Sustentabilidade
5 min de leitura

Mulheres no centro da decisão climática: um novo pacto entre equidade e futuro

O protagonismo feminino se consolidou no movimento com a Carta das Mulheres para a COP30
Luiza Helena Trajano é presidente do conselho de administração do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, e Fabiana Peroni, diretora de projetos e parcerias do Grupo Mulheres do Brasil.

Compartilhar:

A COP30, realizada em Belém, é um marco não apenas para o Brasil, mas para toda a agenda global do clima. Pela primeira vez, a Amazônia tornou-se o epicentro das discussões sobre o futuro do planeta, e foi simbólico ver as vozes femininas levantando-se para afirmar: não há justiça climática sem equidade de gênero.

As mudanças climáticas não afetam todas as pessoas da mesma forma. Mulheres e meninas, especialmente as negras, indígenas, quilombolas, periféricas e ribeirinhas, continuam entre as mais impactadas por desastres naturais e crises ambientais. E, paradoxalmente, ainda são minoria nos espaços onde se decidem os rumos do clima, da economia e do desenvolvimento sustentável.

Essa desigualdade é o que chamamos de injustiça climática de gênero, e é justamente ela que buscamos transformar. À frente do Grupo Mulheres do Brasil, reafirmamos nosso compromisso de colocar as mulheres no centro da decisão e da ação climática, reconhecendo que o cuidado, a inovação e a liderança feminina são forças fundamentais para uma transição ecológica justa, ética e duradoura.

Nosso protagonismo nessa discussão consolidou-se com a Carta das Mulheres para a COP30, um documento político e técnico construído de forma coletiva e suprapartidária. Reunimos lideranças de todo o país, entre gestoras públicas, ativistas, empresárias, organizações sociais e mulheres que vivem nos territórios, para apresentar propostas que tornassem o desenvolvimento sustentável mais inclusivo e participativo.

A Carta foi estruturada em sete eixos de ação, abrangendo desde a proteção dos biomas e saberes tradicionais até o financiamento climático com recorte de gênero, a criação de redes de mulheres pela justiça climática, a educação para a resiliência e a transparência na gestão dos dados ambientais. Essas diretrizes não foram apenas reivindicações. Foram estratégias concretas de futuro, mostrando que as mulheres não querem estar apenas na linha de frente do enfrentamento às crises, mas também na linha de comando das soluções.

Ao longo da COP30, fica ainda mais evidente que o setor empresarial tem um papel decisivo nesse movimento. A equidade de gênero e a sustentabilidade deixaram de ser temas periféricos: têm se mostrado essenciais à competitividade e à legitimidade das organizações.

As empresas que desejam ser parte da solução precisam alinhar suas estratégias de negócio a uma nova lógica de prosperidade, que conecta resultado econômico com impacto social e ambiental. Isso significa garantir a presença de mais mulheres nos conselhos, nas lideranças e nos espaços onde se definem políticas e investimentos. Quando as mulheres estão nesses lugares, as soluções são mais amplas, humanas e inovadoras. A diversidade não é apenas uma bandeira, é uma vantagem competitiva.

COP das Mulheres

Nesse contexto, a COP das Mulheres, em Belém, é um desdobramento natural dessa trajetória. Ao reunir lideranças femininas de todas as regiões do país e de diversas esferas de atuação, alinhando expectativas dos meios público e privado e estendendo os holofotes para as realizações e demandas das populações dos territórios, o evento sinalizou que há uma geração de mulheres prontas para redesenhar a forma como pensamos o clima, a economia e o desenvolvimento.

A COP chancela a certeza de que a transição ecológica só será justa se for também uma transição de poder, um movimento que reconheça a força e a contribuição das mulheres em todos os níveis da sociedade. Já temos em nossos territórios excelentes exemplos de mulheres que fazem girar a roda da economia inclusiva.

Em Belém mesmo, a potência feminina ribeirinha trilha caminhos de subsistência e economia sustentável em várias atividades, do extrativismo ao artesanato e em projetos significativos de bioeconomia de grande impacto, produtos de beleza, medicinais e tecidos ecológicos, entre outros. Na própria COP30 há um espaço colaborativo que dá visibilidade a muitos desses empreendimentos. Que essas iniciativas locais sejam inspiração para movimentos globais de equidade de gênero para a justiça climática.

Nosso desafio, a partir de agora, é dar continuidade ao legado da COP30: apoiar políticas públicas, fortalecer redes e inspirar o setor privado a agir com coragem e propósito. Cuidar do planeta é também cuidar das pessoas. E as mulheres, que há séculos sustentam a vida, estão prontas para sustentar também o futuro.

Saiba mais sobre o documento

Nos dias 7 e 8 de outubro último, Brasília assistiu ao evento “Bancada Feminina na COP30”, que reuniu parlamentares, gestoras publicas, lideranças da sociedade civil, organizações feministas e movimentos de base de todo o País para debater os pontos de vista femininos sobe a construção de economias e democracias sustentáveis, a defesa de biomas e a educação para a vida e para o futuro. Isso deu tração à Carta das Mulheres para a COP30, chamada de “COP das Mulheres”, elaborada de maneira colaborativa, suprapartidária e interseccional, reunindo contribuições de todas as regiões do Brasil sob a coordenação do Grupo Mulheres do Brasil.

A Carta lista propostas concretas para o enfrentamento da crise climática, organizadas em sete diferentes eixos:
1) biomas e territórios,
2) economia verde e inovação,
3) financiamento climático com perspectiva de gênero,
4) construção de redes femininas e participação plena nas decisões climáticas,
5) educação para resiliência climática e comunicação,
6) justiça climática e direitos humanos: agentes mulheres, paz e segurança, e
7) monitoramento, dados e transparência.

Você pode conferir a íntegra das propostas aqui.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que a indústria do fitness ensina sobre engajamento

Ao olhar para o fitness como laboratório de comportamento, este artigo revela por que engajamento real não nasce da atração inicial, mas da capacidade de transformar intenção em rotina por meio de conveniência, personalização e pertencimento.

Ataques inevitáveis, impacto controlável: a nova lógica da cibersegurança

A pergunta já não é mais “se” sua empresa será atacada – mas quão preparada ela está para responder quando isso acontecer. Este artigo mostra por que a cibersegurança deixou de ser um tema técnico para se tornar um pilar crítico de gestão de risco, continuidade operacional e confiança nos negócios.

Inovação & estratégia, Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de maio de 2026 08H00
Em vez de acelerar a inovação, o excesso de opções em inteligência artificial está paralisando líderes. Este artigo mostra por que a indecisão virou risco estratégico - e apresenta um caminho prático para escolher, implementar e capturar valor antes que seja tarde.

Osvaldo Aranha - Empresário, palestrante e mentor em Inteligência Artificial, Inovação e Futuro do Trabalho

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
6 de maio de 2026 15H00
Depois de organizar clientes, operações e dados, falta às empresas organizar a si mesmas. Este artigo apresenta o One Corporate Center como a próxima fronteira competitiva.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Liderança
6 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra que quando cinco gerações convivem nas empresas e nas famílias, a liderança deixa de ser apenas um papel corporativo e passa a exigir coerência, empatia e presença em todos os espaços da vida.

Ale Carreiro - Empresário, Fundador e Diretor Comercial da EBEC - Empresa Brasileira de Educação Corporativa

13 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de maio de 2026 14H00
Com crescimento acelerado na contratação internacional e um fluxo cada vez mais bidirecional de talentos, o Brasil deixa de ser apenas exportador de profissionais e passa a se consolidar como um hub global de inteligência artificial - conectado às principais redes de inovação do mundo.

Michelle Cascardo - Gerente de vendas para América Latina da Deel

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
5 de maio de 2026 08H00
Diversidade amplia repertório, mas também multiplica complexidade. Este artigo mostra por que equipes diversas só performam quando há uma arquitetura clara de decisão, comunicação e gestão de conflitos - e como a falta desse sistema transforma inclusão em ruído operacional e perda de velocidade competitiva.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
4 de maio de 2026 15H00
Ao comparar a indústria automotiva ao mercado de smartphones, este artigo revela como a perda de diferenciação técnica acelera a comoditização e expõe um desafio central: só marcas com forte valor simbólico conseguem sustentar margens na era dos “carros‑gadget”.

Rodrigo Cerveira - Sócio e CMO da Vórtx e co-fundador do Strategy Studio

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de maio de 2026 08H00
Quando a IA torna o conteúdo replicável, a influência só sobrevive onde há autenticidade, PI e governança. Este artigo discute por que o alcance virou commodity - e a narrativa, ativo estratégico.

Igor Beltrão -Diretor Artístico da Viraliza Entretenimento

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Gestão de Pessoas
3 de maio de 2026 12H00
Equipes não falham por falta de competência, mas por ausência de confiança. Este artigo explora como a vulnerabilidade consciente cria segurança psicológica, fortalece relações e eleva a performance.

Ivnes Lira Garrido - Educador, Mentor, Consultor Organizacional e Facilitador de Workshops

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de maio de 2026 08H00
Mais do que tecnologia, a inteligência artificial exige compreensão. Este artigo mostra por que a falta de letramento em IA já representa um risco estratégico para empresas que querem continuar relevantes.

Davi Almeida - Sócio da EloGroup, Rodrigo Martineli - Executive Advisor da EloGroup e Pedro Escobar - Gerente sênior da EloGroup

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
2 de maio de 2026 13H00
Relações de poder, saúde relacional e o design das conversas que as organizações precisam ter. Este artigo parte de uma provocação simples: e se o problema não estiver em quem fala, mas em quem detém o poder de ouvir?

Daniela Cais - TEDx Speake e Designer de Relações Profissionais

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão