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Inovação e diversidade na liderança feminina: inspirações pelo mundo

Como uma pernambucana que trabalha há anos na Alemanha, conheci mulheres incríveis, lideranças que inspiram e fortalecem o empoderamento feminino, sustentável, inovador e transformador
Domitila Barros é ativista, empresária, atriz e primeira imigrante e mulher negra a ser coroada como Miss Alemanha. Fundadora da She is From The Jungle, grife de jóias veganas, nasceu na comunidade de Linha de Tiro - PE, onde ainda atua na CAMM, ONG fundada por sua mãe. Faz parte do elenco do Big Brother Brasil 23.

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Ao longo de 20 anos de desenvolvimento pessoal e profissional na Europa, dediquei muita energia para causas maiores. É uma missão pessoal que reconheci desde cedo, como fruto de minhas origens na comunidade da Linha do Tiro, na zona norte do Recife. Para quem conhece as consequências de uma vida não sustentável e conseguiu alcançar lugares vistos como inacessíveis para grande parte da população brasileira, assumo meu papel de liderança feminina inspiradora para outras mulheres.

Precisamos de mudanças. Nosso planeta pede consciência e transformação, e percebo como conexões fortes, inovação e visão econômica trazem efeitos reais, muito mais rápido do que imaginamos. A Europa favorece as trocas, com sua multiplicidade de culturas e diversidades vivendo lado a lado, com muitas origens étnicas, com a tendência da representatividade alcançando lugares antes impossíveis.

Neste ano fui coroada Miss Alemanha e considero esse título um sinal de que as mudanças estão acontecendo. Os parâmetros do Miss Alemanha são não tradicionais, com candidatas escolhidas por se destacarem na sociedade por suas ações, independentemente da cor, idade ou nacionalidade. Como primeira imigrante e mulher negra a alcançar esse posto, com 37 anos e nascida em uma comunidade pobre no Brasil, eu o vejo como reconhecimento de minha atuação em projetos socioeconômicos e uma forma de trazer ainda mais visibilidade para o empreendedorismo sustentável encabeçado por mulheres.

Inovação, diversidade e liderança feminina são assuntos que espero ver cada vez mais sob os holofotes. Em minha caminhada, conheci diversas mulheres incríveis, que, como eu, dedicam esforços para projetos que visam o bem maior, transformando suas carreiras em combustível para o desenvolvimento sustentável e consciente. São mulheres poderosas e muito engajadas, liderando projetos impactantes. Compartilho abaixo alguns desses casos, que acredito que todos devemos manter no radar.

## Liderança feminina: mulheres que inspiram
### Jessica Alba – Atriz de Hollywood e fundadora da Honest
Há alguns meses, pude falar como palestrante na última Digital X, um evento em Colônia, na Alemanha, com mais de 50 mil visitantes, para debater sobre o futuro e a digitalização. Encontrei muitas portas abertas por lá, para fazer conexões e ampliar o debate a respeito do empreendedorismo feminino.

Entre as muitas oportunidades, pude conhecer Jessica Alba, muito conhecida pelos brasileiros como atriz de Hollywood, mas também uma ativista e [fundadora da Honest](https://www.honest.com/about-us/our-story.html), uma marca de produtos de beleza e saúde, focada no bem-estar das famílias. Jessica criou a marca por perceber o quão difícil era encontrar produtos eficientes e seguros para bebês. Ela tinha se tornado mãe e, ao olhar para as embalagens de produtos infantis, quase sempre se deparava com a presença de químicos prejudiciais para a saúde.

Como resposta para o problema, a Honest cria produtos com uma política de transparência ao redor dos ingredientes utilizados, com insumos naturais e muita audição para o ponto de vista das consumidoras. A Honest hoje vale, em média, US$ 550 milhões, em uma operação que valoriza o digital, com 2% de seu rendimento anual direcionado para a pesquisa e desenvolvimento de testes de qualidade para garantir segurança e a eficácia de seus produtos.

A iniciativa de Alba reflete a inovação possível pelo empoderamento das mães, pois foi a partir de seu olhar de cuidado que a ideia surgiu e tomou forma. Se as mulheres não ocuparem posições de liderança e encabeçaram a inovação, como poderemos solucionar questões como essa?

### Düzen Tekkal – Jornalista, repórter de guerra e ativista de direitos humanos
Conheci a Düzen Tekkal em encontros a respeito da situação das mulheres Iranianas, que sobrevivem ao Regime Islâmico radical. Ela foi a líder de um movimento que viralizou nas redes sociais, com mulheres de diversas nacionalidades cortando seus cabelos em suporte a #MahsaAmini, uma jovem iraniana de 22 anos que morreu após ser presa por usar o véu de forma inadequada, deixando os fios de cabelo à mostra, o que é proibido no país. O que se seguiu foi o maior protesto da história a favor do direito das mulheres do Irã, engajando a população feminina espalhada pelo mundo inteiro.

Düzen é uma mulher forte e incrivelmente articulada. Ela é filha de imigrantes turcos, refugiados religiosos na Alemanha, e entende muito bem como utilizar sua carreira de jornalista, escritora e ativista para direcionar a atenção para questões muito difíceis, como o genocídio no Iraque, cujas histórias, muitas delas terríveis, foram documentadas pessoalmente por ela.

Com um livro sobre imigração na Alemanha publicado e 140 mil seguidores [no Instagram](https://www.instagram.com/duzentekkal/), a jornalista é um exemplo de liderança feminina e uma verdadeira influencer que educa seus seguidores a respeito das realidades da guerra e dos povos envolvidos. Em nossas conversas aprendi muito sobre diversidade, uma chave essencial para inovarmos na busca por abordagens mais pacíficas, que vão para além das ONGs e podem chegar ao centro de nossa economia.

### Arianna Huffington – Fundadora do The Huffington Post e da Thrive Global
Uma outra mulher que considero como grande inspiração para o empreendedorismo feminino é a [Arianna Huffington](https://www.linkedin.com/in/ariannahuffington/), escritora e empresária americana com uma carreira baseada na liberdade de expressão e na mudança cultural das empresas. Além de mais de 15 obras publicadas, ela fundou o jornal *The Huffington Post* – um veículo de mídia super relevante nos EUA – e a Thrive Global, uma empresa de tecnologia focada na mudança da cultura de trabalho das empresas, especialmente no âmbito da saúde mental.

Como mulher, me engajo com o discurso empático e acolhedor da Arianna, que ainda aposta nestes valores como chave para ampliar a produtividade e os bons resultados nos negócios. Num mundo com altos níveis de burnout e ansiedade relacionada ao trabalho, a inovação defendida por Arianna é mais do que bem-vinda. Inclusive, a qualidade do trabalho é parte dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) pautados pela ONU, algo que trabalho com a She is From The Jungle, minha marca de jóias veganas, com um foco especial na transformação do trabalho artesanal e no cultivo de Capim Dourado, destaque das peças nas comunidades em Pernambuco e no Tocantins.

Recentemente, Arianna deu mais um passo na valorização da saúde mental e concretizou uma parceria com a SHRM – uma organização ao redor da gestão de recursos humanos – para lançar um apelo global pela priorização do bem-estar no trabalho nas empresas. Mais de 100 organizações mundiais já se uniram com investimentos para levantar a causa.

Quando vejo uma fala de Arianna Huffington, percebo que sua postura forte e engajada é um exemplo de liderança feminina que valoriza o aspecto humano. Ela representa nossa luta pela diversidade e transformação da economia como uma forma de resolver questões fundamentais.

### Alana Leguth – Sócia-diretora da KondZilla filmes e criadora do HERvolution
A Alana Leguth é uma mulher brasileira que me inspira muito por sua jornada. Seu trabalho como sócia diretora da KondZilla – o maior canal de música da América Latina – se tornou um verdadeiro fenômeno ao ampliar a voz dos jovens de periferia brasileiros, com suas expressões muito bem produzidas e valorizadas.

Já sabemos que há talento de sobra escondido pela falta de oportunidade em nosso País e quando a cultura da favela chega ao mundo, “ninguém fica parado”. Mas o trabalho também não para aí. A grande inovação que Alana está construindo em seu novo projeto amplia a inclusão e valoriza o cenário profissional feminino. [É o *HERvolution*](https://kondzilla.com/alana-leguth-explica-sobre-o-projeto-hervolution-no-papo-ninja/), uma produção audiovisual que vai ao ar na RedeTV e se destaca com equipes técnicas e criativas totalmente formadas por mulheres.

Tendo trabalhado por anos nos bastidores dos projetos da KondZilla, Alana sabe que esse é um dos setores ainda dominado pelos homens e que precisamos levar a representatividade à frente para quem está por trás das produções, adicionando aquele toque feminino que faz toda a diferença. Só assim podemos trazer ao centro das empresas os talentos escondidos por falta de motivação em um sistema ainda muito patriarcal.

A programação do *HERvolution* destaca o universo e as expressões femininas com pautas como empoderamento, diversidade e inclusão. Tudo o que queremos ver.

## Exemplo de liderança feminina dentro de casa
O futuro é verde, feminino e diverso. Aprendi muito sobre isso desde cedo com uma mulher que não podia deixar de citar em um artigo sobre empoderamento feminino. A minha mãe, Roberta Barros, minha maior inspiração de liderança feminina, é educadora e fundadora do CAMM, uma ONG que trabalha desde 1984 com a alfabetização de crianças e adolescentes na comunidade de Linha do Tiro em Recife. Eu nasci dentro deste projeto, já que a minha família morava, literalmente, dentro da sede da ONG naquela época. Foi ali que aprendi a me valorizar, a viver em comunidade e também a trabalhar para fazer a diferença para mim e para os outros.

Hoje, eu vejo como tudo o que minha mãe me ensinou me deu forças para chegar onde estou. A representatividade importa muito, pois nosso trabalho deve ser feito de geração em geração. Independentemente de sua profissão, cada mulher tem o poder de dizer para as outras: “Nós podemos, vamos juntas”. Tive sorte, aprendi o valor desta luta desde criança e encaro a missão de inspirar outras meninas e mulheres, que serão as líderes de um mundo cada vez mais inovador, igualitário e sustentável.

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