Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 minutos min de leitura

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.
Aluna do curso de Relações Públicas e integrante do LabJornalismo - projeto da HSM Management em parceria com a Universidade Anhembi Morumbi
Aluna de Jornalismo e integrante do LabJornalismo - projeto da HSM Management em parceria com a Universidade Anhembi Morumbi
Jornalista com Mestrado em Comunicação Midiática pela Universidade Estadual Paulista - Unesp. Professora universitária há 14 anos. Atualmente atua na Universidade Anhembi Morumbi (UAM) e Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), nos cursos de Comunicação.

Compartilhar:

Como estruturar ambientes de trabalho em que as pessoas possam entregar resultados sem deixar de lado a própria saúde? Essa foi uma das questões que atravessaram as discussões do Mind Summit 2026 em São Paulo.

Especialistas nacionais e internacionais, entre líderes de RH, saúde e negócios, abordaram temas que, embora diferentes, conectam-se na experiência profissional: burnout, produtividade, segurança psicológica, felicidade, liderança e os impactos da inteligência artificial. Em comum, as discussões colocaram em evidência o papel das organizações na construção das condições em que as pessoas trabalham.

O encontro, nos dias 16 e 17 de setembro na São Paulo Expo, contou, pela primeira vez, com treinamentos práticos e plenárias com especialistas do Brasil e do exterior em três arenas simultâneas. A programação com workshops e masterclasses foi focada para ampliar os debates de como a ciência de ponta pode impactar na decisão de negócio.

Burnout e produtividade: olhar para além do indivíduo

O debate sobre saúde mental começou pelo próprio modo como o trabalho é organizado. Christina Maslach, da Universidade da Califórnia, Berkeley, referência mundial nos estudos sobre burnout (criou o instrumento que mede burnout no mundo inteiro e é base do reconhecimento pela OMS), questionou o chamado “mito do colaborador resiliente”: a ideia de que cabe principalmente ao profissional desenvolver estratégias para suportar ambientes desgastantes.

Christina Maslach no palco do Mind Summit 2026 | Foto: LabJornalismo


A perspectiva apresentada pela pesquisadora, autora de The Burnout Challenge (escrito em parceria com o colega Michael P. Leiter) e listado pela Publisher’s Weekly como um dos dez melhores livros de negócios e economia em 2025,. propõe olhar também para fatores presentes na própria organização. Carga de trabalho, controle, recompensa, comunidade, justiça e valores estão entre as seis áreas da vida profissional associadas aos estudos de Maslach. Quando existe um desalinhamento nessas dimensões, o estresse pode se acumular e contribuir para o esgotamento.

Izabella Camargo, jornalista, palestrante e autora do livro Dá um tempo! Como encontrar limite em um mundo sem limites, ampliou essa discussão ao abordar a produtividade sustentável. A questão deixa de ser apenas quanto uma pessoa consegue produzir e passa a envolver as condições necessárias para manter o desempenho sem transformar a exaustão em requisito para entregar resultados.

Nesse contexto, comunicação, clareza de papéis, reconhecimento e condições de trabalho também passam a fazer parte da conversa sobre produtividade e saúde mental.

Segurança psicológica: quando falar, discordar e errar fazem parte do aprendizado

Se as condições de trabalho influenciam a saúde das pessoas, outro elemento aparece nas relações cotidianas: elas se sentem seguras para falar?

Amy Edmondson, professora da Harvard Business School eleita duas vezes pensadora nº 1 do mundo em gestão, apresentou o conceito de segurança psicológica como a possibilidade de profissionais fazerem perguntas, admitirem erros, pedirem ajuda e expressarem opiniões diferentes sem medo de consequências interpessoais. Isso não significa eliminar cobranças ou conflitos. Ao contrário, a discordância pode contribuir para identificar problemas e favorecer o aprendizado coletivo.

Amy C. Edmonsdson no palco do Mind Summit 2026 | Foto: LabJornalismo


A ideia ganhou uma dimensão prática com Viviane Mansi, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), e Luciana Campos Lima, professora do Insper, doutora em Administração pela USP e sócia-fundadora da ScienceConsulting, na conversa “Conversas corajosas”. As palestrantes destacaram que não basta defender uma cultura de abertura se temas difíceis continuam sem espaço para serem discutidos. Remuneração, carreira, benefícios, expectativas e conflitos fazem parte da realidade das organizações e o desafio está tanto no que precisa ser conversado quanto na forma como essas conversas são conduzidas.

Assim, segurança psicológica não significa ausência de fricção, mas a criação de condições para que diferentes pontos de vista possam ser colocados na mesa de maneira respeitosa e produtiva.

Felicidade e bem-estar também exigem intenção

Relações de trabalho também podem encontrar outro caminho na ciência da felicidade. Sonja Lyubomirsky, da University of California, Riverside, apresentou pesquisas sobre felicidade e bem-estar e destacou que a felicidade não deve ser entendida como um estado permanente ou resultado apenas das circunstâncias externas.

A autora de A ciência da felicidade e Os mitos da felicidade – O que deveria fazer você feliz, mas não faz; o que não deveria fazer você feliz, mas faz, indicou que comportamentos, práticas e intervenções podem contribuir para o bem-estar quando incorporados de maneira intencional e adequada ao contexto de cada pessoa. A ideia de que “felicidade dá trabalho” sintetiza essa perspectiva: cuidar do bem-estar exige atenção e práticas consistentes, e não apenas iniciativas pontuais.

Renata Rivetti, fundadora da Reconnect Happiness at Work e colunista da Fast Company Brasil, aproximou esse debate da realidade das organizações, relacionando ciência da felicidade, liderança, bem-estar e futuro do trabalho. A questão, segundo a autora de O Poder do Bem-Estar, passa, então, por como líderes e empresas podem criar condições para relações mais saudáveis e experiências profissionais mais positivas.

IA e o futuro do trabalho: entre a substituição e a ampliação da capacidade humana

As transformações tecnológicas acrescentaram outra camada ao debate. Jan-Emmanuel De Neve, economista e professor de Oxford, responsável por estudo sobre bem-estar no trabalho, com mais de 25 milhões de pesquisas, discutiu a relação entre bem-estar, produtividade e as mudanças provocadas pela inteligência artificial, incluindo a insegurança de profissionais diante da possibilidade de substituição de funções.

Uma das perspectivas apresentadas foi a de utilizar a tecnologia não apenas para substituir atividades, mas para ampliar as capacidades humanas, conceito conhecido como augmentation. Para isso, comunicação clara, preparação e desenvolvimento de novas competências tornam-se importantes tanto para profissionais quanto para organizações.

Michele Schneider ampliou a reflexão ao defender que a transformação provocada pela IA não depende apenas da implementação de novas ferramentas. Processos, estruturas e formas de trabalhar também precisam ser adaptados para que a tecnologia seja incorporada de maneira efetiva.

Michelle Schneider no palco do Mind Summit 2026 | Foto: LabJornalismo

A questão, portanto, não é apenas aprender a utilizar uma ferramenta, mas entender como ela pode ser integrada ao trabalho para potencializar capacidades humanas.

Um desafio que envolve pessoas, organizações e resultados

Para quem acompanhou o evento, as discussões também provocaram reflexões sobre a própria experiência profissional. Shirley Acioly, 52 anos, psicóloga e diretora de Pessoas e Cultura da Biosphera.ntwk, resumiu um dos aprendizados que levou do Mind Summit: “Estratégia, desempenho e saúde mental não são agendas separadas: são dimensões da mesma realidade”.

As diferentes perspectivas apresentadas ao longo do evento apontam para uma troca de ideias que ultrapassa iniciativas isoladas de bem-estar. Do enfrentamento do burnout à construção de ambientes psicologicamente seguros; da ciência da felicidade aos impactos da inteligência artificial, os debates colocaram em pauta a forma como o trabalho é organizado, liderado e vivido.

Mais do que oferecer respostas prontas, o Mind Summit 2026 deixa uma questão para as organizações: que ambientes estão sendo construídos para que as pessoas possam trabalhar, falar, aprender, se desenvolver e, ao mesmo tempo, sustentar resultados?

Compartilhar:

Artigos relacionados

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Preservar a empresa ou a aparência? Recuperação Judicial não é atestado de fracasso

Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Nunca soubemos tanto sobre o cliente. Nunca foi tão difícil compreendê-lo.

As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

Oferecido por:
12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 14H00
Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

Rodrigo Miluzzi - Diretor de Operações do Grupo Mabu

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 08H00
A partir de uma conversa com Rogério Almeida, principal executivo do Cristália, este artigo discute como investimentos de longo prazo em pesquisa, tecnologia e capacidade produtiva podem contribuir para a construção de maior autonomia científica e industrial no Brasil.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

Oferecido por:
23 minutos min de leitura
Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

Oferecido por:
13 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

Oferecido por:
12 minutos min de leitura
Liderança
14 de setembro de 2026 08H00
Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

Oferecido por:
11 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 17H00
Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

Oferecido por:
10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução