Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
3 minutos min de leitura
Oferecido por:

Entre robôs e humanos: o que o SXSW 2026 revelou sobre o motor da indústria

Da automação total às baterias do futuro, ao longo do festival em Austin ficou claro que, no fim das contas, a inovação só faz sentido quando melhora a vida e o entendimento das pessoas
Idealizado em parceria entre Learning Village, CESAR e Automotive Business, o Hub Mobilidade do Learning Village se posiciona como um epicentro de inovação e tecnologia no setor.
Jornalista e editor de negócios do site Automotive Business. No setor automotivo desde 2015, viu o nascimento de políticas públicas, a chegada de novos fabricantes e observa com atenção a produção local de veículos elétricos.

Compartilhar:

Austin me recebeu com frio no primeiro dia de SXSW. A cidade estava gelada, mas o evento tinha outra temperatura – intensa, acelerada, quase ansiosa. Essa sensação ficou ainda mais clara quando entrei em um carro autônomo: não se tratava apenas de tecnologia, mas de convivência. Principalmente entre humanos e máquinas. 

Ao longo dos painéis que acompanhei no festival, ficou evidente que a indústria – a automotiva, inclusive – atravessa uma transição estrutural. O que vi foi a projeção de um futuro em que a automação se torna quase total dentro da manufatura. 

Os cases e projeções apresentados ao longo do South by Southwest reforçaram uma percepção que já vinha se desenhando: robôs cada vez mais próximos do ser humano, não apenas na aparência, mas na forma como se movem e interagem nas linhas de produção. A aplicação de software no desenvolvimento de toda e qualquer coisa também me chamou a atenção, com a Inteligência Artificial (IA) ocupando espaços onde nós, humanos, costumávamos ser os especialistas. 

No entanto, a discussão mais interessante que surgiu nos debates não esteve na capacidade das máquinas. Mas na nossa. 

Em uma das conversas mais instigantes, a futurista Amy Webb provocou ao dizer que o capitalismo caminha para um estágio extremo, pressionado por esse nível de automação e pela substituição do trabalho humano. Se robôs produzem mais barato e com menos erro, por que não usá-los em larga escala?, perguntou Amy. Quem vai consumir o que se produz quando o trabalho humano perde valor nesse contexto?, questionou a futurista. 

Essa tensão não é teórica. Ela já aparece na indústria automotiva, seja na simplificação das cadeias produtivas com veículos elétricos, seja no avanço dos carros definidos por software. A tecnologia está redesenhando não só produtos, mas relações econômicas inteiras. 

Ao mesmo tempo, outras tendências mostram que o desafio não é apenas produzir, é sustentar esse novo mundo. O debate sobre pequenos reatores nucleares e baterias de sódio, por exemplo, aponta para uma preocupação crescente com energia e, neste caso, me levou a seguinte questão: como alimentar uma sociedade cada vez mais eletrificada e digital sem colapsar o sistema? 

Mas foi em um painel aparentemente mais simples que encontrei a síntese do evento. A ideia de que os robôs precisam sair da jaula na qual foram por anos segregados por questões de segurança não é apenas sobre design industrial, como a discussão sugeria à princípio. É sobre confiança. 

Durante décadas, isolamos máquinas do nosso convívio por medo de algo dar errado. Agora, a tendência industrial mais forte vai na direção contrária, com empresas as inserindo lado a lado com humanos no ambiente de trabalho. Para isso funcionar, não basta eficiência, é preciso comunicação. Um robô que avisa o que vai fazer antes de agir reduz ansiedade, aumenta produtividade e, principalmente, cria um ambiente mais humano, apontaram os especialistas no SXSW. 

Parece um detalhe técnico, mas não é. É um reposicionamento conceitual: a tecnologia deixa de ser apenas ferramenta e passa a ser agente dentro de um ecossistema social. 

Ao mesmo tempo, há alertas difíceis de ignorar. A dependência crescente de IA pode estar reduzindo nossa capacidade cognitiva. Se pensar dá trabalho e a máquina faz por nós, o que acontece com o nosso cérebro no longo prazo? A pergunta ficou no ar em mais de um debate, e sem resposta definitiva. 

Hoje, passados mais de um mês do fim da 40ª edição do SXSW, essa reflexão continua ressoando. O futuro da indústria não será definido apenas por avanços tecnológicos, mas pela forma como escolhemos integrá‑los ao cotidiano. Eficiência segue sendo importante, claro. mas já não é suficiente. Existem outros aspectos e todos eles giram em torno da integração entre pessoas e máquinas. 

No fim, o que está em jogo não é o quanto elas podem fazer, e sim o quanto nós ainda queremos, ou conseguimos, fazer junto com elas.

Compartilhar:

Idealizado em parceria entre Learning Village, CESAR e Automotive Business, o Hub Mobilidade do Learning Village se posiciona como um epicentro de inovação e tecnologia no setor.

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução