Tecnologia & inteligencia artificial
5 minutos min de leitura

Inteligência Artificial em 2026: seis realidades que estão redefinindo a inovação nas empresas

Entre IA agentiva, cibersegurança e novos modelos de negócio, 2026 exige decisões que unem tecnologia, confiança e design organizacional.
O CESAR é o mais completo centro de inovação e conhecimento do Brasil, referência no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta complexidade, com impacto para toda a sociedade. Atua, há quase 30 anos, integrando pesquisa, aceleração de negócios e tecnologia para elevar organizações a um novo patamar de competitividade, além de educação, por meio da CESAR School.
CEO do CESAR e doutor em Engenharia de Software pela CESAR School. Com uma carreira marcada por atuações em cargos técnicos e executivos, trabalhou em organizações na Holanda, Suíça e Brasil, além de ter atuado como consultor de inovação para diversas empresas. Eduardo também é mestre em Engenharia Eletrônica pela Technical University of Eindhoven (Holanda), possui MBA pela Kellogg School of Management (EUA) e formação executiva em Transformação Digital pela Columbia Business School, em Nova York.

Compartilhar:

Em 2026, o CESAR completa 30 anos acompanhando, de dentro, diferentes ondas tecnológicas surgirem cercadas de expectativas e, com o tempo, se transformarem em prática. Ao longo dessa trajetória, vimos o amadurecimento da web, a consolidação do design como motor de inovação e, mais recentemente, os primeiros debates estruturados sobre computação quântica. Em todos esses ciclos, uma constatação se repete: a tecnologia só gera valor quando realmente resolve problemas e coloca as pessoas no centro da transformação.

Estamos diante de um cenário tecnológico paradoxal: a adoção da IA nunca foi tão ampla, embora o sucesso financeiro permaneça raro. Mesmo com investimentos bilionários, a tecnologia ainda não se traduz, de forma consistente, em crescimento de faturamento nas grandes empresas.

Já não se trata apenas de adotar ou experimentar inteligência artificial, mas de decidir como estruturá-la, como protegê-la e em que bases de confiança ela irá operar, no interior das estruturas corporativas e na sociedade. São essas decisões que passam a orientar as principais tendências e a moldar as escolhas das lideranças ao longo dos próximos meses.

1) IA agentiva: quando a implementação não se converte em resultado

A inteligência artificial ocupa hoje o centro das discussões estratégicas, mas muitas companhias ainda enfrentam dificuldades para aplicá-la de forma consistente no dia a dia. Em vez de definir direções claras, estimulam o uso isolado de ferramentas, apostando que casos de aplicações relevantes emergem de forma espontânea, uma expectativa que, na prática, raramente se confirma.

O obstáculo não está na sofisticação dos modelos, mas na incapacidade de redesenhar fluxos de trabalho capazes de capturar os ganhos da tecnologia. Soluções genéricas podem ser úteis no nível individual, mas tendem a perder eficácia em ambientes corporativos, onde precisam se integrar a processos, sistemas e decisões já estabelecidas.

No Brasil, um estudo recente conduzido pela CI&T em parceria com a Fundação Dom Cabral reforça esse diagnóstico: embora a IA já seja prioridade estratégica para a maioria das lideranças, apenas uma parcela reduzida consegue capturar impacto financeiro relevante, ou mesmo mensurar o retorno de suas iniciativas.

2) Cibersegurança em tempos de deepfakes e fraudes por IA

A entrada dos agentes de IA aprofunda a discussão ao ampliar a necessidade de responsabilidade, governança e segurança. À medida que esses sistemas passam a influenciar decisões e a operar de forma mais autônoma, torna-se inevitável revisar premissas tradicionais de confiança e controle. É sob essa lente que se revela uma das principais tendências que devem orientar (ou desafiar) as decisões executivas ao longo de 2026.

Conforme a inteligência artificial amplia sua capacidade de emular a realidade, tornam-se mais frequentes fraudes, ataques e manipulações cada vez mais difíceis de distinguir do que é autêntico. No primeiro trimestre de 2025, ataques de phishing com deepfakes cresceram mais de 1.600%, com o Brasil entre os países mais afetados. Estima-se que 83% dos e-mails de phishing já utilizem conteúdo gerado por IA, inclusive para clonagem de vozes.

O roteiro costuma ser o mesmo: criar urgência para impedir qualquer verificação. Nesse contexto, práticas como chamadas de retorno, palavras-código e até sistemas para validar conteúdos gerados por IA deixam de ser sofisticação e passam a representar higiene básica de segurança.

3) Computação quântica: por que o impacto ainda não é imediato

Apesar da crescente atenção da mídia e dos investimentos em pesquisa, a computação quântica ainda não está pronta para adoção em larga escala em 2026. Especialistas estimam que aplicações práticas, capazes de gerar impacto operacional relevante, ainda demandam de três a dez anos de maturação.

Na prática, isso se reflete em decisões que seguem priorizando infraestrutura computacional tradicional. O movimento sinaliza que, ao menos no curto prazo, a computação quântica não deve substituir os sistemas clássicos que sustentam as operações atuais.

O risco, no entanto, não está apenas no futuro. Já no presente ganha força o conceito de “colher agora para descriptografar depois”, no qual dados sensíveis são capturados e armazenados hoje com a expectativa de serem decifrados quando a capacidade quântica se tornar viável.

4) Cultura orientada ao design 

A adoção da inteligência artificial também expôs um descompasso recorrente. Enquanto práticas de design e experimentação são amplamente aplicadas em equipes de produto e software, elas raramente se estendem ao restante da estrutura corporativa.

Áreas como contabilidade, compras e recursos humanos seguem operando sob uma lógica predominantemente orientada à eficiência, à padronização e ao cumprimento de processos. Paradoxalmente, são justamente essas funções intensivas em regras, dados e decisões repetitivas que concentram parte significativa do potencial de geração de valor com o uso de IA.

5) Regulação de IA: entre fragmentação e responsabilidade

A maturidade do debate também se reflete em uma mudança de postura em relação à regulação. O tema deixa de ser visto como um entrave à inovação e passa a ser reconhecido como um elemento necessário para mitigar riscos sistêmicos.

O cenário regulatório, no entanto, segue fragmentado. Enquanto há resistência a iniciativas legislativas em partes dos Estados Unidos, a União Europeia avança com um marco regulatório mais estruturado, e o Brasil desenvolve seu próprio arcabouço para o uso responsável da tecnologia. Essa assimetria amplia a complexidade para empresas que operam em múltiplos mercados.

6) Modelos de negócio à beira de mudança

Talvez o impacto mais profundo não seja tecnológico, mas econômico. Modelos historicamente sustentados por horas faturáveis passam a ser questionados. Se uma tarefa que antes exigia semanas de trabalho pode ser executada em horas, como redefinir valor, preço e margem?

Alguns gestores já começam a experimentar modelos baseados em resultados, deslocando o foco do tempo empregado para o impacto entregue. Para as lideranças, essa transição exige repensar não apenas precificação, mas também incentivos, métricas de desempenho e a própria relação entre tecnologia e trabalho. 

Compartilhar:

O CESAR é o mais completo centro de inovação e conhecimento do Brasil, referência no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta complexidade, com impacto para toda a sociedade. Atua, há quase 30 anos, integrando pesquisa, aceleração de negócios e tecnologia para elevar organizações a um novo patamar de competitividade, além de educação, por meio da CESAR School.

Artigos relacionados

Nem toda empresa precisa de um C-level

Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Hiperconectados, solitários e irrelevantes?

Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

A próxima revolução será humana?

Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

O que não pode mudar quando tudo está mudando?

Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

O Brasil no centro da próxima revolução agrícola: por dentro do caso da Biotrop

A agricultura é uma das grandes forças econômicas do Brasil, mas seus mecanismos de inovação ainda são pouco compreendidos fora do setor. Este artigo parte de uma conversa com Jonas Hipólito, CEO da Biotrop, para observar como ciência, bioinsumos, biodiversidade, dados e competição global começam a redesenhar a próxima etapa da produtividade agrícola.

Inovação & estratégia, ESG
1º de agosto de 2026 14H00
Impulsionadas pelas exigências de investidores, certificações ambientais e adaptação climática, as edificações sustentáveis consolidam-se como ativos estratégicos para empresas que buscam eficiência, resiliência e geração de valor de longo prazo.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor e responsável técnico da HotFloor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
1º de agosto de 2026 08H00
Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante 

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de julho de 2026 14H00
Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

Tássia Galvão - Fundadora e CEO da Konne

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de julho de 2026 08H00
Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

6 minutos min de leitura
Cultura organizacional
30 de julho de 2026 14H00
Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

Diego Alegre - CEO do Arquipélago "Culturas que transformam"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de julho de 2026 07H00
A agricultura é uma das grandes forças econômicas do Brasil, mas seus mecanismos de inovação ainda são pouco compreendidos fora do setor. Este artigo parte de uma conversa com Jonas Hipólito, CEO da Biotrop, para observar como ciência, bioinsumos, biodiversidade, dados e competição global começam a redesenhar a próxima etapa da produtividade agrícola.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

21 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de julho de 2026 14H00
Enquanto parte do mercado ainda vê a indústria como “velha economia”, empresas como WEG e John Deere mostram uma realidade diferente: na era da inteligência artificial, o ativo mais valioso pode não ser o algoritmo, mas os dados únicos gerados por ativos físicos que ninguém mais consegue reproduzir.

Átila Persici - COO da Bolder

8 minutos min de leitura
Liderança
29 de julho de 2026 07H00
Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Betania Tanure - PhD, Sócia fundadora da BTA, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 14H00
Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Clara Choen - Fundadora da Savant Consulting

12 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 08H00
Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo