Gestão de Pessoas

A sua empresa é ágil?

O caminho para a evolução dos negócios passa pela adoção de uma mentalidade ágil, focada em inovação e adaptação, elementos-chave para a construção de culturas empreendedoras
É mentor, palestrante, consultor nacional/internacional de agilidade humano/organizacional. Fundador da startup Alotuz e criador do #JornadaÁgil731, sócio do Instituto Êxito de Empreendedorismo e membro da Confraria do Empreendedor.

Compartilhar:

Muito se tem falado sobre o empreendedorismo e, no Brasil, vivemos um momento de crescimento único. Considero empreender a criação de novos negócios ou a evolução de negócios existentes. Atenção: empreendedorismo não é a simples abertura de empresa, mas uma atitude de transformar um problema em oportunidades de geração de renda, emprego e impostos.

Empreende-se por dois motivos: 1) __Oportunidade__: um produto ou serviço desenvolvido a partir de uma necessidade; e 2) __Necessidade__: com menor espaço e oportunidades no mercado formal e/ou corporativo, pequenos negócios são criados (parte informal) e depois formaliza-se (MEI – Microempreendedor Individual, por exemplo).

O maior motivo empreendedor dos brasileiros é pela necessidade. A análise da série histórica da Pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), realizada no Brasil com o apoio do Sebrae, aponta a marca histórica de empreendedorismo recente: um quarto da população adulta envolvida com seu próprio negócio.

Seja por oportunidade ou por necessidade, este [aumento no empreendedorismo](https://www.revistahsm.com.br/post/comunidade-empreendedora-e-alavanca-para-transformacao-digital) leva a uma maior concorrência e à necessidade de ter uma mentalidade (mindset) ágil para driblar os desafios que aparecerão pela jornada empreendedora. Para quem tem mais de uma pessoa envolvida no negócio, já podemos falar de ter uma cultura ágil para maior evolução dos empreendedores envolvidos.

## O que é mindset ágil
O mindset é uma forma de pensar e de agir que prioriza e dá foco em certas coisas em detrimento de outras. Originado em 2001, o Manifesto Ágil estabelece o conjunto de valores e princípios para melhor desenvolvimento ágil (agile) de software, e desde então o termo agile ganhou escala e transcendeu as fronteiras de tecnologia, sendo atualmente aplicado a tudo: negócios, startups, empreendedorismo, organizações, pessoas, governança, tudo é para ser ágil.

Gosto do termo ágil como uma preocupação (e, por que não, uma obsessão?) em inovar e agregar cada vez mais valor às pessoas (às partes interessadas: colaboradores, clientes, fornecedores, acionistas, executivos, governo, etc.).

Com o passar dos anos, comprovou-se que as [organizações com empreendedores de mindset ágil](https://www.revistahsm.com.br/post/cultura-agil-e-desafios-comportamentais) têm a capacidade de se adaptar rapidamente a um mercado em constantes mudanças, exatamente o contexto do mundo atual: tudo muda o tempo todo. Está praticamente impossível acompanhar, evoluir, competir, empreender em tudo.

Relembro a boa e velha (e tão atual) teoria da evolução do biólogo Charles Darwin: na luta pela sobrevivência aquele que sobrevive não é necessariamente o mais forte e, sim, o que melhor se adapta às condições do ambiente em que vive.

## Adaptabilidade é palavra de ordem do novo mindset. E como fazer isso?
__De forma individual:__ Avaliando diretamente em qual das mentalidades que você está: fixa ou de crescimento? A base vem do livro “Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso” da professora de psicologia de Stanford, Dra. Carol Dweck.

A mentalidade fixa é aquela em que a pessoa determina: acredito que minha inteligência, personalidade, caráter são fixos e obsoletos e meu potencial é determinado no momento do meu nascimento, portanto não alterável.

Na mentalidade de crescimento o indivíduo afirma que acredita que seu sucesso se baseia no trabalho duro, aprendizado, treinamento, resiliência e determinação.

__De forma coletiva:__ Adicionamos os elementos comprovados ao longo das duas últimas décadas para o trabalho colaborativo (do latim, trabalhar junto, ajudar), mantendo o foco em três pilares: 1) Clientes: quem precisa; 2) Pequenas equipes: quem faz; 3) Redes de network: quem ajuda.

Tenho acompanhado pessoas e organizações que têm adotado esta nova mentalidade e 90% têm obtido sucesso direto em seus negócios. Os demais estão no processo de virada ágil de chave.

## Cultura ágil
A cultura, em uma sociedade, é moldada pelo conjunto de tradições, crenças, costumes, histórias, vivências e aprendizado ao longo da convivência social, sejam mutáveis ou não. Cultura empreendedora se refere aos valores, crenças e ações que definem a forma como uma pessoa conduz seu negócio.

Aprofundando: a [cultura ágil](https://www.revistahsm.com.br/post/um-modelo-para-avaliar-a-agilidade-organizacional-da-sua-empresa) envolve o conjunto de conhecimentos, habilidades, valores e métodos que têm como objetivo acelerar o ritmo de criação, desenvolvimento, entrega e adaptabilidade dos respectivos produtos e serviços.

Como construir esta cultura ágil? Utilizando as bases e princípios da agilidade:

– Desenvolvimento/processo incremental.
– Comunicação e Colaboração.
– Inspeção e Adaptação.
– Transparência e Simplicidade.
– Melhoraria contínua da produtividade e da qualidade.
– Ciclos iterativos de entrega.
– Avaliação e Feedbacks constantes.
– Pequenas equipes multidisciplinares (complementares).
– Segurança para errar, aprender, desaprender e reaprender.

[Empreender é uma grande atividade empírica](https://www.revistahsm.com.br/post/a-nova-era-do-empreendedorismo), ou seja, é necessária a experimentação como aquisição de conhecimento para aprimorar e ajustar o caminho. Certamente você, empreendedor, nunca fez antes o que está fazendo agora, pois o contexto sempre muda: a venda de um mesmo produto a um mesmo cliente é distinta, pois o mundo mudou entre a primeira e a segunda venda. Estamos sempre fazendo tudo pela primeira vez (com mais bagagem, experiência e aprendizado anterior).

Ao aplicamos as bases da agilidade no empirismo, construímos uma jornada sólida de aprendizado, alavanca fundamental na direção do propósito empreendedor.

Independentemente dos desafios, empreendedores que praticam o mindset ágil e a adotam a cultura ágil em seus negócios tornam-se campeões em adaptabilidade, entregando produtos e serviços de valor a seus clientes em maior velocidade, portando aumentando seu potencial empreendedor.

*Confira mais conteúdos sobre gestão de pessoas em [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts).*

Compartilhar:

Artigos relacionados

A IA aumentou a produtividade, mas quem está ganhando tempo?

Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

A IA não está substituindo os bancos. Está mudando o trabalho dentro deles.

O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

A Reforma Tributária já não é um tema fiscal. É um tema de supply chain.

O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Futebol feminino: O que mulheres aprendem quando têm espaço para competir?

A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
9 de outubro de 2026 08H00
A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Maria Eduarda Silveira - Founder & CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Estratégia
8 de outubro de 2026 14H00
Da aquisição à expansão de clientes, o artigo propõe uma reflexão sobre como organizações podem substituir crescimento baseado em volume por crescimento sustentado por retenção, adoção de valor e decisões mais inteligentes.

Renata Centurión - Sócia e Diretora da Winning By Design LATAM

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Vendas
8 de outubro de 2026 08H00
Diante de metas ameaçadas, a reação mais comum é fazer mais: mais reuniões, mais pressão, mais descontos, mais cobranças. O problema é que nem sempre atividade gera resultado. À medida que dezembro se aproxima, o verdadeiro desafio pode estar menos em acelerar e mais em eliminar comportamentos que comprometem decisões, margens e o próximo ciclo de vendas.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

8 minutos min de leitura
Liderança
7 de outubro de 2026 14H00
O artigo discute por que sucessão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional deixaram de ser temas de RH para ocupar o centro das decisões estratégicas e da competitividade empresarial.

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
7 de outubro de 2026 08H00
Metade dos executivos ouvidos pelo BCG já vê a própria equipe perdendo habilidades por causa da IA, e o julgamento é a primeira a cair. Velocidade sem discernimento não é ganho, é dívida com outro nome.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
6 de outubro de 2026 14H00
Empresas querem profissionais protagonistas, capazes de decidir e agir com independência. As pessoas querem mais confiança, voz e espaço para fazer escolhas. O desafio é que autonomia costuma significar coisas diferentes para cada lado dessa relação.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
6 de outubro de 2026 08H00
Em reuniões de conselho, comitês executivos e equipes de alta gestão, é comum que profissionais experientes analisem os mesmos dados e cheguem a conclusões completamente diferentes. Nem sempre isso é sinal de desalinhamento ou falta de informação. Muitas vezes, a divergência revela algo mais profundo: critérios distintos para avaliar riscos, oportunidades, prioridades e sucesso.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

9 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução