Assunto pessoal

Cansou de pessoas tóxicas? Saiba o que fazer

O livro "Jerks at work", da especialista Tessa West, da New York University, lista cinco táticas

Compartilhar:

A língua inglesa tem uma palavra única para definir pessoas tóxicas do trabalho: o bajulador, o ladrão de créditos, o microgerenciador, o manipulador, o aproveitador, o sabotador, todos esses são “jerks”. A tradução em português geralmente é um palavrão impublicável para essas pessoas de mau caráter frequentemente encontradas no local de trabalho. Tessa West é uma professora de psicologia da New York University, que estuda as interações humanas há duas décadas e é consultora científica da MindGym, consultoria de bem-estar organizacional. Uma vez, West chegou a reorganizar seu horário de trabalho para evitar compartilhar o banheiro com um indivíduo “jerk”. Essa experiência em particular a inspirou a pesquisar e lançar em 2022 um livro com táticas: *Jerks at Work: Toxic coworkers and what to do about them*. Aqui estão cinco delas, selecionadas pela revista Forbes:

__1 – Tente entender por que essa pessoa tóxica está fazendo o que está fazendo.__ Como é a paisagem emocional no trabalho? A maioria de nós pensa que idiotas são pessoas que querem nos atingir. No entanto, muitas vezes eles são produtos de seus próprios ambientes de trabalho: eles têm um chefe microgerenciador ou há uma cultura de medo que os leva a ser um pouco controladores demais. Saber essas coisas ajudará você a descobrir sua melhor abordagem no futuro.

__2 – Enfrente o comportamento problemático cedo e com frequência.__ A maioria de nós tem medo do confronto, então adiamos. Em vez disso, levante os problemas assim que puder. Concentre-se em pequenos comportamentos que tenham soluções claras – como não ter tempo de resposta suficiente em um projeto. Quando esperamos muito para confrontar as pessoas, muitas vezes nos concentramos em características em vez de comportamentos específicos. Por exemplo, em vez de dizermos: “Tive dificuldade em expressar meus pensamentos naquela reunião porque fui muito interrompido”, esperamos demais e acabamos estourando e dizendo: “Você me arrasa nas reuniões e suga todo o oxigênio do ambiente”. Comentários como esse não são úteis.

__3 – Pense fora da caixa quando se trata de formar aliados.__ É bom reclamar com nossos melhores amigos, mas eles geralmente não são as pessoas ideais para nos ajudar a sair de uma situação complicada no local de trabalho. Pense grande. Encontre alguém com quem você normalmente não interage e também seja vítima. Busque especialmente uma vítima com boa rede de contato. Use suas conexões para encontrar essas vítimas adicionais, que vão ajudar a sensibilizar os líderes para o problema.

__4 – Se você é chefe, não espere que as pessoas reclamem para agir.__ Nem todos os locais de trabalho têm imbecis, mas a maioria tem potencial para que eles apareçam. Pequenos passos, como fazer perguntas específicas aos membros da equipe sobre seus relacionamentos com outras pessoas no trabalho, são muito melhores do que perguntas genéricas como: “Está tudo bem?”. O objetivo é farejar problemas de relacionamento antes que eles se tornem grandes demais.

__5 – Dê uma boa e longa olhada no espelho.__ A maioria de nós não receberá feed­back direto de que somos “jerks” no trabalho, especialmente se ocuparmos posições de chefia. Mas o fato é que a maioria de nós é capaz, sim, de ficar aquém do ideal. E tudo bem, porque todos podemos melhorar. Saber o que traz à tona o seu eu pior no local de trabalho é a chave para evitar ser jerk.

Gostou das ideias de Tessa West? Você não precisa fofocar e desabafar por aí, pedir demissão ou enviar currículos para todas as empresas do mercado. Há saídas.

__Leia também: [Reinvente sua relação (doentia) com o trabalho](https://www.revistahsm.com.br/post/reinvente-sua-relacao-doentia-com-o-trabalho)__

Artigo publicado na HSM Management nº 157.

Compartilhar:

Artigos relacionados

“Strategy Washing”: quando a estratégia é apenas uma fachada

Estamos entrando na temporada dos planos estratégicos – mas será que o que chamamos de “estratégia” não é só mais uma embalagem bonita para táticas antigas? Entenda o risco do “strategy washing” e por que repensar a forma como construímos estratégia é essencial para navegar futuros possíveis com mais consciência e adaptabilidade.

Como a inteligência artificial impulsiona as power skills

Em um universo do trabalho regido pela tecnologia de ponta, gestores e colaboradores vão obrigatoriamente colocar na dianteira das avaliações as habilidades humanas, uma vez que as tarefas técnicas estarão cada vez mais automatizadas; portanto, comunicação, criatividade, pensamento crítico, persuasão, escuta ativa e curiosidade são exemplos desse rol de conceitos considerados essenciais nesse início de século.

iF Design Awards, Brasil e criação de riqueza

A importância de entender como o design estratégico, apoiado por políticas públicas e gestão moderna, impulsiona o valor real das empresas e a competitividade de nações como China e Brasil.

Transformando complexidade em terreno navegável com o framework AIMS

Em tempos de alta complexidade, líderes precisam de mais do que planos lineares – precisam de mapas adaptativos. Conheça o framework AIMS, ferramenta prática para navegar ambientes incertos e promover mudanças sustentáveis sem sufocar a emergência dos sistemas humanos.

Inovação
Segundo a Gartner, ferramentas low-code e no-code já respondem por 70% das análises de dados corporativos. Entenda como elas estão democratizando a inteligência estratégica e por que sua empresa não pode ficar de fora dessa revolução.

Lucas Oller

6 min de leitura
ESG
No ATD 2025, Harvard revelou: 95% dos empregadores valorizam microcertificações. Mesmo assim, o reskilling que realmente transforma exige 3 princípios urgentes. Descubra como evitar o 'caos das credenciais' e construir trilhas que movem negócios e carreiras.

Poliana Abreu

6 min de leitura
Empreendedorismo
33 mil empresas japonesas ultrapassaram 100 anos com um segredo ignorado no Ocidente: compaixão gera mais longevidade que lucro máximo.

Poliana Abreu

6 min de leitura
Liderança
70% dos líderes não enxergam seus pontos cegos e as empresas pagam o preço. O antídoto? Autenticidade radical e 'Key People Impact' no lugar do controle tóxico

Poliana Abreu

7 min de leitura
Liderança
15 lições de liderança que Simone Biles ensinou no ATD 2025 sobre resiliência, autenticidade e como transformar pressão em excelência.

Caroline Verre

8 min de leitura
Liderança
Conheça 6 abordagens práticas para que sua aprendizagem se reconfigure da melhor forma

Carol Olinda

4 min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia e execução
Lembra-se das Leis de Larman? As organizações tendem a se otimizar para não mudar; então, você precisa fazer esforços extras para escapar dessa armadilha. Os exemplos e as boas práticas deste artigo vão ajudar

Norberto Tomasini

4 min de leitura
Carreira, Cultura organizacional, Gestão de pessoas
A área de gestão de pessoas é uma das mais capacitadas para isso, como mostram suas iniciativas de cuidado. Mas precisam levar em conta quatro tipos de necessidades e assumir ao menos três papéis

Natalia Ubilla

3 min de leitura
Estratégia
Em um mercado onde a reputação é construída (ou desconstruída) em tempo real, não controlar sua própria narrativa é um risco que nenhum executivo pode se dar ao luxo de correr.

Bruna Lopes

7 min de leitura
Liderança
O problema está na literatura comercial rasa, nos wannabe influenciadores de LinkedIn, nos só cursos de final de semana e até nos MBAs. Mas, sobretudo, o problema está em como buscamos aprender sobre a liderança e colocá-la em prática.

Marcelo Santos

8 min de leitura