ao final do ciclo, mas ao longo do caminho.

Timing

Eventos globais como a Copa do Mundo não criam o engajamento do zero – eles revelam uma capacidade que já existe nas pessoas. O mesmo colaborador que acompanha classificação, resultado e estatística em tempo real no Mundial é o mesmo que responde “não tenho tempo” para completar uma avaliação de desempenho.

A questão não é disponibilidade. É design de experiência.

Empresas que souberem capturar essa energia, traduzindo a lógica dos grandes eventos para o cotidiano do desenvolvimento de pessoas, vão construir vantagem real. Não como artifício de momento, mas como mudança estrutural na relação entre o colaborador e os processos que existem para desenvolvê-lo.

Afinal, o mesmo instinto que nos faz torcer, acompanhar e celebrar pode ser canalizado para o desenvolvimento profissional. Na pior das hipóteses, pelo menos escapamos de um 7 a 1 corporativo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Ataques inevitáveis, impacto controlável: a nova lógica da cibersegurança

A pergunta já não é mais “se” sua empresa será atacada – mas quão preparada ela está para responder quando isso acontecer. Este artigo mostra por que a cibersegurança deixou de ser um tema técnico para se tornar um pilar crítico de gestão de risco, continuidade operacional e confiança nos negócios.

A longevidade das PMEs como objetivo social

Se seis em cada dez empresas não sobrevivem, o problema não é apenas o ambiente. Este artigo revela que a alta mortalidade das PMEs no Brasil está ligada a falhas internas de gestão, governança e tomada de decisão

Estratégia, Gestão de Pessoas
24 de maio de 2026 12H00
Quando a energia do Mundial entra no cotidiano corporativo, o humor, empatia e pertencimento se modificam; e quem ganha é a corporação, com o incremento do comprometimento de colaboradores e impactados

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

0 min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
24 de maio de 2026 08H00
Este artigo propõe uma nova lógica de liderança: menos controle, mais calibração - onde a inteligência artificial não reduz a agência humana, mas redefine a forma como decidimos, pensamos e lideramos em contextos de incerteza.

Carlos Cruz - Pesquisador, Escritor e Consulting Partner Executive na IBM

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de maio de 2026 16H00
A pergunta já não é mais “se” sua empresa será atacada - mas quão preparada ela está para responder quando isso acontecer. Este artigo mostra por que a cibersegurança deixou de ser um tema técnico para se tornar um pilar crítico de gestão de risco, continuidade operacional e confiança nos negócios.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de maio de 2026 09H00
Este artigo desmonta o entusiasmo em torno do Vibe Coding ao revelar o verdadeiro desafio da IA: não é criar software com velocidade, mas operar, integrar e governar o que foi criado - em um ambiente cada vez mais complexo e crítico.

Wilian Luis Domingures - CIO da Tempo

4 minutos min de leitura
Marketing & growth
22 de maio de 2026 15H00
Mais do que visibilidade, este artigo questiona o papel das marcas em momentos de emoção coletiva e mostra por que, na Copa, só permanece na memória aquilo que gera conexão real - o resto vira apenas ruído.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

2 minutos min de leitura
Empreendedorismo
22 de maio de 2026 11H00
Se seis em cada dez empresas não sobrevivem, o problema não é apenas o ambiente. Este artigo revela que a alta mortalidade das PMEs no Brasil está ligada a falhas internas de gestão, governança e tomada de decisão

Sergio Goldman

6 minutos min de leitura
User Experience, UX
22 de maio de 2026 07H00
Ao ir além da experiência do usuário tradicional, este artigo mostra como a falta de clareza jurídica transforma conversão em passivo - e por que transparência é um ativo estratégico para crescimento sustentável.

Lorena Muniz e Castro Lage - CEO e cofundadora do L&O Advogados

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de maio de 2026 17H00
Este artigo traz a visão de um executivo da indústria que respondeu ao mito da substituição. Que, ao contrário da lógica esperada, mostra por que inovação não é destruir o passado, mas sim, reinventar relevância com clareza, estratégia e execução no novo cenário tecnológico.

Antonio Lemos - Presidente da Voith Paper na América do Sul.

7 minutos min de leitura
Estratégia e Execução, Marketing
21 de maio de 2026 13H00
Este artigo mostra como o descompasso entre o que é planejado e o que é efetivamente entregue compromete a experiência do cliente e dilui o valor da estratégia, reforçando que a verdadeira vantagem competitiva está na consistência da execução.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

4 minutos min de leitura
Liderança
21 de maio de 2026 07H00
Quando ninguém mais acredita, a organização já começou a perder. Este artigo revela como a incoerência entre discurso e prática transforma cultura em aparência - e mina, de forma silenciosa, a confiança necessária para sustentar resultados e mudanças.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão