Dossiê: Jovens Talentos, Liderança

Quer que sua carreira deslanche? Aprenda a liderar jovens

Esqueça os estereótipos, faça as perguntas certas e seja empático ao liderar e inspirar a juventude que está chegando ao mercado de trabalho
Fundador do Capitalismo Consciente Jovem, iniciativa do Instituto Capitalismo Consciente Brasil para a juventude, é líder de programas de desenvolvimento para jovens na Eureca, consultoria em juventude e empregabilidade, co-autor do livro *Reflexões de Jovens Líderes sobre Liderança* e foi presidente da Federação Catarinense de Empresas Juniores. Já desenvolveu projetos para as organizações Votorantim, PagSeguro, Neoenergia, Livelo, Sicredi, Sodexo, Nike, Renner, entre outras e atuou em projetos no Brasil e no Peru.

Compartilhar:

Por que ser um bom líder para jovens talentos é importante? Afinal, tenho tantas coisas para fazer! E dedicar tempo da minha rotina para ensinar alguém não é minha prioridade. Quero crescer na empresa! Tenho tantos objetivos a alcançar!

Se você se reconheceu no parágrafo acima e costuma pensar assim, terei de ser sincero e te dar um aviso: sinto muito, mas é provável que você não alcance seus sonhos de crescimento.

Liderar não é apenas inspirador, também é eficiente. Que tal uma metáfora para simbolizar o que digo? Imagine que você é um confeiteiro(a) e passa 90% da sua rotina batendo massas, preparando coberturas e confeitando bolos e mais bolos. Pense bem: ao [exercer sua liderança](https://www.revistahsm.com.br/post/seja-um-heroi-cada-vez-mais-humano), você gasta menos tempo ensinando alguém a fazer um bolo do que fazendo todos os bolos você mesmo.

Além disso, não há empresa que sobreviva e supere suas metas sem um bom pipeline de talentos. O trava-língua “cinquenta por cento do seu sucesso é o sucesso do seu sucessor” resume bem essa ideia. Se, ao ser transferido para outra área na organização, seu antigo departamento desmoronar, você liderou para si e não para a empresa.

Contudo, [o que é necessário para liderar](https://www.mitsloanreview.com.br/post/solidao-digital-em-busca-do-tempo-perdido), especialmente quando pensamos em jovens talentos, ansiosos para estrear em grande estilo no mercado de trabalho? Abaixo, apresento dois insights que podem ajudá-lo nessa caminhada.

## Faça perguntas e desenvolva a ética de trabalho
No começo de 2021, em Eureca, iniciamos a sexta edição do programa de desenvolvimento de estagiários da Sodexo a partir de um workshop para os gestores desses jovens, uma turma de 16 analistas e coordenadores mais experientes. A pauta do encontro abordou maneiras com que esses líderes poderiam acompanhar os jovens no contexto do trabalho remoto e do isolamento social, consequências da pandemia de covid-19.

Em uma das dinâmicas propostas pelo workshop, um dos participantes compartilhou com os demais sua visão de que auxiliar os jovens estagiários pelos quais era responsável a desenvolverem sua própria ética de trabalho era uma de suas [principais responsabilidades](https://www.revistahsm.com.br/post/segredos-da-carreira-de-quem-venceu-o-nobel). Mas o que pode ser entendido como ética de trabalho?

Para além de um conjunto de valores, atitudes e normas manifestadas no comportamento dos colaboradores, podemos entender como “ética de trabalho” quando o profissional faz escolhas conectadas ao que faz ou que o levam a performar melhor.

Quais são os tipos de tarefas que ele executa melhor? Em quais momentos é mais produtivo? Como encontra a solução para uma tarefa que nunca resolveu? Todas essas perguntas que envolvem o autoconhecimento e a autoeficácia são parte do processo de transformação de um jovem estagiário, aprendiz ou trainee em um [grande talento da organização](https://www.revistahsm.com.br/post/jovem-demais-para-ser-team-leader).

Para ajudar nessa jornada, a principal competência do líder deve ser “a arte de perguntar”. As boas perguntas, que abrem espaço criativo e geram curiosidade em vez de receio e culpa, são aquelas que ajudam a pessoa a descobrir sua própria ética de trabalho. Então, vamos refletir: quais tipos de perguntas você tem feito?

## Troque o balaio das gerações pela empatia
Discussões geracionais são comuns no ambiente corporativo, como se fosse possível estereotipar grupos de colaboradores apenas de acordo com certos comportamentos tidos como característicos de sua faixa etária. Por exemplo, a geração X é mais comedida e busca segurança profissional; a geração Y quer crescer muito rápido nas empresas e não tem paciência. E a geração Z? É a tal geração nativa digital, que sabe mexer com tecnologia como ninguém.

Um ou outro aspecto de [teorias geracionais até podem fazer sentido](https://www.revistahsm.com.br/post/os-efeitos-da-pandemia-na-visao-dos-millennials-e-geracao-z) e são úteis para a compreensão de um contexto mais amplo. Porém, no dia a dia, toda teoria geracional vai pelo ralo. O seu filho é exatamente igual a todos os filhos da mesma idade que ele? A sua mãe é igual a todas as mães da mesma idade que ela? Todas possuem as mesmas motivações? É claro que não! O comportamento de cada indivíduo depende de suas vivências e preferências. Da mesma forma, dentro das organizações, o jogo é completamente outro.

No ambiente profissional, podemos chamar os desafios geracionais como desafios de empatia. De acordo com o artigo *[Generational differences at work are Small. Thinking they’re big affects our behavior](https://hbr.org/2019/08/generational-differences-at-work-are-small-thinking-theyre-big-affects-our-behavior)*, da *Harvard Business Review*, um estudo convidou um grupo de estudantes para ensinarem pessoas que não conheciam a realizar uma tarefa específica no computador, medindo os resultados posteriormente. Quando um dos grupos foi induzido a pensar que estava ensinando alguém mais velho, a qualidade do treinamento relacionado à tecnologia foi pior, assim como o resultado da tarefa executada.

O que esse estudo nos ensina? Quando falamos de motivar ou lidar com as dificuldades apresentadas por [jovens talentos](https://www.revistahsm.com.br/post/um-retrato-da-juventude-brasileira), mais do que discutir sobre o quanto uma geração pode ser rebelde, conservadora ou tecnológica, tente entender o histórico dessa juventude, a trajetória e história de vida de cada profissional. Onde nasceu? Foi criada por quem? Qual o tamanho de sua família? Quais dificuldades e facilidades encontrou no caminho? Onde deseja chegar? Quais desafios o jovem já encontra para chegar lá?

Saber e considerar esse histórico – e agir de acordo – vai ajudá-lo muito mais a ser um líder inspirador para cada um desses novos colaboradores do que simplesmente saber o ano em que ela nasceu e, assim, como ela “deve” se comportar.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
5 de março de 2026
Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar - e pensar por conta própria

Bruna Lopes de Barros

2 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
4 de março de 2026 12h00
Com todos acessando as mesmas ferramentas para polir narrativas, o que os diferencia? Segundo pesquisa feita com gestores brasileiros, autoconhecimento, expressão e autoria

Patricia Gibin - Consultora e coach

19 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
4 de março de 2026 06H00
As agendas do ATD26 e SHRM26 deixam claro: o ano começou exigindo líderes capazes de decidir com IA, sustentar cultura e entregar performance em sistemas cada vez mais complexos. Liderança virou infraestrutura de execução - e está em ritmo acelerado.

Allessandra Canuto - Especialista em Inteligência Emocional e Saúde Mental

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de março de 2026 15h00
O verdadeiro poder está em aprender a editar o que a tecnologia ousa criar. Em outras palavras, a era da IA generativa derruba o mito da máquina infalível e te convida para dialogar com artistas imprevisíveis.

Sylvio Leal - Head de Marketing Latam da Sinch

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de março de 2026 08h00
Quando o ego negocia no seu lugar, até decisões inteligentes produzem resultados medíocres. Este artigo aborda a negociação sob a ótica da teoria dos jogos, identidade decisória e arquitetura de incentivos - não apenas como técnica, mas como variável estrutural na construção de valor organizacional.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Cultura organizacional, Liderança
2 de março de 2026
Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de março de 2026
A crise não está apenas no excesso de trabalho, mas no peso emocional que distorce decisões e fragiliza equipes.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de fevereiro de 2026
Em 2026 o diferencial no uso da IA não será de quem criar mais agentes ou automatizar mais tarefas, mas em quem souber construir sistemas capazes de pensar, aprender e decidir melhor no seu contexto organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de fevereiro de 2026
Sem modelo operativo claro, sua IA é só enfeite - e suas reuniões, só barulho.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de fevereiro de 2026
Diante dos desafios crescentes da mobilidade, conectar corporações, startups, parceiros e especialistas em um ambiente colaborativo pode ser o caminho para acelerar soluções, transformar ideias em projetos concretos e impulsionar a inovação nesse setor.

Juliana Burza - Gerente de Novos Negócios & Produtos de Inovação no Learning Village

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...