Educação
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Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.
Diretor executivo da Fundação Sagres, mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), docente e especialista em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pelo curso internacional MAIA, desenvolvido pela Fundesplai, de Barcelona

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O Brasil alcançou um resultado histórico. Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%, segundo o IBGE. O dado que merece ser celebrado representa décadas de expansão do acesso à educação e demonstra que o país avançou na garantia de um direito fundamental.

Mas a boa notícia também revela um novo desafio. Se conseguimos levar mais brasileiros à escola, por que ainda perdemos tantos jovens antes da conclusão da educação básica?

Os próprios dados ajudam a responder. Entre jovens de 14 a 29 anos que não concluíram o ensino médio, o principal motivo para abandonar ou sequer frequentar a escola é a necessidade de trabalhar. Entre os homens, essa realidade supera metade dos entrevistados. Entre as mulheres, o trabalho se soma às responsabilidades domésticas e ao cuidado com familiares, evidenciando que a evasão escolar continua profundamente ligada às desigualdades sociais.

Esse cenário mostra que a educação brasileira mudou de fase. Durante muitos anos, o principal desafio foi ampliar o acesso. Agora, o foco precisa ser a permanência e, principalmente, a construção de perspectivas de futuro.

Para milhões de jovens, permanecer estudando depende da possibilidade de gerar renda. Quando a sobrevivência da família exige uma contribuição imediata, estudar deixa de ser apenas uma decisão educacional e passa a disputar espaço com necessidades concretas da vida.

Ao mesmo tempo, o mundo do trabalho também mudou. A inteligência artificial, a economia digital, a transição para modelos mais sustentáveis e a rápida transformação tecnológica estão redefinindo profissões e exigindo novas competências. Esse cenário reforça a necessidade de uma educação capaz de acompanhar essas transformações e preparar os jovens para aprender continuamente ao longo da vida.

Nesse contexto, educação e trabalho precisam fazer parte de uma mesma trajetória de desenvolvimento, apoiada por modelos de ensino capazes de aproximar a aprendizagem da realidade dos estudantes.

É por isso que iniciativas que integram escola, formação técnica, metodologias inovadoras, aprendizagem profissional e experiências práticas ganham importância estratégica. Ao conectar educação, qualificação e vivências concretas, esses modelos ampliam as condições para que o jovem permaneça na escola, desenvolva competências, conquiste autonomia financeira e visualize oportunidades reais de futuro.

Essa integração representa uma mudança importante na forma de enfrentar a evasão escolar. Em vez de tratar educação e trabalho como escolhas incompatíveis, ela aproxima a formação da realidade dos estudantes e cria caminhos para que desenvolvimento educacional e inserção produtiva caminhem juntos.

Essa é uma agenda que interessa à educação e ao desenvolvimento do país. Em uma economia que exigirá cada vez mais qualificação, criatividade e capacidade de adaptação, investir em trajetórias educacionais mais conectadas às transformações do mundo contemporâneo significa ampliar produtividade, reduzir desigualdades e fortalecer a competitividade brasileira.

O Brasil venceu uma etapa importante ao reduzir o analfabetismo. O próximo salto será construir um sistema capaz de garantir que aprender e trabalhar deixem de ser escolhas excludentes e passem a integrar um mesmo percurso de desenvolvimento.

O futuro da educação brasileira será medido pela capacidade de transformar oportunidades de aprendizagem em trajetórias de desenvolvimento humano e social.

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