Marketing & growth, Estratégia, Liderança
5 minutos min de leitura
Oferecido por:

O equilíbrio entre metas que desafiam e metas que bloqueiam o desempenho das equipes

Uma meta mal definida não impulsiona, trava. Este artigo revela como metas mal calibradas podem desconectar equipes e comprometer resultados, mostrando que o verdadeiro desafio da liderança está em equilibrar ambição e viabilidade para sustentar desempenho ao longo do tempo.
Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing, atua no desenvolvimento de líderes e de estratégias voltadas à alta performance comercial. Possui MBA em Marketing pela FIA-FEA/USP e formações executivas em renomadas universidades americanas como NYU, Columbia, Wharton e Northwestern. Com sólida carreira em multinacionais do setor MedTech, como Johnson & Johnson e LivaNova, alia sua trajetória corporativa a uma visão estratégica sobre diferenciação de mercado, inovação e criatividade nos negócios. Denise hoje orienta empresas e empreendedores por meio de consultorias, mentorias e palestras que conectam gestão, pessoas e resultados.

Compartilhar:

Quando um time fecha abaixo da meta de forma recorrente, a explicação mais comum costuma ser a falta de esforço. Mas, na prática, nem sempre o problema está na execução. Muitas vezes, ele começa na própria definição dos objetivos. Existe um momento em que a meta deixa de ser percebida como direção e passa a ser vista como algo fora de alcance. E ninguém avisa quando isso acontece.

O vendedor não pede reunião para dizer que parou de acreditar. Ele não manda mensagem, nem levanta a mão. Apenas ajusta, internamente, o que considera ser possível e começa a trabalhar dentro de um novo limite, menor do que o da empresa, menor do que o do líder e, muitas vezes, menor do que o dele mesmo há pouco tempo.

A partir daí, o time continua ativo, mas desconectado. Cumpre agenda, faz contato, segue o processo, mas não está, de fato, perseguindo a meta. Não é mais um problema de esforço, mas de percepção.

Isso não acontece por acaso. É resultado de uma meta mal calibrada. Quando o número parece distante demais da realidade, ele não impulsiona desempenho. Ele trava. Em vez de gerar movimento, faz o time reduzir o ritmo para algo que pareça possível.

Os reflexos desse processo aparecem de forma cada vez mais clara dentro das organizações. A terceira edição do estudo Engaja S/A, realizada pela Flash em parceria com a FGV EAESP, mostrou que apenas 39% dos trabalhadores brasileiros se consideram engajados em suas atividades, o menor índice desde o início da série histórica. O levantamento também revelou um impacto econômico significativo, no qual o desengajamento gera perdas estimadas em R$ 77 bilhões por ano para as empresas brasileiras, resultado da combinação entre turnover e presenteísmo.

Embora o estudo analise múltiplos fatores relacionados ao engajamento, seus resultados reforçam uma discussão importante para as lideranças, em que o desempenho sustentável depende da capacidade de manter as pessoas conectadas aos objetivos do negócio e confiantes de que seus esforços podem produzir resultados concretos.

Por outro lado, metas fáceis também não resolvem. Elas até entregam resultado no curto prazo, mas criam acomodação. O time bate o número sem precisar evoluir, sem testar novos caminhos e sem ampliar seu repertório. Quando o mercado exige mais, falta preparo para responder.

É por isso que definir metas não é apenas uma conta. Trata-se de uma decisão de liderança, que exige compreender o momento do mercado, o nível de maturidade da equipe e o quanto ela está pronta para ser desafiada sem se desconectar. Exige preparar as pessoas para sustentar esse desafio, tanto do ponto de vista técnico quanto emocional.

O mesmo estudo identificou um dado que merece atenção especial. O engajamento entre executivos caiu de 72% para 65% em apenas um ano, enquanto entre gerentes o índice passou de 54% para 49%. Esse movimento ajuda a ilustrar uma realidade pouco discutida, na qual a pressão excessiva por resultados não afeta apenas quem executa, mas também quem lidera. Quando a cobrança supera a capacidade de mobilização da equipe, o risco é criar um ambiente em que líderes e liderados passam a operar sob desgaste contínuo, comprometendo a qualidade das decisões, a motivação e a capacidade de gerar resultados consistentes.

Na prática, a construção de metas eficientes passa por alguns critérios básicos. É necessário considerar o histórico de desempenho da equipe, avaliar as condições reais do mercado, estabelecer marcos intermediários de evolução e acompanhar indicadores que permitam ajustes ao longo do ciclo. Mais do que definir um número, é preciso criar condições para que as pessoas consigam enxergar uma trajetória possível até ele.

Outro aspecto importante é compreender que metas não produzem resultados sozinhas. Elas funcionam como direcionadores, mas dependem da combinação entre estratégia, acompanhamento e confiança. Quando os profissionais entendem o propósito do objetivo, percebem que possuem recursos para alcançá-lo e recebem apoio ao longo da jornada, a tendência é o comprometimento aumentar. Quando isso não acontece, mesmo os melhores planejamentos correm o risco de se transformar em números sem significado para quem precisa executá-los.

A diferença entre metas que desafiam e metas que bloqueiam o desempenho das equipes não está apenas no número que foi definido, mas na maneira como ele é percebido por quem precisa entregar.

É nesse ponto que muitas lideranças erram. Cobram o resultado, mas não leem o que está produzindo esse resultado.

E essa leitura muda tudo, porque é ela que revela se o time está sendo desafiado na medida certa ou se já cruzou a linha do desinteresse, comprometendo sua capacidade de evoluir e conquistar resultados melhores.

Em vendas, existe uma diferença importante entre desconforto e desalento. O desconforto impulsiona o crescimento porque desafia a equipe a desenvolver novas habilidades, testar abordagens e ampliar sua capacidade de entrega. O desalento surge quando o objetivo deixa de parecer difícil e se mostra impossível. Nesse estágio, a energia que seria direcionada para a conquista passa a ser consumida pela tentativa de justificar o resultado que não virá.

Por isso, uma boa meta não é aquela que simplesmente parece agressiva em uma planilha. É aquela que consegue ampliar o potencial de uma equipe sem romper sua conexão com a possibilidade de sucesso. Liderar resultados é, antes de tudo, encontrar esse equilíbrio.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução