Finanças

Mensuração de sucesso vai além de só acompanhar o lucro

Faturamento não é sinônimo de sucesso; os resultados alcançados devem ser vistos como consequência do crescimento da organização
Roberto Oliveira é cofundador e CEO da Blip, plataforma que é líder em conversas inteligentes entre marcas e consumidores nos principais aplicativos de mensagem no Brasil. Também é cofundador da Confrapar e da Minu, além de investidor-anjo em diversas outras startups.

Compartilhar:

Todo empresário e empreendedor, em algum momento da sua trajetória, questionou como avaliar o desempenho da organização na qual é líder. Afinal, há várias maneiras de mensurar o crescimento e estágio atual de uma companhia.

Neste sentido, é possível, por exemplo, [avaliar resultados](https://www.revistahsm.com.br/post/mindset-de-entrega-versus-mindset-de-resultado-o-que-e-mais-importante) de curto ou longo prazo a partir de dados comparativos. No entanto, para encontrar a melhor forma de avaliação empresarial, e quais aspectos devem ser considerados, é necessário entender em que contexto o mercado se encontra, suas próprias expectativas em relação à empresa e a realidade atual do negócio.

Quando falamos de uma perspectiva de investimento, o mercado olha mais para o futuro e valoriza mais uma empresa que está em expansão do que uma [organização que é capaz de gerar lucro](https://www.revistahsm.com.br/post/planejamento-financeiro-um-be-a-ba-para-comecar), mas que apresenta crescimento estagnado. Isso porque, essas últimas, chamadas de cash cow (ou, na tradução do inglês, “vaca leiteira”), passam a enfrentar o desafio da sobrevivência: quando para de crescer, em algum momento a empresa começa a morrer.

Contudo, a transformação digital abriu espaço e oportunidade para que os negócios tenham desenvolvimento super acelerado. Uma empresa que cresce 100% ao ano – realidade de algumas startups no Brasil e no mundo – passa a poder se multiplicar até por dez em três anos, atingindo um crescimento exponencial.

## Avaliação trimestral

Além de cash cow, outro termo muito comum no mercado de ações, e que funciona como ferramenta para medir o crescimento empresarial, é o guidance: um conjunto de perspectivas de resultados, feitas pelo mercado, e que mostram sinais da qualidade da companhia e das suas metas de mercado durante um trimestre.

Aqui surge um dilema ao publicar o guidance: sem conseguir entregar o que previu, o resultado da empresa é visto como uma notícia ruim e as ações da companhia podem ser desvalorizadas. No entanto, se a empresa conseguir atingir o guidance ou superá-lo, isto é tido como excelente e as ações da companhia disparam.

Temos alguns exemplos recentes em que o mercado divulgou as perspectivas de guidance do primeiro trimestre de 2021 em relação a algumas empresas: as ações da Amazon, por exemplo, subiram 2% após o anúncio dos resultados superarem as estimativas do primeiro trimestre. Já o desempenho do Twitter ficou abaixo das projeções, o que fez com que os papéis da empresa caíssem mais de 8%. Por fim, o Facebook superou as expectativas de crescimento e suas ações subiram até 6%.

Em resumo, a publicação trimestral de resultados e demonstrações financeiras estão relacionadas ao alinhamento de expectativa do mercado de investidores.

O recorte trimestral dessa avaliação é super válido, porque mostra os sinais da qualidade da empresa e as métricas que vão validá-la. Esse ainda é um importante ponto de atenção para os empreendedores considerarem no momento de mensurar o sucesso de suas empresas e o que querem que seja divulgado a partir disso. Afinal, o negócio pode superar suas metas e demonstrar um bom crescimento para o mercado. Mas ainda há o risco de planejar-se um grande crescimento, mas não conseguir cumpri-lo, arriscando a imagem da instituição na praça.

## Resultado e crescimento

Todo empresário é também um investidor – portanto, deve sempre olhar para a sua empresa como um investimento em seu portfólio. Logo, é necessário buscar sempre a otimização e maximização dos resultados na perspectiva econômica – e não na quantidade de dividendos eventualmente distribuídos para o seu bolso.

Nesse contexto, uma coisa é certa: o crescimento é o principal fator de valorização de um negócio. E, muitas vezes, o desenvolvimento é penalizado em detrimento do lucro. Por isso, além de focar em resultado contábil mensal, é importante que o empreendedor tenha consciência do tamanho do seu mercado e com qual velocidade é possível crescer.

A elaboração do guidance, nesse sentido, pode ser uma forma interessante para medir a expectativa de crescimento e de gastos, e todas as variáveis importantes da sua empresa. Se a sua organização– assim como a minha – não é de capital aberto, a ferramenta pode servir como uma bússola para a gestão.

Por fim, vale ressaltar que as empresas que têm demonstrado mais sucesso no mercado estão, cada vez mais, preocupadas com a visão de longo prazo, entendendo que os resultados – e o próprio lucro – vêm como consequência de uma gestão cuidadosa, atenta e conectada com o mercado e com a realidade.

*Gostou do artigo do Roberto Oliveira? Saiba mais sobre finanças e mensuração de resultados assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

A pressão que não aparece no organograma: a carreira das mulheres exige mais remédios do que reconhecimento

Quando mulheres consomem a maior parte dos antidepressivos, analgésicos, sedativos e ansiolíticos dentro das empresas, não estamos falando de fragilidade – estamos falando de um modelo de liderança que normaliza exaustão como competência. Este artigo confronta a farsa da “supermulher” e questiona o preço real que elas pagam para sustentar ambientes que ainda insistem em chamá‑las de resilientes.

Morte: a próxima fronteira do bem-estar

Do SXSW 2026 à realidade brasileira: O luto deixa o silêncio e começa a ocupar o centro do cuidado humano. A morte entrou na agenda do bem-estar e desafia indivíduos, empresas e sociedades a reaprenderem a cuidar.

Os rumos da agenda de diversidade, equidade e inclusão nas empresas brasileiras em 2026

Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência – com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de março de 2026 13H00
Direto do SXSW 2026, enquanto o mundo celebra tendências e repete slogans sobre o futuro, este artigo faz o que quase ninguém faz por lá: questiona como a tecnologia está reconfigurando nossa mente - e por que seguimos aceitando respostas prontas para perguntas que ainda nem aprendemos a formular.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura
Marketing & growth
11 de março de 2026
Quando a audiência vira patrimônio e a imagem se torna negócio, a pergunta muda: quanto vale manter a autenticidade em meio a bilhões?

Igor Beltrão- Cofundador e Diretor Artístico da Viraliza Entretenimento

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
10 de março de 2026
Você entende a lógica da velocidade e urgência terem deixado de ser exceção e virado regra? Muitas vezes, isso é estimulado pelas próprias estruturas de gestão e pelos modelos de cobrança que vêm da alta liderança.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

5 minutos min de leitura
ESG, Estratégia
9 de março de 2026
Crescimento não recompensa discurso; recompensa previsibilidade. É por isso que governança virou mecanismo financeiro, não vitrine institucional

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
8 de março de 2026
Falta de diagnóstico, de planos de carreira, de feedbacks estruturados e programas individualizados comprometem a permanência dos profissionais mais estratégicos nas organizações brasileiras

Maria Paula Paschoaletti - Sócia da EXEC

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
7 de março de 2026
Por que sistemas parecem funcionar… até o cliente realmente precisar deles

Marta Ferreira - Cofundadora e presidente da Spread Portugal

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
6 de março de 2026 06H00
A maior feira de varejo do mundo confirmou: não faltam soluções digitais, falta maturidade humana para integrá‑las.

Michele Hacke - Palestrante TEDx, Professora de Liderança Multigeracional

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
5 de março de 2026
Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar - e pensar por conta própria

Bruna Lopes de Barros

2 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
4 de março de 2026 12h00
Com todos acessando as mesmas ferramentas para polir narrativas, o que os diferencia? Segundo pesquisa feita com gestores brasileiros, autoconhecimento, expressão e autoria

Patricia Gibin - Consultora e coach

19 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
4 de março de 2026 06H00
As agendas do ATD26 e SHRM26 deixam claro: o ano começou exigindo líderes capazes de decidir com IA, sustentar cultura e entregar performance em sistemas cada vez mais complexos. Liderança virou infraestrutura de execução - e está em ritmo acelerado.

Allessandra Canuto - Especialista em Inteligência Emocional e Saúde Mental

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...