Lifelong learning
5 minutos min de leitura

O trabalho é da empresa, a carreira é sua

O desenvolvimento profissional não acontece por acaso, mas resulta de aprendizado contínuo e da busca intencional por competências que ampliam seu potencial
Profissional com mais de 20 anos de experiência na área de Dados, com foco em Inteligência Artificial e Machine Learning desde 2013. É mestre e doutorando em Inteligência Artificial pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ao longo da carreira, passou por grandes empresas como Microsoft, Deloitte, Bayer e Itaú. Neste último, liderou a estratégia de migração da plataforma de IA para a nuvem, entregando uma solução de desenvolvimento de IA fim a fim para todo o banco.

Compartilhar:

O mercado de trabalho está se movendo em um ritmo que dificilmente acompanha nossa capacidade de adaptação. Funções surgem e desaparecem, tecnologias se tornam obsoletas em questão de meses e as empresas reconfiguram prioridades de acordo com demandas que mudam quase tão rápido quanto o próprio mundo.

Nesse cenário, é natural que profissionais sintam incerteza, não por falta de talento, mas porque o ambiente ao redor se transforma antes mesmo de estabilizar. O emprego, com isso, deixou de ser um ponto fixo. Ele funciona mais como uma estação de passagem, ajustada às necessidades momentâneas da organização e da pessoa. E é justamente por isso que uma distinção fundamental precisa ganhar força: o trabalho é da empresa; a carreira, sua.

O trabalho representa o papel que você ocupa hoje, dentro de uma estrutura que não controla. A carreira, por outro lado, é a soma das habilidades que desenvolve, das escolhas que faz e da capacidade de se manter relevante mesmo quando o mercado muda. Ela não pertence a nenhum CNPJ, pertence a um CPF, o seu.

Quando entendemos isso, a capacitação contínua deixa de ser um diferencial e se torna uma estratégia de sobrevivência profissional. Não se trata apenas de acompanhar tendências, mas de garantir que sua trajetória avance independentemente da velocidade com que as empresas reorganizam seus planos. O emprego é temporário. A carreira é um patrimônio. E quanto mais o mundo acelera, mais claro fica que ninguém pode construir esse patrimônio no seu lugar.

De acordo com o Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, 59% dos trabalhadores terão de se requalificar ou desenvolver novas competências até 2030. O documento também indica que, até o final da década, 40% das habilidades exigidas atualmente devem ser substituídas por outras.

O avanço das tecnologias, especialmente da inteligência artificial (IA) e da automação, é um dos principais motores dessa necessidade de adaptação. Segundo o relatório, cerca de 170 milhões de novos cargos devem surgir até 2030, enquanto aproximadamente 92 milhões deixarão de existir, o que representa um crescimento líquido estimado em 78 milhões de oportunidades de trabalho.

O poder da capacitação contínua

A capacitação contínua não exige virar estudante em tempo integral. Requer organização e criatividade. Pense no seu dia a dia corporativo: você pode tirar do expediente algum tempo para estudar um tópico novo, como reservar 30 minutos diários para ler um artigo técnico ou acompanhar um tutorial em vídeo.

Em vez de consumir redes sociais no intervalo, priorize um podcast do seu setor ou participe de webinars. Uso estratégico do tempo também envolve negociações: na medida do possível, combine com sua liderança a alocação de horas semanais para treinamentos (algumas empresas adotam até o conceito de “horas próprias” em projetos de melhoria, inspirado na “regra dos 20%” do Google).

Em tecnologia, por exemplo, linguagens e frameworks mudam ano a ano; nas rotinas de negócios, novas metodologias e ferramentas são adotadas com frequência. Quem descansa em cima de certificados antigos corre o risco de ficar obsoleto. Por outro lado, quem investe em aprender constantemente ganha protagonismo.

Também vale dizer que seria ingenuidade pensar em estudar 100% do tempo e abdicar de lazer e diversão, não é esse o propósito aqui. O ponto é dosar de forma estratégica o investimento pessoal na sua carreira e o tempo de lazer e prazer, independente de como você o faça


Ferramentas e visão de longo prazo

Além da disciplina pessoal, aproveite o que o digital oferece. Cursos rápidos, certificações, plataformas educacionais e mentorias online podem integrar sua rotina. No trabalho, use programas de capacitação disponíveis e estabeleça metas simples, como concluir um módulo por semana ou mês. A chave é a constância: pequenos aprendizados frequentes acumulam grandes transformações.

Com essa base, desenvolva uma visão de longo prazo. Defina onde quer estar em 2, 5 ou 10 anos e quais habilidades serão necessárias. Esse planejamento orienta suas escolhas de hoje. Se deseja liderar projetos internacionais, foque em idiomas e comunicação intercultural. Se busca uma área técnica, comece pelos fundamentos e avance para aplicações práticas.

Tenha em mente que os resultados nem sempre são imediatos. Aprender continuamente é um investimento na sua empregabilidade. O retorno aparece a médio prazo, quando você se torna justamente o profissional que as empresas procuram diante de novas demandas.

Saiba, também, que não é saudável procurar “ganhar por atalhos”. O aprendizado é uma atividade que leva tempo. Curta a jornada e procure aprender com prazer.

Escolher assuntos que queremos ou gostamos é um facilitador para quebrar essa barreira e tornar o processo agradável.

Tudo isso converge para um ponto: você é responsável pela sua própria carreira. Nenhuma empresa consegue antecipar todas as competências que você precisará. Cabe a você definir metas, pedir feedback, sair da zona de conforto e ajustar sua rotina para incluir o estudo.

E, se a cultura corporativa não incentiva, transforme isso em desafio pessoal. Participe de projetos, construa um portfólio, desenvolva iniciativas paralelas. Não espere que alguém impulsione seu crescimento. Dê o primeiro passo, abra o curso adiado, leia o artigo técnico, converse com alguém mais experiente. No fim, não é o cargo que garante sua trajetória, mas o conhecimento que você acumula.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Marketing & growth
15 de janeiro de 2026
A jornada de venda B2B deve incluir geração de demanda inteligente, excelência no processo de discovery e investimento em sucesso do cliente.

Rafael Silva - Head de parcerias e alianças da Lecom

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
14 de janeiro de 2026
Cumprir cotas não é inclusão: a nova pesquisa "Radar da Inclusão" revela barreiras invisíveis que bloqueiam carreiras e expõe a urgência de transformar diversidade em acessibilidade, protagonismo e segurança psicológica.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional
13 de janeiro de 2026
Remuneração variável não é um benefício extra: é um contrato psicológico que define confiança, engajamento e cultura. Quando mal estruturada, custa caro - e não apenas no caixa

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
12 de janeiro de 2026
Empresas que tratam sucessão como evento, e não como processo, vivem em campanha eleitoral permanente: discursos inflados, pouca estrutura e dependência de salvadores. Em 2026, sua organização vai escolher maturidade ou improviso?

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
9 de janeiro de 2026
Alta performance contínua é uma ilusão corporativa que custa caro: transforma excelência em exaustão e engajamento em sobrecarga. Está na hora de parar de romantizar quem nunca para.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de janeiro de 2026
Diversidade não é jogo de aparências nem disputa por cargos. Empresas que transformam discurso em prática - com inclusão real e estruturas consistentes - não apenas crescem mais, crescem melhor

Giovanna Gregori Pinto - Executiva de RH e fundadora da People Leap

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de janeiro de 2026
E se o maior risco estratégico para 2026 não for uma decisão errada - mas uma boa decisão tomada com base em uma visão de mundo desatualizada?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

8 minutos min de leitura
Estratégia, ESG
6 de janeiro de 2025
Com a reforma tributária e um cenário econômico mais rigoroso, 2026 será um divisor de águas para PMEs: decisões de preço deixam de ser operacionais e passam a definir a sobrevivência do negócio.

Alexandre Costa - Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
5 de janeiro de 2026
Inovar não é sinônimo de começar do zero. A lente da exaptação revela como ideias e recursos existentes podem ser reaproveitados para gerar soluções transformadoras - da biologia às organizações contemporâneas.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de janeiro de 2026
Em 2026, não será a IA nem a velocidade que definirão as empresas líderes - será a inteligência coletiva. Marcas que ignorarem o poder das comunidades femininas e colaborativas ficarão para trás em um mundo que exige empatia, propósito e inovação humanizada

Ana Fontes - Fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME. Vice-Presidente do Conselho do Pacto Global da ONU Brasil e Membro do Conselho da Presidência da República - CDESS.

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança