Gestão de Pessoas
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Pessoas são uma grande força motriz para inovação corporativa: fato ou fake?

Entenda como desenvolver inovação nas pessoas e compreender como o 'lado invisível da inovação' passa a ser clarificado quando feito da maneira certa.
Diretora de Operações da Troposlab.

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Em relação à pergunta do título, sempre esperamos que seja um fato. Mas essa é uma situação em que, se não houver estratégias efetivas de desenvolvimento humano dentro do processo, haverá um risco real de que isso se torne uma grande fake.

Para se falar de inovação corporativa, primeiro precisamos conversar sobre processos de mudanças culturais e, muito provavelmente, acerca de processos de educação empreendedora.

A seguir, compartilhamos como desenvolvemos e validamos um método comportamental para 1) desenvolver pessoas para inovar e 2) fazer com elas se tornem a grande força motriz de uma corporação.

# Por onde a inovação começa?

Nos mais de dez anos apoiando empresas no processo de mudança para uma cultura digital e inovadora, identificamos muitos aspectos que são determinantes para estabelecer __práticas que levem a inovações efetivas__ (métodos, recursos, riscos, análises). E falamos em práticas porque a inovação não deve ser encarada como apenas um projeto promissor ou como uma proposta de solução tecnológica, mas sim como o meio: __o caminho que se usa__ para chegar aos resultados não alcançáveis pelos caminhos convencionais. A primeira condição que se impõe nesse caminho é o fato de que sem que __as pessoas__ estejam __realmente preparadas__ para fazer esse novo trabalho, não se obtém os __novos resultados__.

O entendimento de que a inovação é uma resposta para garantir sobrevivência ocorreu há bastante tempo, e não precisamos mais explicar porque isso é um fato. Mas a compreensão de que é necessário preparar as pessoas para inovar parece não ter se dado naturalmente. A seguir, os momentos que já presenciamos.

__1. Importação de competências:__ primeiro tentava-se atrair as pessoas que já tivessem alguma experiência em inovar e esperava-se que elas fossem capazes de promover uma cultura de inovação. Elas traziam novos dialetos, promoviam algumas ações e, por um tempo, pareciam realmente disseminar certas práticas. Contudo, as ações localizadas não repercutiram os efeitos esperados no decorrer do tempo.

__2. Squads de inovação:__ as empresas começaram a acreditar que seria necessário mais pessoas com a tal experiência em inovar e aumentaram seus squads. E começaram a aparecer as áreas de inovação. Nesse sentido, alguma inovação foi realizada. Mas, ainda assim, muito restrita em razão da quantidade de pessoas e de mão de obra qualificada para dar suporte e atender a muitas iniciativas. Essa etapa deixava a inovação limitada e pouco acessível. Novamente, a estratégia fracassou e não atingiu os resultados almejados.

__3. Cultura de inovação:__ atualmente, construímos a crença em culturas inovadoras. O que isso quer dizer na prática? Que a inovação não será encarada como uma iniciativa ou um projeto, mas tal como o DNA daquela organização. Ou seja, não há área ou nível hierárquico que não precise entender o que é inovação. Ou, ainda, em que é dispensável o desenvolvimento comportamental para ser um inovador. E isso é tão importante quanto ter conhecimento profundo dos valores da empresa ou do que se trata o negócio. Está no manual de boas práticas de todos os colaboradores daquele ecossistema organizacional.

Nessa terceira etapa, vê-se algumas empresas compreendendo por que não é viável nem a importação das competências nem mesmo os squads de inovação. E aqui entra a parte mais importante desse discurso: como eu passo de uma cultura tradicional para uma cultura inovadora?

# Transforme as pessoas em “pessoas empreendedoras”
Antes de mais nada, vale a pena enfatizar que jamais haverá riscos em oferecer às pessoas todas as condições para que elas se tornem empreendedoras. Não haverá riscos no sentido do investimento necessário para que isso ocorra. E não haverá risco no que se refere às mudanças comportamentais que isso desencadeará. Isso porque as pessoas empreendedoras tendem a ser motivadas, criativas e muito realizadoras. Do contrário, nem poderiam ser encaradas como pessoas empreendedoras.

Ser empreendedor é apresentar um __repertório de habilidades comportamentais__ desenvolvido e frequentemente utilizado, além de ter muito conhecimento sobre o que é inovação e quais são os melhores métodos para realizá-la. Além disso, para se ter uma cultura de inovação é necessário que todas as pessoas sejam o mais empreendedoras que puderem. Não haverá inovação sistêmica sem que todas as pessoas envolvidas (por quaisquer processos da organização) saibam o que está ocorrendo para que a inovação deixe de ser apenas uma promessa.

Sabendo que esse é um processo complicado, ao longo da última década, a Tropos desenvolveu pesquisas científicas pioneiras para descrever como é possível transformar todas as pessoas de uma organização em pessoas mais empreendedoras. Após identificar mais de 7.000 inputs comportamentais, desenvolvemos o nosso __Método de Aceleração Comportamental__ e o validamos a partir de um estudo científico quase-experimental dentro de um programa de empreendedorismo corporativo.

Nesse estudo, validamos que o método desenvolveu o comportamento empreendedor nas pessoas participantes e que isso ocorreu numa velocidade quatro vezes maior do que em outros programas de desenvolvimento corporativo. Ao final do programa experimental, as pessoas apresentaram intenção e confiança para inovar em outros projetos e outras áreas. Isto é, criou-se base consistente sustenta uma profunda mudança organizacional.

# Lado invisível da inovação: como ele altera os resultados?

As pessoas são o ‘lado invisível da inovação’. Afinal, os programas raramente consideram o comportamento como uma variável a ser desenvolvida, medida e gerida. Contudo, a inovação (e todas dela decorrentes) é dependente do comportamento das pessoas para que ocorra. E isso é óbvio, não é mesmo? Mas por que isso não está refletido e sistematizado dentro de ações de inovação como estão os KPIs relacionados aos negócios inovadores?
Uma forte hipótese é a crença de que o comportamento humano é complexo e que ocorre mesmo sem que isso seja sistematicamente programado. Aqui há uma verdade (comportamento é complexo). Mas também há uma meia verdade (pode ocorrer sem que tenha sido programado). E é essa meia verdade que altera todos os resultados possíveis relacionados ao que uma organização chama de cultura de inovação.

Em nossos programadas – aplicando o método comportamental – desenvolvemos intervenções educativas sincronizadas aos processos de desenvolvimento de negócios. Buscamos fazer a mudança comportamental de maneira programada. Por meio das práticas em que controlamos as variáveis que alteram a forma de se comportar das pessoas e fazem com que elas adquiram repertórios que aumentarão as chances da inovação ocorrer.

Eles estão a seguir.

__Significados de empreendedorismo e inovação:__ todas as pessoas precisam ressignificar – empreender e inovar é possível para quem deseja.
Identificar a motivação: todas as pessoas podem encontrar motivos reais e genuínos para empreender. No começo, isso geralmente está ligado a algum problema específico. Mas, na sequência, a motivação se relaciona ao “realizar”. Seja qual for o projeto.

__Aquisição de repertório:__ durante a experiência real de transformar uma ideia em inovação, as pessoas precisam desenvolver ou sofisticar habilidades específicas ( coragem para riscos, planejamento, criatividade, liderança) e tornar esse processo consciente.

__Ampliar a aplicação:__ depois de mudar a forma de pensar e adquirir novos repertórios comportamentais, é hora de replicar isso sucessivamente. E é importante compreender que o aprendizado do primeiro processo deve ser usado em todos os outros contextos possíveis (inclusive para extrapolar os limites da organização).

Se todos esses aspectos forem geridos sistematicamente durante o processo de mudança de cultura, ao final, as novas práticas culturais inovadoras ocuparão os espaços e substituirão as práticas convencionais. As pessoas não conseguirão ver outra forma melhor de trabalhar do que aquela proporcionada pelo empreendedorismo.

Entretanto, se esse processo não ocorrer efetivamente, o ‘lado invisível da inovação’ fará com que os resultados se tornem cada vez mais distantes. Quer começar a transformação cultural em sua empresa? Então, primeiro, entenda qual será sua força motriz!

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