Liderança
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O mito da prioridade “pra ontem” (e como não enlouquecer sua equipe)

A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.
Rubens Pimentel é CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e já treinou mais de 32 mil executivos e profissionais.

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Se você almeja liderar pessoas no mercado atual, precisa encarar uma verdade matemática básica e dispensável de qualquer estudo científico refinado: o dia tem exatamente 24 horas. Salvo raras exceções biológicas, nós dormimos em algumas delas.

Parece óbvio, certo? Mas basta olhar para o cotidiano corporativo para perceber que limites operacionais são tratados como meros “detalhes opcionais”.

A capacidade de produção de qualquer indivíduo ou time tem teto. Ultrapassá-lo de forma pontual em um sprint crítico faz parte do jogo; transformá-lo em modelo de gestão é a receita ideal para despencar a produtividade, multiplicar licenças médicas e dinamitar o employer branding da sua organização.

Na prática, a física dos negócios é implacável: aumentou a velocidade e o volume sem critério? A qualidade cai. Quer excelência? Exige tempo e foco. Ponto final.

O papel essencial do líder: Escolher o que não fazer

Uma empresa só pode ser chamada de “organização” se souber organizar suas entregas com base em duas coisas: prioridades reais e capacidade de agenda. E esse bode, com o perdão do termo executivo cai invariavelmente no colo de quem lidera.

Liderar não é dizer “sim” para tudo o que vem de cima e repassar a pressão para baixo. Liderar é ter a maturidade gerencial de:

  • Renunciar ao “projeto bacana” que consome energia, mas entrega pouco resultado ou rentabilidade.
  • Garantir a execução das tarefas burocráticas e chatas, mas indispensáveis para o ponteiro girar.
  • Proteger a agenda do time de mudanças bruscas de rumo a cada reunião de alinhamento.


Quando tudo vira prioridade, nada é prioridade. O famoso mantra do “isto é pra ontem” não reflete agilidade ou compromisso; reflete apenas a falta de repertório e planejamento de quem comanda.

A conta sempre chega

O movimento de debandada de talentos e a resistência dos mais jovens ao modelo tradicional de trabalho não acontecem por acaso. São reflexos diretos de horas extras crônicas, metas flutuantes e da glorificação do incansável, um orgulho torto de quem confunde correria com eficiência.

Se a sua estratégia de gestão depende de esgotar pessoas para bater metas, você não está liderando; está apenas gerando turnover e adoecimento.

Para quem está se preparando para assumir posições de comando, fica o convite à reflexão: que tipo de ambiente você pretende construir? Porque, no ritmo em que as coisas vão, se não evoluirmos rápido na capacidade de gerir com inteligência humana, a inteligência artificial vai acabar substituindo a burrice natural.

Pense nisso com carinho.

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Rubens Pimentel é CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e já treinou mais de 32 mil executivos e profissionais.

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