Em empresas de tecnologia, a velocidade das mudanças já está interferindo diretamente na gestão de pessoas. Novas ferramentas, processos e modelos de trabalho entram em operação em intervalos cada vez menores, enquanto as equipes precisam manter o ritmo de entrega. Para o RH, o desafio é acompanhar essa transformação sem aumentar a rotatividade e sobrecarregar quem permanece.
Na agência de gestão de viagens e despesas corporativas, que atende as maiores empresas da América Latina, esse cenário levou à mudanças na forma de contratar, desenvolver e organizar as equipes. O RH faz a gestão de cerca de 750 colaboradores, distribuídos por 19 estados brasileiros, e tem enfrentado o desafio de crescimento acima de 50% ao ano.
Em uma operação acelerada, há pouco espaço para longos períodos de treinamento. Por isso, já no momento da contratação, passou-se a considerar a capacidade de adaptação do profissional. Entre as características do colaborador procurado, ganhou peso a curiosidade e a familiaridade com ferramentas de inteligência artificial. A IA também alterou o processo seletivo na outra ponta: ela está apoiando a análise de currículos e entrevistas da agência, com o objetivo de reduzir vieses e aumentar a objetividade das avaliações.
Essa mudança do perfil profissional procurado pode ser vista em todo o mercado de trabalho. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial (WEF), quase 40% das competências exigidas devem mudar até 2030, e entre as habilidades mais procuradas estarão resiliência, flexibilidade, agilidade, curiosidade e aprendizagem contínua.
A agência também criou uma nova área, chamada “AI Enablement”. Trata-se de estruturas que capacitam colaboradores de diferentes áreas a criar e operar agentes de IA autônomos e pró-ativos em seus próprios fluxos de trabalho, definindo padrões de uso, selecionando ferramentas e promovendo capacitação – enquanto as equipes de tecnologia mantém o foco em infraestrutura, segurança e governança. O entendimento é que se a empresa exige que sua equipe acompanhe rapidamente a evolução tecnológica, precisa criar condições para tal.
Essa também é uma tendência global. O mesmo relatório do WEF estima que 77% dos empregadores pretendem investir em atualização das competências de seus profissionais até 2030. E, no Brasil, uma pesquisa da IBM com tomadores de decisão de TI mostrou que 78% das empresas consultadas aumentaram seus investimentos em IA em 2025, especialmente nas operações.
A cada transformação, a pergunta que deve passar pelo RH é: o que a empresa precisa fazer para que os colaboradores consigam acompanhar a mudança? A resposta pode sustentar o desempenho, sem fazer de cada nova tecnologia um motivo de rotatividade.




