Inovação & estratégia, Finanças
3 minutos min de leitura

Depois do Pix, a próxima revolução financeira do Brasil é democratizar o crédito

O Pix mostrou que soluções simples e digitais podem alcançar rapidamente até mesmo os públicos historicamente menos atendidos pelo sistema financeiro. O próximo desafio é permitir que esses mesmos brasileiros tenham acesso a crédito compatível com sua realidade, potencializando renda, negócios e oportunidades de crescimento.
Cofundadora e CEO da CloQ, startup brasileira que oferece nano-crédito com transparência, rapidez, flexibilidade nos dias de pagamento, juros justos e atendimento humano. Cavalcanti expandiu vários negócios internacionalmente em 4 continentes. Graduou-se summa cum laude pela Universidade Federal PE e possui MBA pela Vrije Universiteit Amsterdam. Ela é fellow da Cartier Women's Initiative e do FMI. Rafa é Youth líder da SDSN da ONU e também graduou no curso Social and Impact Entrepreneurship executive education da INSEAD, um dos melhores MBAs do mundo.

Compartilhar:

Em quase 6 anos, o Pix mudou a forma como o Brasil movimenta dinheiro. O ambulante aceita pagamento por QR code, a manicure recebe na hora pelo celular, o feirante dispensa a maquininha. Poucas inovações financeiras chegaram tão rápido e tão fundo na base da pirâmide.

Mas quando essa mesma pessoa precisa de R$300 para reforçar o estoque antes do fim de semana, a porta continua fechada. O Brasil incluiu milhões de pessoas nos pagamentos digitais sem incluí-las no crédito.

O Pix já tem mais de 170 milhões de usuários. Ao mesmo tempo, cerca de 39 milhões de brasileiros trabalham na informalidade, e o país tem mais de 15 milhões de microempreendedores individuais. Grande parte desse público recebe e paga via Pix todos os dias, mas raramente aparece como cliente de crédito.

Estar incluído nos pagamentos não é o mesmo que estar incluído no crédito. A infraestrutura chegou, mas a avaliação de risco não acompanhou.
 

Por que o crédito ficou para trás

Os modelos tradicionais de crédito foram construídos para quem tem renda formal, histórico bancário e garantias. O empreendedor informal tem fluxo de caixa, clientes fiéis e disciplina no dia a dia, mas não tem holerite nem histórico nos birôs.

Avanços como o Cadastro Positivo e o Open Finance ajudam, mas registram sobretudo o que já passou pelo sistema formal. Quem nunca teve crédito continua invisível, e quem é invisível não recebe crédito. É um ciclo que se retroalimenta.

Sem acesso ao crédito formal, o empreendedor recorre ao que tem à mão: empréstimo de parentes, o cartão de um conhecido, o fiado com fornecedores ou, no pior caso, o agiota. Quem consegue um cartão frequentemente cai no rotativo, com juros entre os mais altos do mundo.

O prejuízo vai além dos juros. Sem capital de giro, o negócio não compra em volume, não aproveita a data comemorativa e não cresce. Milhões de pequenos negócios operam abaixo do seu potencial por falta de valores que, para um banco, seriam irrelevantes.

O Pix derrubou um mito importante: o de que o público informal não adota soluções digitais. Ele adota, e rápido, quando a solução é simples, barata e resolve um problema real.

O canal digital também reduz drasticamente o custo de atender tíquetes pequenos, o que torna viável um crédito que antes não fechava a conta. O que falta é uma forma de avaliar risco pensada para quem não tem histórico.

O próximo passo

É aqui que entram o nano-crédito e a avaliação comportamental. Começar com valores pequenos, observar como o cliente se relaciona com o crédito e ampliar os limites conforme a confiança se constrói transforma a ausência de histórico em ponto de partida.

Vejo o crédito como uma trajetória de longo prazo, construída com responsabilidade, e não como uma decisão única de sim ou não. E é assim que precisa ser.

O Pix mostrou que é possível incluir milhões de brasileiros em poucos anos. A próxima revolução financeira do país será fazer o mesmo com o crédito.

Compartilhar:

Artigos relacionados

“Invisible IT”: Sua empresa sabe quantos agentes de IA estão tomando decisões em seu nome?

Agentes inteligentes capazes de acessar sistemas e tomar decisões já fazem parte da rotina de muitas organizações. O problema é que boa parte deles foi criada fora dos mecanismos tradicionais de controle. O texto discute por que empresas precisarão tratar agentes de IA como identidades corporativas formais, sujeitas às mesmas regras de supervisão, segurança e responsabilização aplicadas a qualquer colaborador ou sistema crítico.

Sabedoria: a competência que a inteligência artificial não pode substituir

Quanto mais inteligentes se tornam as máquinas, maior parece ser a necessidade de desenvolver capacidades profundamente humanas. O artigo discute como empatia, autoconsciência, propósito e discernimento podem se tornar elementos centrais da liderança em um mundo onde a inteligência está cada vez mais acessível, mas a sabedoria continua sendo uma escolha.

Os oito pilares que sustentam uma estratégia sólida de IA

O sucesso das iniciativas de inteligência artificial depende de muito mais do que bons algoritmos. O artigo explora os elementos fundamentais para transformar a IA em uma ferramenta estratégica de negócios, conectando inovação, governança, segurança, compliance e desenvolvimento organizacional.

74% das empresas consideram a cibersegurança de terceiros muito importante

A porta de entrada para um incidente cibernético nem sempre está dentro da organização. Em muitos casos, ela pode estar em um parceiro, prestador de serviço ou fornecedor com acesso a sistemas, dados e processos críticos. O artigo explora por que a gestão de terceiros se tornou um dos principais desafios da segurança digital contemporânea.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
12 de outubro de 2026 18H00
Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de outubro de 2026 14H00
Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
12 de outubro de 2026 08H00
Por muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.

André Tourinho - Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT