Carreira

Quatro tendências profissionais que vieram para ficar

Em um momento de retração econômica e desaparecimento de postos de trabalho, conhecer estas transformações em curso é fundamental para colaboradores e lideranças
Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Compartilhar:

Nos anos 1990 o assunto ‘futuro do trabalho’ começou a ser abordado com mais frequência não só pela virada simbólica para o novo milênio, mas devido ao conjunto de transformações significativas na estrutura social como a informatização crescente, a integração dos mercados e a escalada técnico-científica. A euforia durou até o final da primeira década deste século, quando os mercados colapsaram na crise econômica de 2008. 

Passados alguns anos, uma nova onda de livros, artigos, conferências sobre o futuro do trabalho ganhou força e alcançou ainda mais urgência com a pandemia da Covid-19. Com fronteiras fechadas, voos interrompidos, quarentenas, internações e mortes por todo o globo, as empresas e instituições foram forçadas a realizar uma brusca readaptação tecnológica e comercial. Definitivamente, o mundo do trabalho mudou em 2020. 

Podemos apontar algumas das transformações em curso por meio de quatro macrotendências:

![](https://lh6.googleusercontent.com/LUvrEpmndy43b2KX_HlzMCXAb79RniR8GGBDG0VLvO8YyXSaaZguIyCLgAi2YDxfJffYuMVpJEJvYNZs4C1djxY_ARZSJX28rdZWY5uu9m1X9Rg3e_AmzG3EYCoBCSs8ZYLrrjo)

## 1. Ampliação do impacto da tecnologia no trabalho. 

Foi atribuído a Bill Gates o seguinte comentário: “em alguns anos vão existir dois tipos de empresas, as que fazem negócio pela internet e as que estão fora dos negócios”. A pandemia forçou não só o ingresso de várias empresas no comércio online, como aqueceu a corrida pelo desenvolvimento de novas tecnologias, fortalecendo os fluxos de inovação.

Peter Diamandis, um dos fundadores da Singularity University, afirma que entre as áreas tecnológicas de destaque em nosso contexto imediato, ainda nesta década, estão: robótica, big data, biologia sintética, internet das coisas e segurança cibernética.  

## 2. Modelos de negócios disruptivos. 

A imprevisibilidade do ambiente de negócios somada à escalada das novas tecnologias favorece o surgimento de negócios que simplesmente desconhecemos. Empresas gigantes como a companhia aérea American Airlines demitiram milhares de funcionários, enquanto empresas e marcas até então irrelevantes como o aplicativo TikTok e a plataforma de vídeo conferências Zoom ganharam o mundo. Os serviços de delivery conectados em aplicativos, bem como outros modelos de negócios colaborativos, eram impensáveis até pouco tempo atrás.

Este tipo de inovação imediatamente incorporada ao ritmo da vida de bilhões de pessoas, é cada vez mais frequente. Os impactos das transformações inesperadas afetaram e continuarão a afetar os mais diversos ramos econômicos, da moda à alimentação, dos bancos aos polos farmacêuticos. 

## 3. Múltiplas possibilidades de novas profissões. 

O novo *zeitgeist* profissional é completamente aberto à novas profissões. De acordo com o relatório Jobs of tomorrow: mapping ppportunity in the new economy produzido pelo World Economic Forum em janeiro deste ano, antes do surto pandêmico, havia 96 novas profissões em franca consolidação. Essas profissões foram agrupadas em sete eixos principais: saúde; dados e inteligência artificial; engenharia e computação em nuvem; economia verde; pessoas e cultura; desenvolvimento de produtos; vendas, marketing e conteúdo.

A consultoria estratégica Robert Half, por sua vez, apontou em um de seus estudos duas tendências muito fortes: as profissões high tech, de alta especialização e impacto tecnológico; e as profissões high touch, de alto impacto humano.

## 4. Novos modelos de gestão. 

O momento pandêmico acelerou os processos de readequação administrativa das empresas diante das mudanças estruturais da sociedade. Elementos como autogestão, trabalho home office, reuniões remotas, diminuição de hierarquias, liderança como facilitadora de processos, são marcas deste novo cenário. Os líderes precisam ficar muito atentos aqui neste ponto. Hoje é crucial [antecipar e entender conceitos como autogestão](https://revistahsm.com.br/post/pensamento-critico-e-integrado-sao-diferenciais-na-sua-carreira), gestão horizontal e sociocracia, pois o modo de liderar está entrando nos novos compassos sociais.

Estas mudanças no mundo profissional estão em pleno curso. Desconhecê-las complica ainda mais o posicionamento de [novos profissionais](https://revistahsm.com.br/post/a-ascensao-das-habilidades-humanas), já que vivenciamos um momento de retração econômica e destruição de postos de trabalho. Para fechar este breve artigo, propomos algumas ideias práticas.

## Insights para carreira

### 1. Carreira não é correria: 

A ausência de uma compreensão panorâmica do mundo do trabalho prejudica a ascensão dos jovens gestores. Decisões precipitadas, realizadas sem uma avaliação das macrotendências profissionais, neutralizam potenciais líderes.

O desenvolvimento da carreira, sobretudo em momentos críticos, requer calma na avaliação e compreensão das novas possibilidades abertas. 

### 2. Disrupção é mais que um clichê:

É um fato que setores inteiros da economia estão se tornando obsoletos, enquanto outros estão florescendo dos locais mais inesperados.

O novo mercado de trabalho está ainda mais competitivo, portanto, os novos líderes não podem agir como se seu ramo profissional não pudesse ser transformado – ele certamente será. Como afirmou Bertrand Russell, “não tenha medo de ser excêntrico em suas opiniões, pois todas as opiniões hoje aceitas foram excêntricas um dia”.

### 3. Não adianta preservar modelos de gestão industrial na era pós-industrial: 

Apesar do mundo corporativo produzir inovações e mudanças por meio da tecnologia, ainda seguimos as diretrizes estabelecidas no sistema de produção da revolução industrial.

O novo contexto de mundo envolve evolução tecnológica, maior presença feminina do ambiente corporativo e um movimento de consciência nos negócios. Hoje, são valorizados os líderes que confiam em seus times, que inspiram pelo propósito e que conseguem dar um direcionamento preciso para suas equipes.

Compartilhar:

Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Artigos relacionados

Nenhuma estratégia é melhor do que a lente que a criou

Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Centauros corporativos: quem está no controle da inteligência?

Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Cláusula de raio: proteção legítima ou barreira à concorrência?

Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo