Comunidades: HR4T – HR For Tomorrow, Gestão de pessoas

RH do futuro: de business partner para business challenger

A evolução do papel do profissional de recursos humanos passa de parceiro para líder de negócio. Conheça as habilidades necessárias para ser um business challenger
Michele Martins é mulher, mãe de dois e líder de negócio que, por acaso, tem uma paixão incorrigível pela área de gente. Psicóloga e especialista em gestão de pessoas pela UFRGS, com quase 20 anos de experiência e passagens por empresas como Grupo RBS e NSC Comunicação, ThoughtWorks e ArcTouch. Líder por paixão e agilista de coração. Atualmente vice-presidente de gente e gestão da Neoway e co-fundadora da DisRHupt, uma jornada de desenvolvimento para profissionais de RH liderarem negócios.

Compartilhar:

Eu se eu te disser, que depois de se esforçar tanto para ser reconhecido como parceiro de negócio, isso não é mais suficiente?

Veja, é preciso admitir que a propagação do modelo do HRBP foi um avanço fenomenal para o RH, que saiu do bastidor, da área de apoio, e partiu para o front. No entanto, com o olhar inquieto de quem não acredita em nada que possa ser chamado de “pronto”, convido a nos despirmos das defesas e justificativas, e a examinarmos um pouco mais o termo parceiro de negócio.

Eu não sei para você, leitor ou leitora de __HSM Management__, mas para mim, há ainda um pequeno detalhe que me causa certo incômodo: parceiro de negócio não é negócio. Onde ouço parceiro, sinto uma distância, e uma sutileza que grita: eles são o negócio, você é só um parceiro.

Num mundo onde o recurso financeiro não é mais o gargalo para [crescimentos exponenciais](https://mitsloanreview.com.br/post/organizacoes-crescem-quando-buscam-o-intangivel), mas a disputa por talentos, sim, e nesse mesmo mundo em que as chaves da cultura e do engajamento são as maiores, se não as únicas, respostas do jogo da atração e retenção (a propósito, senhoras e senhores, palavra que não gosto, e à qual voltarei em outro artigo), não há mais espaço para um RH coadjuvante.

E é nesse contexto, que agora precisamos dar mais um passo na nossa evolução, de business partner, para business challenger – termo que aprendi com a Dani Martins, global finance lead, da ThoughtWorks.

__*From partnering with the business. To part of the business.*__

Este trocadilho (que infelizmente fica melhor em inglês do que em português) traz em si alguns contrapontos cirúrgicos, alguns que já abordei no [meu primeiro artigo](https://www.revistahsm.com.br/post/voce-ainda-se-refere-ao-seu-rh-como-rh-estrategico) aqui na comunidade. Vamos a eles:

– De parceiro, para líder de negócio.
– De especialista em RH, para “um líder que lê os problemas do negócio e entrega soluções com sua expertise em pessoas”.
– De criador de programas, para criador de valor. Entrega aquilo que habilita o negócio a atingir suas metas, a crescer e a mudar, na velocidade e direção necessárias.

Entretanto o business challenger vai ainda mais além e propõe características bem peculiares, não contraditórias ao business partner, mas que são adições apimentadas, eu diria.

## A evolução do papel do profissional de RH

Se o business partner se dedica a desenvolver relacionamentos, o business challenger usa essa base forte para oferecer diferentes perspectivas. Em outras palavras, certo de que já construiu bons vínculos, ele não se contenta em apoiar e reforçar a narrativa dos demais líderes, e não se furta a discordar, ou jogar a discussão numa direção inesperada, impactante, até.

Se o business partner é acessível ao seu cliente e é generoso em oferecer ajuda, para além disso o business challenger questiona o status quo. Então, ele não termina seu trabalho quando atende ao que lhe demandam e executa com excelência, ele vai também propor novas abordagens e soluções, porque ele entende e domina os assuntos do negócio.

Se o business partner foca em resolver tensões, o business challenger também se dedica a fazer perguntas que desacomodam. Forte e muito bem embasado, o business challenger não precisa ser a pessoa que sempre tem as respostas e que tem um repertório amplo de afirmações, mas acredita que uma boa pergunta – sagaz, implacável – reverbera, aprofunda, impacta.

Para os desavisados, pode parecer simples, mas não é bem assim. Tudo isso só será possível se fundamentarmos a nossa atuação em três pontos, que eu e minha sócia na DisRHupt, Ana Carolina Rezende, batizamos de “tripé do RH DisRHupt”:

– Conhecimento de negócio – para ser líder, não parceiro
– Conhecimento de RH – a base forte da nossa expertise
– Posicionamento – o grande “X” da questão

Sobre os dois primeiros não preciso falar mais, não é mesmo? Mas quero me deter ainda um pouco mais no último item. Posicionamento é ocupar o seu lugar no mundo. E, para ser um bom business challenger, em bom português, convenhamos, a gente precisa poder se bancar.

## Posicionamento: uma habilidade essencial ao profissional de RH

Posicionamento é desenvolvido com boas doses de autoconhecimento, de autoestima e de presença executiva, conceito absorvido do lindo livro Liderança Shakti, de Nilima Bhat e Raj Sisodia.

Segundo Nilima e Raj, “pessoas com forte presença executiva tem carisma ou magnetismo e podem influenciar os outros fortemente. Eles falam com clareza e energia, tem uma linguagem corporal forte e boa postura.”

Eu ficaria muito confortável em usar esta mesma definição para descrever um business challenger. Uma posição (na verdade, é bom pontuar, mais um mindset do que um cargo) que muitas vezes não virá acompanhada de hierarquia, e que, acima de tudo, precisa ter um forte poder de influência.

Um business challenger é um líder, afinal. Seja exercendo liderança formal ou informal, ele precisa entregar resultados, no entanto, sem se responsabilizar sozinho pela entrega, mas mobilizando pessoas na direção do objetivo.

Os autores também contam no livro, que “nós cultivamos a *presença* para entrar em contato com nossa plenitude e para perceber que tudo que precisamos está dentro de nós o tempo todo, e sempre esteve. Quando entendemos isso, vem um sentimento de serenidade e confiança.”

E, assim, você enxerga como fechamos o círculo virtuoso que inclui na conta o autoconhecimento e a autoestima?

Autoconhecimento é sobre ser um [lifelong learner](https://www.revistahsm.com.br/post/para-ser-o-profissional-do-futuro-hoje) de si mesmo. Se somos a nossa própria ferramenta de trabalho, precisamos nos dedicar a conhecê-la. Autoestima, por sua vez, é a reputação que temos de nós mesmos. Ela é também o espelho da nossa consciência, e quando somos gentis conosco e desenvolvemos apreço por quem somos, é que entendemos que tudo o que precisamos está dentro de nós.

Logo, posicionamento é a plenitude de saber quem somos e a confiança de enunciar como queremos ser percebidos. Posicionamento é o que sustenta a manifestação do nosso saber para que possamos colocá-lo a serviço das pessoas e do negócio.

Um bom business challenger sabe bem do que estamos falando.

*Gostou do artigo da Michele Martins? Saiba mais sobre gestão de pessoas e estratégias de recursos humanos navegando pela [comunidade HR4T](https://www.revistahsm.com.br/comunidade/hr4t-hr-for-tomorrow) e ouvindo a trilha de conteúdos RH Tech Trends, disponível em nossa página de [podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts).*

Compartilhar:

Artigos relacionados

A Reforma Tributária já não é um tema fiscal. É um tema de supply chain.

O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Futebol feminino: O que mulheres aprendem quando têm espaço para competir?

A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Tecnologia se compra. Liderança se constrói.

O artigo discute por que sucessão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional deixaram de ser temas de RH para ocupar o centro das decisões estratégicas e da competitividade empresarial.

Liderança, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de setembro de 2026 14H00
Muitas organizações possuem metas claras, planejamento estruturado e prioridades bem definidas, mas continuam enfrentando dificuldades para transformar estratégia em resultado. O problema raramente está na falta de entendimento. Está na capacidade de mobilizar pessoas, construir segurança psicológica e criar uma cultura em que colaboradores se sintam parte da solução, e não apenas destinatários das decisões.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Geopolítica
20 de setembro de 2026 08H00
A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos - energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva - que pode transformar sua posição internacional.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de setembro de 2026 08H00
Profissionais de alto impacto já conseguem pesquisar, analisar, testar hipóteses e executar entregas com um nível de autonomia impensável há poucos anos. O problema é que muitas organizações ainda operam com estruturas, processos e planos de carreira desenhados para limitar exatamente esse potencial.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

8 minutos min de leitura
Liderança
18 de setembro de 2026 14H00
A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

3 minutos min de leitura
Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução