Cultura organizacional

RH como facilitador da cultura de clareza e eficiência

Entenda essa missão emergente da área de gestão de pessoas, bem como a construção de um ambiente inspirador e a preparação das lideranças para a prática de feedbacks sinceros
Editor de conteúdo multimídia para HSM Management, radialista, jornalista e professor universitário, especialista em comunicação corporativa, mestre em comunicação e inovação e doutorando em processos comunicacionais. Desde 2008, atua em agências, consultorias de comunicação e gestão para grandes empresas e em multinacionais.

Compartilhar:

Primeiro, as áreas de recursos humanos cuidavam da folha de pagamento e da gestão de benefícios. Depois, mais recentemente, virou quase regra que fossem as guardiãs de todos os processos estratégicos que envolviam pessoas e da disseminação do código de conduta de suas empresas. Então, houve a especialização de atividades como compliance, cultura e comunicação – para dar apenas alguns exemplos – e o RH mudou seu foco novamente.

Hoje, cada vez mais, as áreas de pessoas são facilitadoras da [cultura organizacional](https://blog.lg.com.br/podcast-cultura-forte/). E, mais especificamente, uma cultura que dissemine clareza sobre o que é esperado de seus colaboradores e viabilize a eficiência em cada entrega deles. Cabe ao RH essa missão, que fica mais importante nas organizações a cada dia que passa.

A explicação para o fenômeno é dada, por exemplo, por Bia Nóbrega, executiva de gente, gestão e experiência do cliente do Digio, bantech do Banco do Brasil e do Bradesco, e colunista do blog de __HSM Management__. Ela lembra que, hoje, os métodos tradicionais de gestão precisam abrir espaço para a [inteligência coletiva e para a descentralização](https://www.revistahsm.com.br/post/de-chro-a-chief-of-experience-officer-cxo) e que não é possível criar esse espaço se não houver clareza. É preciso haver clareza nas comunicações da empresa com seus colaboradores, nas interações entre líderes e liderados, nas expectativas de resultados, nas perspectivas de carreira de cada um que está ali. (Em tempo: bantech é a startup que combina o banco tradicional com uma fintech)

Trata-se de “abraçar a promoção da [experiência humana dos clientes internos e externos](https://blog.lg.com.br/evolucao-rh-hxm/)”, como diz ela, que vê nisso uma evolução natural da área de recursos humanos. “Será também missão do RH desenvolver uma cultura que não coma a estratégia no café da manhã, mas que permita, com excelência, a entrega dela”. Nóbrega chama a atenção para o fato, frequentemente esquecido, de que as corporações são elementos vivos que requerem cuidados. Ela entende que prover esse cuidado exige recursos, que são quase sempre limitados, e que, portanto, “é necessário fazer mais com menos, com criatividade e, principalmente, com gestão da expectativa”.

## Um ambiente que inspira
A missão de facilitar a clareza e a entrega com excelência implica outra missão para o RH: construir um ambiente de inspiração que dê sustentação a isso. Há quatro elementos que moldam um ambiente assim, segundo Davi Lago, professor e pesquisador do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, e Augusto Jr., diretor-executivo do Instituto Anga e professor-convidado da Fundação Dom Cabral. Os dois explicam esses elementos, em artigo no blog de __HSM Management__, [quais são esses elementos](http://revistahsm.com.br/post/quatro-elementos-para-construir-um-ambiente-que-inspira-e-desenvolve-pessoas):

– __Significado__ – o ser humano tem uma necessidade intrínseca de entender por que faz o que faz. É essencial que tenha consciência de suas atividades.

– __Desafio__ – ser desafiado é essencial para o crescimento das pessoas.

– __Contribuição__ – são importantes o reconhecimento do trabalho de uma pessoa e a percepção dela sobre a utilidade desse trabalho para a organização. Vale lembrar que temos uma cultura em que as pessoas são obrigadas a cumprir carga horária e, às vezes, mesmo que não tenham o que fazer, precisam esperar o tempo passar.

– __Pertencimento__ – um estudo global realizado em 2014 pelo BCG fez um levantamento dos 26 principais fatos que motivam uma pessoa no seu ambiente de trabalho. Na segunda posição do ranking estão suas relações com os colegas de trabalho, e em quarto lugar, sua relação com seu superior. Ou seja, faz parte das [necessidades humanas querer pertencer a um lugar e fazer parte de algo](https://www.mitsloanreview.com.br/post/rumo-ao-humanocentrismo).

Significado e pertencimento têm relação direta com a clareza da relação entre empresa e colaborador. Desafio e contribuição estão muito ligados à eficiência.

## O futuro que já é presente
Para o diretor de RH para América Latina na John Deere, Wellington Silvério, o RH precisa desempenhar cada vez mais [três papéis fundamentais](https://www.revistahsm.com.br/post/o-que-o-futuro-reserva-para-recursos-humanos).

– O primeiro é o de __desenhador organizacional__. Assim, é essencial exercer presença, buscar responsabilidades, adotar pensamento disruptivo e pensar na experiência do cliente e no negócio.

– Fazer o RH atuar como __agente de transformação__ é o segundo fator relevante. Além de desenvolver pensamento ágil e de inovação e acompanhar tendências, conectar-se com o [futuro do trabalho e suas novas formas é primordial](https://www.revistahsm.com.br/post/o-que-o-futuro-reserva-para-recursos-humanos).

– Por fim, cada um que atua em um departamento de pessoas deve ser um __pensador estratégico__, gerando o “combustível cultural” necessário para a consolidação de organizações realmente prósperas.

Há um traço comum entre os três: não há uma habilidade técnica clara. As soft skills e a capacidade de aprender continuamente passam a ser mais relevantes do que saber fazer ou dominar um conhecimento específico (sobre impostos em folha de pagamento, por exemplo).

## O líder importa; o feedback, também
É importante preencher uma lacuna de desenvolvimento contínuo em ciclos rápidos. Talvez o ciclo anual de metas não seja o mais adequado, pode ser necessário avaliar em tempo menor um volume diferente de atividades. E, com isso, o [modelo mental do gestor](https://www.revistahsm.com.br/post/emocoes-a-flor-da-pele-um-chamado-a-acao) deve ser orientado não só por resultados e indicadores-chave de desempenho (KPIs) tradicionais, mas por essas soft skills.

Estamos inovando? Tentamos, erramos: aprendemos? Corrigimos? Esse desafio ajudará a empresa a chegar mais longe? Estamos resolvendo questões do presente, mas estamos preparados para o futuro próximo?

Responder a essas questões requer um [fluxo de feedback](https://blog.lg.com.br/feedback-continuo/) em tempo real. É importante tornar o processo mais estimulante para o colaborador, que bem informado, com senso de pertencimento e desafiado, será capaz de entregar os resultados esperados.

*Saiba mais sobre experiência do colaborador em [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e em [nossos webinars](https://www.revistahsm.com.br/webinars).*

Compartilhar:

Artigos relacionados

Problemas complexos exigem criatividade coletiva

O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

O consumidor já é omnichannel. Sua empresa também é?

A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

Posicionamento não é desculpa para ser do contra

Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Por que o marketing precisa sair da própria bolha

As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Por que alguns eventos entram para a história e outros são esquecidos na semana seguinte

Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Comunicação, Liderança
23 de julho de 2026 08H00
A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
22 de julho de 2026 14H00
Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de julho de 2026 09H00
Posicionamento claro, gestão comercial estruturada, experiência do cliente, disciplina financeira, desenvolvimento de talentos e capacidade de adaptação formam os pilares de um crescimento sustentável. O desafio das empresas de serviços já não é apenas expandir, mas criar condições para que essa expansão se mantenha saudável e rentável.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, escritor e palestrante

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
21 de julho de 2026 14H00
A desconexão entre pessoas custa bilhões às empresas todos os dias. Ainda assim, muitas organizações seguem tratando cultura como documento, engajamento como métrica e comunicação como ferramenta. Talvez o problema esteja justamente aí.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de julho de 2026 09H00
A construção civil está deixando para trás práticas marcadas por desperdícios e retrabalhos. O avanço de soluções industrializadas, novas tecnologias e modelos de gestão mais eficientes aponta para um novo cenário: construir com mais qualidade, menor impacto e maior previsibilidade.

Rafael Brizot - Diretor da Max Mohr

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
20 de julho de 2026 14H00
Sem maturidade informacional, a IA não elimina problemas, apenas os torna mais rápidos e mais difíceis de controlar.

Bergson Lopes - Fundador e sócio-diretor da BLR DATA, Vice-presidente da DAMA Brasil

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
20 de julho de 2026 07H00
Quase 80% dos trabalhadores sentem culpa ao tirar férias e muitos continuam respondendo mensagens durante o período de descanso. O artigo discute como essa cultura afeta pessoas e organizações e por que líderes precisam dar o exemplo para transformar a relação com o descanso.

Tatiana Pimenta - Fundadora e CEO da Vittude e autora do livro “Saúde mental é inegociável”

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 14H00
WhatsApp, redes sociais, chats e inteligência artificial mudaram a forma como as empresas se relacionam com seus clientes. O desafio agora não é apenas responder mais rápido, mas transformar cada interação em uma oportunidade de fortalecer confiança, reputação e valor de marca.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 08H00
Pensamento estratégico, julgamento humano, curadoria de ferramentas digitais, desaprendizagem contínua e construção de significado despontam como as competências que diferenciarão profissionais em uma era em que inteligência e execução estão cada vez mais distribuídas entre pessoas e máquinas.

Denis Caldeira - CEO da Caldeira Growth e autor de "Cresça ou Desapareça"

8 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Cultura organizacional, User Experience, UX
18 de julho de 2026 14H00
À medida que os eventos se consolidam como ferramentas de cultura, engajamento e construção de relacionamentos, a escolha dos destinos deixa de ser uma decisão operacional. Este artigo explora como experiências, conexões humanas e identidade local estão redefinindo o papel dos encontros corporativos e transformando cidades em plataformas de desenvolvimento econômico e cultural.

Aziz Camali Constantino - Idealizador e cofundador do Oxigênio Ilhabela

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo