Uncategorized
4 minutos min de leitura
Oferecido por:

De dono para dono: o futuro da gestão compartilhada no setor de telecom

No setor de telecom, crescer sozinho tem limite - o futuro está nas parcerias que respeitam o legado e ampliam o potencial dos empreendedores locais.
CMO da Algar, Ana Flávia Martins tem mais de 30 anos de experiência em marketing e negócios, com foco em business, estratégia empresarial, franquias e mercados B2B, B2B2C e B2C. É formada em Comunicação Social, com especializações em Marketing, além de MBA em Gestão e Empreendedorismo e Negócios Varejo. Atualmente, lidera a estratégia de mercado da companhia, contribuindo diretamente para a performance comercial e os resultados do negócio

Compartilhar:

No dinâmico setor de telecomunicações, conhecemos bem a figura do empreendedor que construiu seu negócio do zero. O dono de um provedor regional é, antes de tudo, um visionário que identificou uma necessidade em sua comunidade e, com imensa dedicação e senso de oportunidade, a supriu. Ele conhece os clientes, entende as particularidades de sua rede e é a força motriz por trás de uma operação que gera empregos e conecta pessoas. Esse sucesso, no entanto, frequentemente encontra um teto. Isto ocorre à medida em que as funções de apoio – faturamento, marketing, expansão de portfólio, gestão de rede – além das burocracias regulatórias acabam retirando o foco dos fundadores das atividades fundamentais para a manutenção do crescimento.

É nesse ponto que o empreendedor geralmente se vê diante de alternativas disponíveis no mercado para seguir alavancando o crescimento do negócio.  No caso do segmento de telecom, uma opção inovadora é o modelo de franquias, tradicional para outros ramos de atividade. Contudo, para o dono de um provedor já estabelecido e bem-sucedido, a palavra “franquia” pode soar como uma ameaça à autonomia, uma potencial diluição de sua atuação arduamente conquistada. A percepção muitas vezes é de que se trata de uma via de mão única, onde uma grande marca impõe suas regras em troca de um selo. Mas, e se pudéssemos ressignificar essa visão?

Acredito que a evolução dos modelos de negócio em nosso setor não está na simples transferência de uma marca, mas na construção de uma parceria real, de dono para dono. A tese central é que o futuro pertence à gestão compartilhada, um modelo que substitui a hierarquia pela co-construção de valor. Não se trata de transformar um empreendedor em um “franqueado”, mas de elevá-lo à condição de parceiro estratégico.

Essa nova abordagem se fundamenta em três pilares essenciais:

  • Escuta ativa e inteligência de mercado: uma grande operadora possui escala, estrutura, dados e uma visão macro do mercado. O dono do provedor local possui a inteligência de campo, o conhecimento profundo das dores e anseios de sua região. A gestão compartilhada cria um canal de troca contínua, em que a estratégia corporativa é alimentada pela realidade da ponta, e o parceiro local se beneficia de uma ampla infraestrutura que as grandes empresas de telecom desenvolveram por décadas que, sozinho, não conseguiria acessar.
  • Cultura de co-gestão: em vez de um manual de regras, a franqueadora pode oferecer um ecossistema de suporte que pode incluir aporte de recursos da franqueadora proporcional ao número de clientes ativos do franqueado. Isso significa assumir a complexidade de operações como faturamento, atendimento em larga escala e conformidade regulatória – desafios que consomem o tempo estratégico do dono do negócio. Ao liberá-lo dessa carga, o modelo permite que ele foque no que faz de melhor: relacionamento com o cliente e expansão comercial. A gestão é feita em conjunto, com o objetivo comum de fortalecer a operação regional.
  • Crescimento sustentável: o provedor que hoje atende 10 mil clientes com excelência tem potencial para muito mais. O modelo de franquias oferece o “backbone” – não apenas em fibra óptica, mas em estrutura de negócios, poder de marca e capacidade de investimento – para que esse crescimento aconteça de forma estruturada e sustentável. Ele não está “dividindo o bolo”, mas sim se unindo a um parceiro para fazer um bolo muito maior, com mais segurança e previsibilidade.


O cenário de consolidação do mercado torna a jornada solitária do empreendedor cada vez mais desafiadora. A questão não é mais “se” irá se unir, mas “como” irá se unir de uma forma que preserve a essência do negócio e potencialize seus resultados.

A chave para essa parceria de sucesso é um diálogo entre iguais, uma conversa de dono para dono, focada em como podemos unir a agilidade e o conhecimento local à força e à estrutura de uma marca consolidada. O futuro do nosso setor será construído por meio de parcerias inteligentes que respeitem o legado do empreendedor e ofereçam um caminho claro para um novo patamar de sucesso. É a inovação a serviço do crescimento compartilhado.

Compartilhar:

CMO da Algar, Ana Flávia Martins tem mais de 30 anos de experiência em marketing e negócios, com foco em business, estratégia empresarial, franquias e mercados B2B, B2B2C e B2C. É formada em Comunicação Social, com especializações em Marketing, além de MBA em Gestão e Empreendedorismo e Negócios Varejo. Atualmente, lidera a estratégia de mercado da companhia, contribuindo diretamente para a performance comercial e os resultados do negócio

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Oferecido por:
Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

Oferecido por:
12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 14H00
Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

Rodrigo Miluzzi - Diretor de Operações do Grupo Mabu

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 08H00
A partir de uma conversa com Rogério Almeida, principal executivo do Cristália, este artigo discute como investimentos de longo prazo em pesquisa, tecnologia e capacidade produtiva podem contribuir para a construção de maior autonomia científica e industrial no Brasil.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

Oferecido por:
23 minutos min de leitura
Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

Oferecido por:
13 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

Oferecido por:
12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução