Carreira

Como transformar a aposentadoria em novos rumos na carreira

Pensar em se aposentar pode gerar bastante medo e um sentimento de nostalgia diante dos anos de serviço prestado a uma empresa. Mas, a aposentadoria pode ser muito mais do que apenas parar de trabalhar, pode ser uma transição de carreira
Ricardo Maykot construiu sua trajetória profissional na indústria farmacêutica e é ex-diretor comercial da Novartis Brasil, onde trabalhou durante 24 anos. Agora o executivo tem planos para uma transição de carreira, com foco no ambiente acadêmico. Possui expertise em marketing e vendas e é apaixonado por desenvolvimento de pessoas.

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Há poucos dias eu me aposentei. Depois de 24 anos trabalhando em uma grande farmacêutica, entreguei meu crachá de diretor comercial. Para muitos, pode ser um momento de nostalgia e medo, afinal, a vida profissional tem um grande peso em nossa identidade, em como nos apresentamos ao mundo. No meu caso não foi bem assim. Estou aposentado, mas muito longe de não ter uma – ou muitas – ocupações, e principalmente, uma dezena de sonhos. Hoje, aos 54 anos, pretendo me dedicar à vida acadêmica e ao desenvolvimento de pessoas, entre outras coisas.

Se me sinto tão entusiasmado com o que está por vir, podem me perguntar se é porque tive uma carreira ruim. Pelo contrário! Tive muita sorte de trabalhar com coisas que eu gostava, em ser constantemente desafiado em novos projetos e contar com o apoio de uma empresa que me ofereceu de volta toda a dedicação que eu entreguei como colaborador.

Mas, essa[transição de carreira](https://www.revistahsm.com.br/post/ja-escolheu-sua-proxima-carreira), que é como eu prefiro chamar minha aposentadoria, é um plano antigo, que foi muito bem pensado e executado. Longe de mim querer soar filosófico, mas realmente acredito que somos compelidos a devolver para a sociedade aquilo que recebemos, contribuindo para gerar valor na construção de uma sociedade melhor para todos. Hoje, sinto que a minha maior missão é ajudar na carreira de outras pessoas, da mesma forma que fizeram comigo.

## Como cheguei até aqui
Acho que vale uma retrospectiva até esse ponto de inflexão. Comecei na Novartis em 1998, como gerente de produto, e passei por muitas áreas na empresa, assumindo unidades de negócios e a liderança das áreas Comercial e Acesso.

Em várias discussões de carreira, meu chefe me perguntava: “O que você quer fazer agora? Para onde você almeja ir?”. Sei que nem todos podem ter essa oportunidade, mas se você a tem, não a deixe escapar. Assuma desafios, aprenda novas funções, cresça! Eu, por exemplo, depois de 20 anos de empresa, assumi uma área completamente nova, na qual eu não tinha experiência.

Foi quando o presidente da companhia me chamou e disse: “Eu gostaria que você assumisse a área de Acesso”. Eu já estava consolidado como diretor comercial, mas em Acesso eu não tinha nenhuma passagem, não era uma referência, ou seja, seria um dos maiores desafios da minha vida profissional.

Pode parecer uma mudança repentina, mas foi um risco muito bem calculado da empresa. Eles viram que eu ainda tinha fôlego para novos desafios. E acertaram na mosca! Porque pra mim foi super motivador repensar Acesso como uma área estratégica para o negócio e estabelecer novas prioridades.

Não se esqueça de que enquanto você pensa na sua carreira, a empresa faz o mesmo. E o ideal é que esse jogo seja um ganha-ganha.

Meus últimos anos na Novartis foram os mais gratificantes. Eu levantava todos os dias pensando que a minha missão era garantir que a população brasileira tivesse acesso aos produtos inovadores descobertos pela Novartis. Soluções que melhoram a gestão da saúde e ajudam a prolongar vidas. Hoje, eu acho que a área de Acesso é uma das mais importantes na indústria farmacêutica, e é aqui que eu estou entregando o bastão para o meu substituto.

## Preparação para aposentadoria
Gosto de enfatizar que todos os meus esforços pessoais e profissionais têm match com essa decisão de transição de[carreira](https://www.revistahsm.com.br/post/como-lidar-com-os-momentos-de-incerteza-na-carreira). Passei por outras empresas e vi diretores de multinacionais se aposentando cansados, com pouca energia. Eu sabia que não queria o mesmo. O que adianta você ter trabalhado tanto para ter uma reserva financeira se você não consegue mais aproveitá-la?

Por isso, acho válido compartilhar algumas dicas para quem quer se preparar para esse momento. Foram estratégias que eu segui e me ajudaram a chegar até aqui com segurança, tranquilidade e disposição:

1. Não pare de aprender e mantenha-se atualizado. O mercado valoriza muito isso, o quanto você está antenado às novas tendências, sobre o que as pessoas estão falando. Fiz pós-graduação, MBA, Mestrado – e boa parte deles com o investimento compartilhado pela empresa.
2. Perceba como as empresas estão inovando e tente ver para onde vai o mercado. É essencial não só acompanhar, como antecipar as tendências.
3. Aprenda com os erros. Eu experimentei bastante, tive projetos de sucesso, mas também contabilizei fracassos. Felizmente, nunca fui penalizado por isso. Na Novartis, havia um pensamento com o qual eu concordava: erre bastante, mas erre rápido, para você logo aprender e aprimorar o processo.
4. Faça alianças, troque experiências. Você nunca vai ser bom em tudo, porém pode haver um colega que faça bem as coisas que você acha mais difíceis. É importante essa interação, esse trabalho coletivo.

Mas a melhor dica eu deixei para o final: existe, sim, vida fora da empresa. Você já existia antes do seu trabalho atual e vai continuar existindo depois que sair dele. Esse tempo de experiência profissional te preparou para ser uma pessoa melhor. Então, encare como uma transição normal, mais uma mudança. O mundo está cheio de possibilidades e você pode continuar sendo produtivo, mesmo aposentado.

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