Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Estratégia
4 minutos min de leitura

Enquanto sua empresa não medir bem-estar, vai continuar perdendo performance

Medir saúde organizacional deveria estar no mesmo painel que receita, margem e eficiência. Quando empresas tratam bem-estar como benefício e não como gestão, elas não só ignoram dados alarmantes - elas comprometem produtividade, engajamento e resultado.
CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

Compartilhar:

Ainda há empresas que tratam o bem-estar como um tema secundário. Eu vejo isso como um erro de gestão.

Quando a saúde física e mental fica restrita ao campo dos benefícios, a empresa empurra para a margem um fator que impacta diretamente produtividade, retenção, engajamento e capacidade de execução. O custo dessa escolha não aparece de uma vez. Ele se espalha pela operação, desgasta os times e, aos poucos, compromete a performance.

Os dados mostram que essa não é uma agenda acessória. Segundo a Organização Mundial da Saúde, depressão e ansiedade provocam a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com impacto estimado de US$ 1 trilhão em produtividade. A OMS também aponta que 15% dos adultos em idade ativa viviam com algum transtorno mental em 2019. Para mim, isso deveria bastar para encerrar qualquer dúvida sobre a relevância do tema.

Ao mesmo tempo, o ambiente corporativo vem dando sinais claros de desgaste. Dados da Gallup mostram que apenas 21% dos profissionais no mundo estão engajados no trabalho e só 33% são classificados como pessoas em situação de bem-estar positivo. Isso significa que a maior parte da força de trabalho global opera sem conexão real com o trabalho ou sem uma percepção consistente de bem-estar. E isso, inevitavelmente, afeta o resultado.

Na prática, esse movimento aparece cada vez mais nas conversas com lideranças e no acompanhamento próximo de empresas que vêm tentando equilibrar crescimento, eficiência e saúde organizacional. O que tenho visto é que as organizações mais maduras já entenderam que o bem-estar não é um gesto de cuidado isolado. É uma alavanca de performance. Quando esse tema entra na rotina da liderança, a empresa ganha mais clareza sobre onde o desgaste está travando resultado, elevando risco e enfraquecendo a execução.

É por isso que, na minha visão, a pergunta não deveria mais ser se o bem-estar importa. Isso já está respondido. A pergunta correta é por que tantas empresas ainda não tratam esse tema com a mesma disciplina com que tratam receita, margem, churn ou eficiência.

Toda companhia mede aquilo que considera crítico. O que entra no painel de gestão orienta decisão, cobrança e prioridade. O que fica fora tende a virar discurso. Se o bem-estar ainda não aparece de forma consistente nos indicadores da empresa, a mensagem implícita é simples: o tema é reconhecido, mas ainda não é administrado como parte estrutural do negócio.

E medir bem-estar não significa ficar apenas no discurso genérico sobre o clima. Significa acompanhar indicadores concretos, como absenteísmo, turnover, afastamentos, percepção de sobrecarga, nível de autonomia, adesão e recorrência no uso das iniciativas de saúde, além de sinais de engajamento e confiança na liderança. Quando esses dados passam a ser analisados junto de indicadores de negócio, a empresa começa a entender com mais precisão onde a energia dos times está sendo fortalecida e onde está sendo drenada.

Esse ponto fica ainda mais claro quando olhamos para dentro. Na TotalPass, acompanhamos esse tema de forma contínua, inclusive por meio de uma pesquisa anual sobre riscos psicossociais. Os dados ajudam a identificar necessidades reais e ajustar iniciativas com mais precisão. Entre os resultados mais recentes, 24,76% dos colaboradores indicaram baixo nível de sobrecarga mental e estresse, enquanto 29,29% apontaram boa autonomia e realização no trabalho. Além disso, a evolução do nosso indicador no Great Place to Work, de 77 para 81 pontos entre 2024 e 2025, reforça como avanços em clima, confiança na liderança e engajamento também podem ser percebidos de forma objetiva. Mais do que uma certificação, esse tipo de dado ajuda a qualificar decisões de gestão.

Também existe um erro recorrente nessa discussão: muitas empresas confundem oferta com impacto. Disponibilizam benefícios, terapia, academia ou plataforma, mas não medem relevância, uso real, recorrência ou barreiras de adesão. Quando a solução existe e mesmo assim não entra na rotina das pessoas, o problema raramente está só no benefício. Em muitos casos, está na forma como o trabalho foi organizado.

No fim, bem-estar não é um tema de cultura organizacional. É um tema de gestão. Toda empresa mede aquilo que considera essencial para o resultado.

A pergunta que fica é simples: se a performance depende das pessoas, por que tantas organizações ainda insistem em não medir a saúde delas?

Compartilhar:

CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

Artigos relacionados

Smart Sampa: vazamento de senhas expõe o desafio de proteger uma cidade monitorada por milhares de câmeras

O debate sobre videomonitoramento e inteligência artificial não se limita aos benefícios dessas ferramentas. Ele também envolve questões como governança, controle de acessos, transparência e proteção de dados. O artigo analisa como incidentes e questionamentos recentes reforçam a importância de mecanismos de supervisão capazes de garantir que tecnologias de segurança operem de forma confiável e responsável.

RH: como contratar para profissões que ainda estão mudando?

À medida que a inteligência artificial transforma funções, processos e competências, cresce a pressão sobre as áreas de Recursos Humanos para encontrar profissionais preparados para um cenário de constante transformação. O desafio não é apenas contratar talentos, mas desenvolver a capacidade de adaptação dentro das organizações.

Bem-estar & saúde, Estratégia
17 de outubro de 2026 09H00
O artigo propõe uma reflexão sobre como energia, bem-estar, desenvolvimento de lideranças e autonomia deixaram de ser temas periféricos para se tornarem elementos centrais da infraestrutura necessária para escalar negócios sem esgotar os recursos humanos que tornam esse crescimento possível.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

6 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
16 de outubro de 2026 15H00
Algoritmos, preferências pessoais e vieses cognitivos influenciam diariamente a forma como enxergamos o mundo, muitas vezes sem que percebamos. Em tempos de polarização, excesso de informação e mudanças rápidas, cultivar curiosidade, escuta ativa e abertura para pontos de vista diferentes pode ser um diferencial importante para quem deseja construir decisões mais inteligentes e sustentáveis.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de outubro de 2026 09H00
Entre previsões apocalípticas e promessas de produtividade ilimitada, os dados mais recentes sobre inteligência artificial publicados pela Gartner, MIT e Frontiers contam uma história mais complexa.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
15 de outubro de 2026 14H00
Inspirado pela trajetória de Rafael Nadal retratada no documentário Rafa, o artigo propõe uma reflexão sobre a forma como empresas constroem seus planejamentos estratégicos.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
15 de outubro de 2026 08H00
Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
14 de outubro de 2026 14H00
A tecnologia tem papel decisivo na aceleração da agenda climática, mas a mudança acontece quando informações se transformam em escolhas. Entre indicadores, investimentos e decisões estratégicas, são as pessoas que continuam definindo o ritmo e a profundidade da transformação sustentável.

Fernando Beltrame - CEO da Eccaplan

Oferecido por Eccaplan
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
14 de outubro de 2026 08H00
Quando a Nintendo rompeu uma parceria estratégica com a Sony diante do mundo inteiro, o que parecia uma derrota humilhante tornou-se o ponto de partida para uma das maiores inovações da história dos negócios. Um caso exemplar de como líderes podem transformar atrito, oposição e conflito em crescimento.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

9 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
12 de outubro de 2026 18H00
Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução