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O sonho das entregas em 30 segundos

E com baixa emissão de gases de efeito estufa, ainda por cima. Essa é a proposta da Pipedream Labs, startup americana que quer viabilizar, ainda na década de 2020, a hiperlogística
Vanessa Bates Ramirez é editora sênior do Singularity Hub, acompanha temas como biotecnologia e engenharia genética, a transição para a energia renovável e os papéis que a tecnologia e a ciência desempenham na geopolítica e no desenvolvimento internacional, entre outros.

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Há algum tempo que a Boring Company, de Elon Musk, vem tentando construir túneis subterrâneos para o transporte em hyperloop – supostamente terminou de escavar os túneis sob o centro de convenções de Las Vegas em 2020. A empresa também ganhou um contrato para construir um sistema de trânsito de alta velocidade entre o aeroporto O’Hare de Chicago e o centro da cidade, distantes cerca de 25 quilômetros. Tal viagem, em tese, levaria 12 minutos em velocidades de até 241 quilômetros por hora.

Agora, uma startup sediada em Austin quer fazer a mesma coisa, porém transportando pacotes no lugar de pessoas. O objetivo do Pipedream Labs é viabilizar, nesta década, o que chama de “hiperlogística”, possibilitando a entrega de pacotes em 30 segundos.

A ideia é utilizar uma rede de tubos subterrâneos para levar os pacotes de um hub centralizado para os bairros. De lá, ou os motoristas fazem a retirada para entregar na última milha, ou os clientes podem pegar as encomendas diretamente no local.

## Evolução da demanda
A parcela de produtos comprados online em comparação com as lojas físicas está aumentando. A pandemia obviamente distorceu a balança drasticamente, mas as pessoas parecem ter ficado bastante à vontade evitando o incômodo de percorrer os corredores das lojas com uma lista de compras, seja para adquirir mantimentos, utensílios domésticos, sapatos, roupas ou praticamente qualquer coisa que o dinheiro possa comprar.

Porém levar essa grande quantidade de pacotes do ponto A para o ponto B todos os dias não é bom nem para o meio ambiente, nem para o trânsito. Um grupo de empresas está investindo na entrega por drones – incluindo o Walmart, que recentemente anunciou uma expansão de seu programa de “drone delivery” –, mas na opinião do cofundador e CTO da Pipedream Labs, Drew Bellcock, não será suficiente.

“Os drones não podem ser a principal infraestrutura de entrega. Se você pensar no volume de coisas que está sendo movimentado, o céu estaria literalmente coberto pelos equipamentos”, disse ele em entrevista no ano passado. “Além disso, se gasta 25 vezes mais energia para enviar algo usando um quadricóptero do que enviá-lo por um pequeno robô no solo. Uma vez que se entende isso, você percebe que, obviamente, as coisas precisam se mover por transporte terrestre.”

As cápsulas de carga (ou pods) que a Pipedream projetou têm pouco mais de 45 centímetros de comprimento por cerca de 27,5 centímetros de diâmetro, o que – de acordo com o site da empresa – é grande o suficiente para transportar 95% dos pacotes destinados à entrega em domicílio. Os pods se moveriam a velocidades de até 120 quilômetros por hora, cada um funcionando com baterias recarregáveis e divididos em duas seções: uma de acionamento e uma de carga, como um caminhão e um trailer.

Os pods viajariam para terminais estrategicamente localizados para maximizar o número de clientes em um raio de 400 metros, não muito diferente do serviço Locker da Amazon. O objetivo da Pipedream seria reduzir o custo das entregas intradistritais para apenas 75 centavos de dólar. As cápsulas viajariam através de tubos de PVC – que é cloreto de polivinila, um polímero usado para fazer tubos para abastecimento de água, aquecimento e resfriamento, eletricidade e telecomunicações –, e a empresa planeja autofinanciar a instalação de infraestrutura-piloto usando empréstimos bancários convencionais. Eles levantaram US$ 1,5 milhão em financiamento pré-seed em outubro de 2021.

Bellcock vê a entrega de pacotes se tornando tão ubíqua e em tal volume que passará a ser um utilitário. À medida que nossos estilos de vida continuam a evoluir em torno de tecnologias de conveniência e obter as coisas que queremos com o clique de um mouse (para melhor e para pior), parece que as expectativas e demandas do consumidor em torno da facilidade e do custo de recebimento de mercadorias só vão crescer.

“Eu uso a Amazon quase diariamente, provavelmente recebo um pacote cinco dias por semana, e isso só vai ficar mais difundido no futuro”, disse Bellcock. “Então, se você pensa nas entregas como uma concessionária, ela deve ser subterrânea com todas as outras concessionárias, em seu próprio canal dedicado.” Imagino que Bellcock esteja entre os poucos usuários top da Amazon em volume – cinco pacotes por semana parece muito –, mas sua suposição de que mais consumidores seguirão o exemplo provavelmente está correta.

SEJA DAQUI A DOIS ANOS, DAQUI A DEZ ANOS OU DAQUI A 20 ANOS, precisaremos de uma maneira melhor de fazer entregas às pessoas do que ter vans percorrendo as cidades dia e noite. Talvez sejam drones, ou pequenos robôs terrestres autônomos, ou uma solução que ninguém pensou ainda. Ou talvez a visão da Pipedream de uma rede subterrânea super-rápida de hiperlogística não seja apenas um sonho impossível.

*© Singularity Hub
Editado com autorização da Singularity University. Todos os direitos reservados.*

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