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Desvendando o enigma da felicidade

A ONU instituiu o dia 20 de março como Dia Internacional da Felicidade, para trazer maior conscientização para esse tema. Por conta disso, a HSM, em parceria com Global Happiness, trará um especial sobre a temática nesta semana!
Consultora, escritora, palestrante e docente, Patricia é especialista em Anger Management (Gerenciamento da Raiva), pela NAMA, de Nova Iorque. É coautora do livro “Raiva, quem não tem?”. É sóciafundadora e diretora da empresa Conexão Desenvolvimento Organizacional. Mestre em Engenharia de Produção e Qualidade pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), MBA Marketing Digital com Ênfase em Neuromarketing (UP), MBA em Gestão Estratégica de Vendas e especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e graduada em Marketing, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

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Felicidade

Que época é esta em que vivemos?

Somos compelidos a demonstrar ao mundo nossa felicidade e sucesso, como se a autenticidade da nossa existência dependesse da validação externa. Mergulhados em um império de imagens, cada momento da vida é encenado para ser “instagramável”, atribuindo valor às experiências apenas quando capturadas em telas minúsculas. Turistas, de costas para as maravilhas que visitam, buscam a selfie perfeita, enquanto a escolha do que comer é ditada pela impressão que causará nas redes. A medida dos talentos se dá pelo número de seguidores, e cursos breves prometem formar especialistas da noite para o dia.

Neste cenário, emergem profissionais frustrados, empresários desesperados por comprometimento, turistas ansiosos, pais exaustos e pessoas perdidas, todas em busca de uma fórmula mágica para felicidade, sucesso ou saúde.

Mesmo aqueles que alcançaram sucesso, estabilidade financeira e relacionamentos duradouros questionam sua felicidade.

“Apesar de tudo, por que ainda não me sinto feliz?”

A resposta para uma vida plena não se encontra em manuais ou truques rápidos. Reside na simplicidade de ser autêntico, de assumir responsabilidades e superar obstáculos.

O Dr. Tal Ben-Shahar identifica obstáculos que confundem ou interrompem nossa capacidade de sermos felizes, como a falsa necessidade de estar sempre feliz, a crença de que o sucesso traz felicidade, a ideia de que a felicidade é uma decisão e a armadilha do pensamento “tudo ou nada”:

1. A crença da necessidade de estarmos felizes o tempo todo.

Não é saudável estar feliz constantemente.

Para isso, precisaríamos perder o contato com a realidade e desprezar as outras emoções. Não existem emoções ruins ou boas; todas são necessárias para uma vida saudável e significativa. Até as emoções fortes, erroneamente chamadas de negativas, têm seu valor.

Como a tristeza pela perda de alguém querido, o desapontamento quando um objetivo não é alcançado, ou a saudade de pessoas que já se foram, são naturais e necessárias. Afinal, apenas os mortos ou os psicopatas não sentem emoções.

Portanto, se você experimentou uma gama de emoções recentemente, celebre. Isso indica que você está vivo e se conectando com sua humanidade. Até a raiva, se controlada e direcionada de maneira construtiva, pode ser útil, servindo como um meio de estabelecer limites ou como um indicativo de que mudanças são necessárias.

Suprimir emoções não é a solução.

O ideal é compreendê-las, acolhê-las e permitir que sigam seu curso, evitando que permaneçam por tempo demais. Viver na “emodiversidade” significa aceitar e experienciar um espectro amplo de emoções, reconhecendo que cada uma delas tem um propósito e um momento.

2. Acreditar que a felicidade virá como consequência do sucesso.

O sucesso pode ser qualquer meta futura, como casar-se, ter filhos, receber uma promoção ou comprar algo. O problema é deslocar a felicidade para o futuro. Este equívoco nos leva a adiar a felicidade para um futuro incerto, condicionando-a à realização de metas específicas.

No entanto, quando esses objetivos são alcançados, a satisfação tende a ser momentânea, e logo surgem novas metas, mantendo a felicidade sempre no horizonte. Precisamos compreender que a felicidade não é o destino, mas a jornada.

3. A crença de que basta acordar um dia, decidir ser feliz e, então, permanecer feliz para sempre é um engano.

Não se trata de uma única decisão.

Como o Dr. Tal Ben-Shahar ilustra, a felicidade é semelhante ao Sol: olhar diretamente para ele pode nos ferir, mas, indiretamente, podemos ver o arco-íris.

A felicidade não segue uma receita pronta, mas pesquisas científicas destacam os benefícios do modelo SPIRE, proposto por Ben-Shahar, para o bem-estar e a felicidade.

Ter um propósito, praticar a gratidão — que limpa as emoções negativas e nos ajuda a nos sentir bem conosco mesmos —, ser útil, meditar, cuidar do corpo com alimentação e exercícios regulares, conforme evidenciado no estudo Blue Zones de Dan Buettner, são fundamentais. Exercícios físicos não apenas melhoram nossa saúde, mas também aumentam nossa resiliência.

Segundo o conceito desenvolvido por Mihaly Csikszentmihalyi, entrar em Flow, é essencial sair da zona de conforto e se desafiar mentalmente com novos aprendizados ou campos de trabalho, aprender um novo idioma, cultivar novos interesses, manter e ampliar relacionamentos e cuidar das emoções.

No que se refere ao trabalho do Prof. Martin Seligman, sobre otimismo e forças de caráter, é essencial entender e gerenciar as emoções.

Seligman enfatiza a importância da psicologia positiva, que se concentra nas qualidades e práticas que permitem às pessoas prosperar. Seu trabalho sugere que compreender e aplicar nossas forças de caráter pode significativamente melhorar nossa qualidade de vida, incentivando uma visão mais otimista e resiliente diante dos desafios.

Ao abraçarmos essas práticas, não só cultivamos um estado mental mais positivo, mas também fortalecemos nossa capacidade de enfrentar as adversidades, contribuindo para uma sensação duradoura de felicidade e satisfação.

4. Tudo ou nada

Perfeccionistas frequentemente caem na armadilha do “tudo ou nada”, acompanhada por um medo intenso do fracasso.

Esse medo pode dificultar o aprendizado com erros e o recebimento de críticas construtivas, pois leva à defensividade e à negação. Essa postura rígida impede o crescimento pessoal, pois recusar-se a reconhecer falhas ou atribuí-las a terceiros impede o desenvolvimento e a adaptação.

O perfeccionismo, embora possa parecer uma força, muitas vezes mascara uma incapacidade de enfrentar e processar emoções desagradáveis, buscando um controle inatingível sobre a própria vida e as relações. Superar essa visão limitada envolve aceitar a humanidade própria e alheia, reconhecendo que as aspirações elevadas devem ser equilibradas com a realidade e a aceitação de si mesmo.

Além disso, as expectativas desempenham um papel crucial em nossa percepção da felicidade. Ao basearmos nossa satisfação em metas externas ou na aprovação de outros, nos distanciamos do que verdadeiramente nos traz felicidade.

É comum seguir um caminho definido por outros, como a escolha de uma carreira imposta por pais, resultando em profissionais frustrados e infelizes. Incrivelmente, a influência de terceiros pode desviar-nos de nossos verdadeiros sonhos e aspirações. Portanto, é essencial reconhecer que muitas expectativas sobre como as coisas “deveriam ser” apenas fomentam frustrações, pois a realidade raramente se alinha perfeitamente aos nossos desejos.

Questionar e ajustar essas expectativas pode abrir caminho para uma maior autenticidade e satisfação pessoal.

Além das quatro barreiras que impedem nossa felicidade, como discutido anteriormente, há uma estratégia complementar essencial para cultivar um bem-estar duradouro: viver no momento presente.

Esta prática, longe de ser uma simples sugestão, baseia-se em pesquisas sólidas e oferece um caminho para ultrapassar os obstáculos rumo à felicidade.

De acordo com pesquisas realizadas por Harvard, apenas 47% das pessoas estão verdadeiramente presentes no momento atual. A maioria está ou relembrando o passado, projetando-se para o futuro, ou envolvida em multitarefas, o que, interessantemente, pode diminuir o Quociente de Inteligência (QI) em 10% temporariamente.

A prática do mindfulness nos ensina a valorizar o que temos e o processo que estamos vivenciando, incentivando uma vida mais consciente e alinhada com nossas palavras e ações. Isso se reflete, por exemplo, na ambivalência de pais que anseiam pelo crescimento de seus filhos para reduzir suas cargas, mas que posteriormente sentem falta dos tempos em que eram pequenos.

É fundamental estabelecer metas e buscar realizações, mas é um erro acreditar que isso é tudo o que se necessita para alcançar a felicidade. A verdadeira felicidade encontra-se na apreciação do presente, reconhecendo tudo o que já foi conquistado e os desafios superados com resiliência.

A felicidade pode ser comparada a uma planta que necessita de cuidados constantes, como ser regada, exposta ao sol e, ocasionalmente, podada para se fortalecer e crescer.

A felicidade é intrínseca e depende de cada um dar-se a oportunidade de ser feliz, cuidando de si e dos que estão ao seu redor. Pequenas ações podem levar a grandes transformações se realizadas consistentemente. Encontrar significado e prazer no trabalho é crucial, mas é importante estar atento para não deixar que o trabalho consuma toda a sua energia, buscando sempre o equilíbrio.

Levar a vida de maneira mais leve, praticando a gentileza consigo mesmo e com os outros, sem esperar nada em troca, pode fazer uma grande diferença na vida das pessoas. É essencial aceitar as próprias emoções e mudar a perspectiva quando necessário, redefinindo pessoas e situações para adaptar-se de forma saudável às circunstâncias.

Quando preocupações ou reclamações tomarem conta dos seus pensamentos, questione-se sobre a validade e a factualidade dessas preocupações. Nem tudo é tão ruim quanto parece à primeira vista, e nada é permanente. Questionar-se sobre a eficácia das reclamações pode levar à reflexão sobre o que realmente pode ser feito para mudar a situação.

Lembre-se de que a mudança é lenta, mas definitiva, e requer prática.

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