Tecnologia & inteligencia artificial
3 minutos min de leitura

IA deveria reduzir o trabalho, mas está aumentando: o que diz o estudo de Harvard e como gerar produtividade real com inteligência artificial

Por trás da sensação de ganho de eficiência, existe um movimento oculto que está sobrecarregando profissionais. O artigo traz uma reflexão sobre como empresas estão confundindo volume de atividade com ganho real de produtividade.
Sócio e Diretor de Operações na Lecom, com mais de 25 anos de experiência em consultoria e tecnologia.

Compartilhar:

Uma das maiores promessas do uso de inteligência artificial é reduzir tarefas operacionais e liberar tempo para atividades estratégicas. Mas um estudo recente conduzido por pesquisadores de Harvard aponta o contrário: ao invés de reduzir, a IA pode aumentar o volume de trabalho.

A pesquisa, publicada na Harvard Business Review, acompanhou por oito meses a adoção de IA generativa em uma empresa de tecnologia nos Estados Unidos com cerca de 200 colaboradores. A conclusão foi que a IA não reduziu o trabalho total. Ela intensificou o ritmo e expandiu o escopo das entregas.

Com a IA, tarefas que antes exigiam tempo para começar (como redigir um documento, estruturar análises ou desenvolver código inicial) passaram a ser iniciadas em muito menos tempo. Por serem mais fáceis de execução inicial, essas tarefas aumentaram o volume de entregas mais complexas.

Os profissionais começaram a assumir mais atividades, expandiram o escopo de suas funções e passaram a trabalhar em ritmo mais acelerado. A sensação de produtividade aumentou, mas também aumentaram as revisões e interações para dar continuidade aos projetos. A IA acelerou partes do fluxo, mas a rotina de trabalho como um todo ficou mais intensa.

Ou seja, com base no estudo de Harvard, observamos que o uso de IA de modo isolado não está associado diretamente ao aumento de produtividade. 

Se a inteligência artificial está avançando tão rápido, por que o trabalho não está sendo mais produtivo?

Porque o investimento em tecnologia, quando acontece em silos e de forma desordenada, muitas vezes cria mais trabalho do que elimina.

Quando a IA é adicionada sobre processos já complexos, ela tende a ampliar o volume de entregas (= mais relatórios, versões e análises), sem necessariamente reduzir o tempo total do ciclo de trabalho. 

Por exemplo, se a IA apenas acelera a criação de um relatório, mas esse material continua passando pelo mesmo caminho de sempre (revisões sucessivas, ajustes de última hora, validações manuais e reuniões para alinhamento) o tempo total gasto para entregar o resultado final praticamente não muda. A empresa só fica mais rápida na “primeira versão”, mas continua lenta e cara no fluxo completo.

O ganho real aparece quando a IA entra para encurtar o processo, e não para gerar mais trabalho dentro dele. Isso acontece quando a tecnologia ajuda a padronizar informações na origem, conferir e corrigir inconsistências automaticamente, classificar e direcionar demandas, antecipar erros e tratar exceções com regras claras.

É por isso que aplicar IA no core do negócio faz toda a diferença.

Então, como gerar produtividade real com inteligência artificial?

Antes de perguntar “onde podemos usar IA?”, a pergunta correta é: onde estamos perdendo tempo hoje? COOs, CIOs e CTOs devem buscar respostas para:

  • Onde há retrabalho recorrente?
  • Onde existem aprovações que voltam?
  • Onde dados entram errados e precisam ser corrigidos?
  • Onde áreas diferentes produzem a mesma informação em formatos distintos?

Grande parte do desperdício nas empresas não está na tarefa em si, mas no caminho que ela percorre. Está na validação repetida, inconsistência de dados, falta de padrão entre sistemas e ausência de regras claras para exceções. E é justamente aí que a IA pode ser mais efetiva.

Quando a IA é aplicada no núcleo do processo, a carga de trabalho não aumenta – ela diminui. O profissional deixa de revisar o óbvio e passa a decidir o relevante. Sai da correção manual e entra na análise crítica.

Produtividade real com inteligência artificial não é produzir mais trabalho. É produzir mais rápido com menos esforço humano. E isso só acontece quando a IA deixa de ser ferramenta individual e passa a incorporar o core do negócio e, portanto, seus processos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Inovação & estratégia
23 de fevereiro de 2026
Com bilhões em recursos não reembolsáveis na mesa, o diferencial não é ter projeto - é saber estruturá‑lo sem tropeçar no processo.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

5 minutos min de leitura
ESG
22 de fevereiro de 2026
Depois do Carnaval, março nos convida a ir além das flores e mimos: o Dia Internacional da Mulher nos lembra que celebrar mulheres é importante, mas abrir portas é essencial - com coragem, escuta e propósito.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
21 de fevereiro de 2026
A autêntica transformação cultural emerge quando intenção e espontaneidade deixam de ser opostas e passam a operar em tensão criativa

Daniela Cais – TEDx Speaker, Design de Relações Profissionais

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de fevereiro de 2026
A verdadeira vantagem competitiva agora é a capacidade de realocar competências na velocidade das transformações

Cristiane Mendes - CEO da Chiefs.Group

4 minutos min de leitura
Liderança, Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de fevereiro de 2026
A crise silenciosa das organizações não é técnica, é emocional - e está nos cargos de poder.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
18 de fevereiro de 2026
Quando 80% não se sentem realizados, o problema não é individual - é sistêmico.

Tatiana Pimenta - CEO da Vittude

7 minutos min de leitura
ESG
17 de fevereiro de 2026
O ESG deixou de ser uma iniciativa reputacional ou opcional para se tornar uma condição de sobrevivência empresarial, especialmente a partir de 2026, quando exigências regulatórias, como os padrões IFRS S1 e S2, sanções da CVM e acordos internacionais passam a impactar diretamente a operação, o acesso a mercados e ao capital. A agenda ESG saiu do marketing e entrou no compliance - e isso redefine o que significa gerir um negócio

Paulo Josef Gouvêa da Gama - Coordenador do Comitê Administrativo e Financeiro da Sustentalli

4 minutos min de leitura
Lifelong learning
16 de fevereiro de 2026
Enquanto tratarmos aprendizagem como formato, continuaremos acumulando cursos sem mudar comportamentos. Aprender é processo e não se resume em um evento.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
13 de fevereiro de 2026
Entre previsões apocalípticas e modismos corporativos, o verdadeiro desafio é recuperar a lucidez estratégica.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
12 de fevereiro de 2026
IA entrega informação. Educação especializada entrega resultado.

Luiz Alexandre Castanha - CEO da NextGen Learning

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...