Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
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Até 2030, 39% das habilidades desaparecerão. O que os líderes precisam fazer agora?

Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing, atua no desenvolvimento de líderes e de estratégias voltadas à alta performance comercial. Possui MBA em Marketing pela FIA-FEA/USP e formações executivas em renomadas universidades americanas como NYU, Columbia, Wharton e Northwestern. Com sólida carreira em multinacionais do setor MedTech, como Johnson & Johnson e LivaNova, alia sua trajetória corporativa a uma visão estratégica sobre diferenciação de mercado, inovação e criatividade nos negócios. Denise hoje orienta empresas e empreendedores por meio de consultorias, mentorias e palestras que conectam gestão, pessoas e resultados.

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O Fórum Econômico Mundial trouxe um dado que deveria estar no radar de qualquer líder. Até 2030, 39% das habilidades atualmente exigidas no mercado de trabalho serão transformadas ou se tornarão obsoletas. O estudo mostra que a velocidade das mudanças está redefinindo profissões e a forma como as organizações precisam desenvolver pessoas. O que hoje é considerado um diferencial pode deixar de ser relevante em poucos anos, enquanto novas competências surgirão em resposta às transformações tecnológicas, econômicas e sociais que estão em curso. 

Muitas empresas seguem buscando respostas nas mesmas estratégias que utilizaram no passado. Mapeiam lacunas de conhecimento, oferecem treinamentos e atualizam programas de capacitação. Embora tais iniciativas sejam importantes, elas já não são suficientes para acompanhar a velocidade das mudanças. O desafio atual não é ensinar novas habilidades, mas preparar o profissional para aprender continuamente. 

Isso acontece porque a vida útil das competências está cada vez menor. Em muitos casos, uma habilidade começa a perder relevância antes mesmo de ser plenamente dominada. O conhecimento técnico continuará sendo importante, mas sua validade será cada vez mais curta. Por isso, as organizações precisarão investir em algo mais profundo do que o desenvolvimento de competências específicas. 

O desafio para as lideranças é que a maior parte dos modelos de desenvolvimento profissional foi construída para um cenário de relativa estabilidade. Primeiro identificava-se uma necessidade, depois oferecia-se um treinamento para preenchê-la. Hoje, porém, a realidade é diferente. As transformações ocorrem em ritmo acelerado e exigem profissionais que se adaptam continuamente. Isso demanda uma mudança de perspectiva. Em vez de apenas transferir conhecimento, as empresas precisam criar condições para que as pessoas desenvolvam autonomia, flexibilidade e repertório para lidar com situações inéditas. 

A pergunta mais importante deixa de ser quais competências devem ser desenvolvidas e passa a ser o que estimula um profissional a aprender continuamente. Afinal, duas pessoas expostas ao mesmo treinamento podem apresentar resultados completamente diferentes. Essa resposta vai além do conteúdo oferecido, estando relacionada à disposição interna de cada uma para absorver, testar, revisar e incorporar novos conhecimentos. É essa atitude que permite acompanhar a velocidade das transformações sem que cada mudança seja percebida como ameaça. 

Existe ainda um equívoco recorrente nas organizações, que é o de acreditar que a aprendizagem ocorre apenas quando surge uma necessidade urgente. Na prática, as equipes que melhor se adaptam são aquelas que cultivam o desenvolvimento como parte da rotina, antes mesmo de qualquer pressão externa. Por isso, líderes que desejam preparar suas equipes para os próximos anos precisam olhar além dos currículos e dos programas de capacitação. O papel da liderança inclui a construção de ambientes que valorizem a curiosidade, a experimentação e a aprendizagem contínua. Mais do que identificar o que o time precisa aprender, será cada vez mais importante compreender o que desperta nas pessoas a vontade de aprender. 

Em um cenário no qual 39% das habilidades atuais podem desaparecer até o final da década, o diferencial competitivo não estará somente no conhecimento acumulado, mas na capacidade de adquirir novos conhecimentos continuamente. As competências mudam, as demandas do mercado evoluem e as tecnologias se transformam. A disposição para aprender, no entanto, continua sendo uma das poucas capacidades capazes de atravessar todas essas mudanças e manter pessoas e organizações relevantes ao longo do tempo. 

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