Bem-estar & saúde
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Como vai a saúde? – A pergunta que ninguém responde de verdade

Colesterol, cardiologista, academia. Tudo certo. Só falta mencionar o que, de fato, está tirando as pessoas de campo.
Rubens Pimentel é CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e já treinou mais de 32 mil executivos e profissionais.

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Existe um ritual silencioso nos corredores de qualquer empresa: alguém pergunta “como vai a saúde?” e a resposta já está pronta com colesterol controlado, exames em dia, talvez uma menção ao cardiologista. Ninguém discorda. Ninguém aprofunda. E ninguém, absolutamente ninguém, menciona o que de fato tem afastado profissionais e corroído equipes inteiras.

A saúde mental virou o elefante na sala do mundo corporativo. Ir ao cardiologista é prudência. Ir ao psicólogo ainda carrega, para muitos, o carimbo velado de fraqueza. Tristeza, pânico, burnout são tratados como “mimimi” por quem, curiosamente, costuma nunca ter tido que enfrentar nenhum dos três.

“Sua mente tem paciência limitada. Quando esgota, ela simplesmente desliga e não avisa com antecedência.”

O problema não é novo, mas ganhou escala. E as fontes, quando olhadas com honestidade, não são um mistério: assédio, jornadas disfarçadas de propósito, compensação aquém do esforço. Mas há um fator que potencializa tudo isso e recebe pouca atenção estratégica que é o colapso do controle sobre a própria agenda.

Quando a agenda fica aberta para todos, vira território de ninguém. Qualquer pessoa pode convocar, interromper, ocupar. O dia deixa de ser planejado e passa a ser sobrevivido. Some a isso o WhatsApp sem regras, uma ferramenta desenhada para conversas pessoais, não para gestão de demandas. E assim temos o ambiente perfeito para ansiedade crônica: o volume é alto, o controle é baixo e a sensação de estar sempre perdendo algo nunca some.

O que de verdade está atrás do esgotamento:

  • Agendas abertas sem critério ou prioridade
  • WhatsApp como ferramenta de gestão – sem regras
  • Cultura de disponibilidade irrestrita travestida de comprometimento
  • Ausência de rituais claros de comunicação na equipe


A boa notícia, e há uma, é que isso tem solução de gestão. Não exige investimento expressivo. Exige decisão e consistência de liderança.

Definir canais, horários e protocolos de comunicação não é burocracia. É higiene organizacional. É o equivalente corporativo de lavar as mãos antes de operar. O líder que estrutura como as demandas chegam, como são priorizadas e como a equipe se comunica está, na prática, protegendo a capacidade produtiva do time e a saúde mental de cada pessoa nele.

Quem ainda acha que esse é um tema secundário vai descobrir, mais cedo do que gostaria, que o afastamento que interrompe um projeto não virá de colesterol alto. Virá de uma mente que chegou ao limite, silenciosamente, como sempre acontece.

“Organizar o processo de comunicação não é gentileza. É estratégia.”

Pense nisso com carinho. E, da próxima vez que alguém perguntar como vai a saúde, talvez valha a pena uma resposta diferente.

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Rubens Pimentel é CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e já treinou mais de 32 mil executivos e profissionais.

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