Gestão de pessoas, Dossiê: Experiência do Colaborador

Por que as empresas devem adotar a demissão humanizada

Prática traz benefícios que incluem atração de novos talentos, baixo risco de processo trabalhista e melhora do clima organizacional
Colaboradora de HSM Management

Compartilhar:

Nenhuma demissão é fácil. Nem o funcionário, nem a empresa gostam de passar por esse momento. No entanto, o processo sempre pode ser pior quando os líderes não agem com empatia e interesse genuíno. Após a notícia, do outro lado da mesa, geralmente haverá alguém inseguro e preocupado quanto ao futuro, às finanças, ao próprio desempenho ou à recolocação no mercado. Muitos colocam a carreira no centro da vida e o desligamento pode gerar um [sentimento de rejeição]. A demissão é o tipo de coisa que pode abalar a saúde física e [mental](https://www.revistahsm.com.br/dossie/saude-mental-nas-empresas).

A discussão em torno dos cuidados na hora de demitir surgiu especialmente depois da pandemia. Com a larga virtualização do trabalho e a crise econômica, muitas demissões ocorreram de forma remota. O problema, no entanto, foi o jeito como parte desses desligamentos ocorreram.

O LinkedIn, por exemplo, está coalhado de relatos sobre demissões malconduzidas – feitas por mensagem de texto, áudio de WhatsApp ou por vídeo de maneira rápida e impessoal, mesmo quando envolve alguém com décadas de casa. Recentemente, em um caso que correu o mundo, o CEO de uma empresa americana de empréstimos hipotecários demitiu 900 colaboradores por meio de uma grande reunião no Zoom. Pegou muito mal.

“As empresas não economizam esforços e recursos para melhorar o processo de seleção e contratação de funcionários, mas a dispensa de empregados sempre foi protocolar, apenas seguindo as exigências previstas em lei”, lamenta a advogada Maristela Trevisan, sócia da Calábria & Villa Gonzalez Advogados Associados. “Mesmo constituindo um processo legal, o desligamento deve ter aspectos mais humanizados.”

Pensando nisso, um número crescente de empresas busca qualificação dos líderes para que saibam demitir. As consultorias Produtive e Career Group, especializadas em outplacement, registraram um aumento de 30% nas demandas relacionadas à preparação de líderes para desligamento e programas de apoio para recolocação e transição de carreira nos dois últimos anos.

## Boas práticas
A seguir, algumas orientações sobre como fechar um ciclo com seu funcionário com mais atenção e empatia:

__Prepare-se para a conversa -__ Escolha um local adequado para dar início ao processo de desligamento. Planeje um momento em que você (gestor de RH ou líder de time) tenha tempo para conversar com o funcionário. É possível montar um roteiro com aquilo que você pretende abordar na entrevista. Esteja preparado para possíveis questionamentos e críticas do colaborador.

__Transparência__ – Seja sincero na hora de demitir. Aponte as razões do desligamento de maneira clara, concisa e gentil, mesmo que os motivos sejam delicados. “Não adianta falar também que a pessoa é excelente, uma ótima profissional, que em breve vai encontrar outra oportunidade. Se ela é tão boa assim, por que a relação deixou de ser infinita? Um discurso como esse, na última hora, é uma falsa ideia de humanização”, diz o psicólogo e executivo [Adriano Lima](https://www.revistahsm.com.br/colunistas/adriano-lima—na-sala-do-ceo), coach executivo de CEOs e colunista da __HSM Management__.

__Escuta ativa__ – Tão importante quanto falar é escutar. Receba a informação sem pré-julgamentos, reflita e aja sobre o que foi dito. Em diversas situações cotidianas, em vez de ouvir o que o outro está dizendo, muitos têm a péssima mania de querer falar ou se justificar. Isso quando já não interrompemos a fala do interlocutor. Não seja essa pessoa, especialmente numa entrevista de desligamento.

__Tenha um plano de sucessão__ – Lembre-se que a demissão não vem só do lado da organização. Pode vir do funcionário. O estudo [FIA Employee Experience – FEEx 2021](https://atmosfera.fia.com.br/pesquisas/fia-employee-experience/), realizado com 180 mil pessoas de diversos cargos e estados do Brasil, mostrou que a falta de reconhecimento profissional, as mudanças na vida pessoal e a falta de ética da empresa estão entre os principais impulsionadores de um pedido de desligamento. A troca repentina de cadeiras, ou a falta de ocupantes, pode causar prejuízo aos negócios. Então, mantenha talentos no mapa para a eventual necessidade de preencher cargos relevantes e garantir a sustentabilidade do negócio.

__Atenção ao emocional__ – Assim como pode fazer comentários construtivos no ato da demissão, o empregado também pode reagir de modo hostil, ofendendo, provocando e ameaçando. Lembre-se que o desligamento pode pegar o funcionário de surpresa, deixando-o triste, nervoso e até com raiva. Procure entender o momento – e, em caso de reações hiperbólicas, não interprete tudo de maneira literal.

__Ofereça suporte__ – Já dizia o velho ditado: o exemplo fala mais alto. Não fique só na conversa do tipo “pode contar conosco” ou “ficamos de portas abertas”. Ofereça ajuda de verdade. Auxilie com a parte legal de finalização de contrato, dê orientações de carreira e, se possível, ofereça cursos de qualificação. Não descumpra obrigações legais e financeiras – esse é um dos principais motivadores de processos trabalhistas. Também considere estender o plano de saúde e outros benefícios por um tempo determinado. Acredite: atitudes como essa fazem toda a diferença para quem atravessa a fase do desemprego.

## Ambiente propício a feedbacks sinceros e outros benefícios
Uma política de demissão humanizada é praticamente mandatória no RH moderno, inclusive pelo aspecto moral. Mas, além disso, pode ter uma relação custo-benefício para a empresa. A começar pela atração de talentos. De acordo com dados da Glassdoor, cerca de 70% das pessoas costumam analisar as opiniões sobre a experiência de saída de antigos funcionários na hora de decidir trabalhar numa empresa.

Um desligamento humanizado também cria um ambiente propício a feedbacks sinceros sobre a gestão dos supervisores, cultura organizacional e falhas operacionais. Já que não fará mais parte do time, o colaborador se sente à vontade para abordar temáticas que de outra forma não seriam mencionadas e isso pode fazer a companhia aprender e corrigir a rota.

A demissão humanizada ainda melhora o clima organizacional e aumenta a confiança dos colaboradores, além de reduzir, é claro, o risco de um processo trabalhista.

CONFIRA TAMBÉM:
– [#ConversasCorajosas HSM Management: Demissão no trabalho, com Rogério Cher](https://www.youtube.com/watch?v=PbYB-_NZfZY)
– [Gestão de desempenho e transformação cultural: lições da Lojas Marisa](https://blog.lg.com.br/gestao-desempenho-licoes-lojas-marisa/)
– [Como lidar com o deligamento profissional em tempos de pandemia](https://www.revistahsm.com.br/post/como-lidar-com-o-desligamento-profissional-em-tempos-de-pandemia)
– [Por que sua empresa precisa rever a cultura de feedback](https://blog.lg.com.br/feedback-continuo/)
– [Antes de demitir, converse](https://www.revistahsm.com.br/post/antes-de-demitir-converse)
– [Entrevista de desligamento: dicas para tornar a prática mais humanizada](https://blog.lg.com.br/entrevista-desligamento-humanizada/)

Compartilhar:

Artigos relacionados

A energia invisível da liderança – revelando a verdadeira natureza do “Ki” irradiado por Masao Ogura, da Yamato Transport

Da criação do Takkyubin à reinvenção da logística japonesa, a história de Masao Ogura, responsável por transformar a Yamato Transport em um dos maiores cases de inovação logística do Japão. Este artigo revela como os princípios das artes marciais podem oferecer novas perspectivas sobre cultura organizacional, inovação, tomada de decisão e liderança em tempos de transformação.

Ageivism: o que acontece quando as organizações envelhecem, mas suas ideias não?

Enquanto a longevidade transforma a composição da sociedade e do mercado de trabalho, muitas organizações continuam operando com modelos de gestão construídos para uma realidade demográfica que já não existe. Este artigo discute o conceito que desafia o jovem-centrismo corporativo e convida líderes a repensarem o valor da experiência, da diversidade geracional e da longevidade nas empresas.

Liderança, Cultura organizacional, Inovação & estratégia
14 de julho de 2026 18H00
Da criação do Takkyubin à reinvenção da logística japonesa, a história de Masao Ogura, responsável por transformar a Yamato Transport em um dos maiores cases de inovação logística do Japão. Este artigo revela como os princípios das artes marciais podem oferecer novas perspectivas sobre cultura organizacional, inovação, tomada de decisão e liderança em tempos de transformação.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

16 minutos min de leitura
Lifelong learning, Estratégia, Marketing & growth
14 de julho de 2026 14H00
Este artigo mostra como os eventos corporativos se tornaram ambientes estratégicos de inteligência coletiva, capazes de ampliar repertório, antecipar tendências e reduzir incertezas para líderes e organizações.

Sidnei Metzner - Gestor nacional de vendas da WK

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
14 de julho de 2026 08H00
Enquanto a longevidade transforma a composição da sociedade e do mercado de trabalho, muitas organizações continuam operando com modelos de gestão construídos para uma realidade demográfica que já não existe. Este artigo discute o conceito que desafia o jovem-centrismo corporativo e convida líderes a repensarem o valor da experiência, da diversidade geracional e da longevidade nas empresas.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de julho de 2026 14H00
Dados mostram o avanço da solidão no ambiente de trabalho, especialmente entre profissionais remotos. O texto propõe uma reflexão sobre como relações de confiança, segurança psicológica e capacidade de convivência se tornaram ativos estratégicos para a saúde organizacional.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
13 de julho de 2026 08H00
Durante décadas, empresas competiram por telas, cliques e atenção. Agora, à medida que agentes inteligentes passam a interpretar intenções e executar tarefas, o valor começa a migrar para outro lugar: dados, contexto e capacidade de decisão.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

7 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, User Experience, UX
12 de julho de 2026 13H00
Durante décadas, o mercado tratou a satisfação do cliente como prioridade absoluta. Este artigo questiona os limites dessa lógica e mostra como a normalização de abusos, agressões e desgastes emocionais está afetando a saúde mental dos trabalhadores e comprometendo a própria cultura das organizações.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

5 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
12 de julho de 2026 08H00
Em um mundo onde quase tudo pode ser comprado, o verdadeiro luxo deixou de ser exclusividade e passou a ser simplicidade. Este artigo mostra por que as empresas mais valiosas da próxima década serão aquelas capazes de eliminar complexidade, reduzir decisões e transformar experiência em significado.

Bruno Mazanek - CEO da Zanek

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Finanças
11 de julho de 2026 14H00
O mercado aprendeu a medir estoques, fábricas e patrimônio físico. Mas como medir inteligência, dados e conhecimento? O desafio das empresas hoje não é apenas criar valor, mas desenvolver métricas capazes de reconhecê-lo.

Carolina Almeida Cruz - Cofundadora e CEO da C-MORE

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
11 de julho de 2026 08H00
Enquanto o sonho do hexa mobilizou milhões de brasileiros, outro fenômeno também ganhou força fora dos gramados. Este artigo discute como o avanço das apostas online está influenciando a relação dos jovens com dinheiro, educação e carreira, e por que empresas e líderes não podem ignorar seus efeitos sobre o futuro do trabalho.

Rodrigo Santos - Psicólogo e tutor educacional na Leapy

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
10 de julho de 2026 14h00
O futuro dos caminhões no Brasil será multienergético, e a engenharia nacional terá papel decisivo nessa transformação. Este artigo mostra por que a transição energética do transporte de cargas dependerá da combinação entre múltiplas fontes de energia, inovação tecnológica e soluções adaptadas à realidade do país.

Eduardo Oliveira - Diretor de Engenharia da IVECO para a América Latina

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo