Tecnologia e inovação

China: de país das falsificações a hub de inovação

Com incentivos do governo voltados à ciência e tecnologia, o país tem se tornado referência em inovação com iniciativas de empreendedorismo
Candice Pascoal é fundadora da maior plataforma de crowdfunding do Brasil (Kickante), executiva de nível internacional com grande experiência na expansão de empresas americanas no exterior e best-seller do livro *Seu Sonho Tem Futuro*.

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Já faz alguns anos que a China tenta deixar para trás a imagem do país das falsificações e pirataria. O país está ganhando espaço na nova economia com novos hubs de inovação e incentivos do governo. O processo, porém, até esse ponto não foi simples e ainda é desafiador.

Mudar uma imagem tão fortemente impregnada na identidade exige uma educação forte focada em inovação empreendedora. E não é possível compreender como se chegou a isso sem antes esmiuçar dados e histórico do país.

A China é o terceiro maior país do mundo em extensão territorial, aproximadamente 9.596.960 km², ficando atrás apenas da Rússia e do Canadá. Em consonância ao seu território, a China também concentra um grande número de pessoas, fazendo com que o país ocupe a posição de mais populoso do planeta, cerca de 1.425.893.465 habitantes, superando até mesmo a Índia.

Também ocupando o primeiro lugar no ranking, a China é considerada a maior fonte de produtos falsificados do mundo. Os dados são do mais recente relatório do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), agência federal que regula o comércio no país. O documento lista páginas na internet e estabelecimentos físicos, inclusive do Brasil, que costumam oferecer produtos físicos e conteúdo digital pirateado.

No entanto, há esforços para mudar a imagem negativa. A China tem uma mão de obra barata, o que acaba atraindo a atenção de empresas e investidores. Quando o assunto é produção de hidrogênio verde, por exemplo, o país sai na frente exatamente por conta de sua cadeia de produção e também fornecimentos avançados. Hoje, o país tem como missão produzir um sistema de eletrólise mais barato que o americano, deixando para trás Estados Unidos e Europa.

No mercado financeiro, muito antes de se popularizar no Brasil os pagamentos sem dinheiro, o mercado de pagamentos móveis chinês movimentava trilhões de dólares. Alguns fatores contribuíram para que o ecossistema de novas soluções e tecnologias do mercado financeiro da China fosse o mais inovador, com um boom de crescimento econômico que elevou o PIB no país e com mais pessoas com acesso à internet. Atualmente, o país tem se esforçado para instaurar sua própria moeda digital e já conta, para isso, com a adesão de bancos privados. O objetivo é acelerar a digitalização e continuar expandindo o desenvolvimento dos serviços online.

Recentemente, ela também levou o primeiro lugar em termos de registros de patentes globais, muito à frente de todos os outros países. No campo da computação quântica, por exemplo, os pedidos de patentes de invenção das empresas chinesas foram de 137, em 2021, para 804, em 2022.

Os números do país também se destacam quando o assunto é 6G e inteligência artificial (IA). O registro de patentes ocupa mais de 30% do total mundial, para 6G, e 70% para IA. É importante destacar que os registros não ficam apenas na atmosfera dos projetos. As patentes em vigor no país cresceram 17,6%, o que leva o país para a liderança de patentes executáveis superando os Estados Unidos.

Pelas razões citadas acima e tantas outras, a China está ganhando cada vez mais espaço na nova economia em inovações, com grandes investimentos e também incentivos do governo voltados à ciência e tecnologia. O país já tem se tornado referência em inovação com iniciativas de empreendedorismo. Todas essas mudanças permitiram um dos maiores crescimentos da história recente.

A China trilha um caminho de avanço quase independente, tanto que seu ecossistema de inovação é definido como um “lago”, pois a região é influenciada por um oceano de aplicativos e startups localizadas ao redor do mundo, mas não depende deles para crescer. O Plano Quinquenal do governo chinês estabeleceu como meta alcançar grandes avanços em tecnologias até 2025, o que só prova a vontade do país em evoluir. A China é a segunda maior economia global, mas tem tudo para se tornar a primeira.

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