Comunidades: CEOs do Amanhã, Desenvolvimento pessoal

Ser mãe te torna uma profissional melhor para o mercado?

Sem dúvida, a resposta é sim! Mas se você não entende as razões para isso, características como adaptabilidade, previsibilidade e visão sistêmica se tornam diferenciais para o mercado de trabalho
Engenheira de formação, entusiasta por projetos, curiosa e generalista, sobretudo apaixonada por relações e pela vida. Mãe de Martin e Mariah. Engajada em promover igualdade, acesso à informação e liberdade para mães.

Compartilhar:

Todos sabem ou podem imaginar que a chegada de um filho é um momento ímpar, normalmente muito desejado e feliz. Em igual intensidade, carrega consigo muitos medos, inseguranças e questionamentos. Desde o início da gestação, inúmeras mudanças começam a ocorrer, e não me refiro somente às físicas ou hormonais.

Toda questão emocional, psicológica e a atmosfera familiar, bem como a preparação para a futura ausência da mãe de primeira (ou mais) viagens no trabalho, são [insumo para carga mental excedente](https://www.revistahsm.com.br/post/maternidade-dentro-das-organizacoes-do-sonho-publicitario-a-desilusao-real), planejamento e organização de atividades já considerando os desdobramentos possíveis.

Tudo isso para garantir que a orquestra da vida dessa mulher continue tocando de forma harmônica, exercitando a visão sistêmica e a previsibilidade sobre o que há por vir. A nova dinâmica é incorporada, sem que demais demandas sejam minimizadas e com o passar dos meses. A mulher aprende na pele o conceito de adaptabilidade.

## Paradoxo inevitável da maternidade
O “M.B.A.” (“mestre em amar bebê”) mais complexo e enriquecedor da vida inicia-se para valer quando o bebê vem ao mundo, e a mãe vai para casa de licença. Num curto espaço de tempo, [a mulher singular que existia dá lugar a uma nova](https://www.revistahsm.com.br/post/teto-e-chao-de-vidro-barreiras-culturais-para-liderancas-femininas), agora mãe de um ou mais crianças, com responsabilidades infinitas e desafios diários. É uma rotina intensa e contrastante regada a muitos sentimentos e superação. Essa mulher se engaja, se desdobra e se doa – e a entrega é inacreditável.

Para tentar elucidar o paradoxo que a mãe vive, gosto de fazer analogia ao fenômeno da alotropia do elemento químico carbono que forma o diamante e grafita, utilizada no lápis de escrever, devido às ligações e rearranjos distintos.

O diamante é um material rígido e comumente cobiçado nas joias, enquanto a grafita é um material mole e mais sensível. Quando a mulher se torna mãe, instintivamente ela torna-se um diamante em fortaleza e valor para manter e defender sua criação; ao mesmo tempo torna-se grafita, sensível, vulnerável e fácil de quebrar devido às inseguranças e ao cansaço.

## Habilidades para o mundo corporativo
A partir de então, algumas características passam a fazer parte e serem desenvolvidas na vida da mulher de forma orgânica e paralelizadas:

– __Gerenciamento efetivo de tempo__, pois criança é sinônimo de rotina e esse também é um processo a ser estabelecido. A [gestão de tempo e priorização](https://www.revistahsm.com.br/post/gestao-do-tempo-para-empreendedores) do que realmente é necessário e indispensável permite a essa mãe usufruir os bons momentos da maternidade e não somente aos afazeres que a engolem.

– __Antifragilidade__, pois tem a capacidade de adaptar-se a novas pressões, como os hormônios em ebulição e a exaustão física. A transformação pessoal é diária para superar os desafios com flexibilidade.

– __Compaixão e cultura ao erro__, pois essa mulher vai errar, se cansar, estar com [privação de sono e de repouso efetivo](https://www.revistahsm.com.br/post/ate-quando-os-cansados-serao-exaltados), sentir-se inadequada, incapaz e exausta. E no final do dia, terá a certeza de que o melhor está sendo feito e que o amanhã é sempre uma nova oportunidade de recomeçar.

– __Empatia e escuta ativa__, essenciais para aprender a lidar com o novo membro da família e [interpretar suas necessidades físicas e emocionais](https://www.revistahsm.com.br/post/a-inovacao-a-partir-das-nossas-12-habilidades-a-prova-do-futuro), a fim de garantir-lhe afago, alimento e proteção. Para mães de outras viagens, empatia para se colocar no lugar dos demais filhos, suprir-lhes os sentimentos e inseguranças, dividir atenção e fazer com que todos sintam-se igualmente amados, ainda que nenhuma palavra seja dita.

– __Trabalho em equipe e cooperação__. Mesmo quando existe apoio do pai ou de algum familiar próximo (o que, infelizmente, não é uma realidade majoritária), a mulher se sente perdida e sobrecarregada, pois a maternidade real não é romântica, indolor e inata, principalmente nos primeiros meses; esse choque entre teoria e prática culmina em conflito, cobrança e culpa. Por isso, é indispensável, inegociável e transformador a mãe ter uma rede de apoio colaborativa, empática e fundamentada, para permitir que dores e angústias sejam compartilhadas sem julgamento, sentimentos sejam acolhidos e respostas sejam encontradas trazendo o conforto necessário.

– Com o passar do tempo, o bebê requer cuidados, comunicação, estímulos e interações diferentes. Isso leva a mãe a desenvolver a capacidade de ser __generalista__, estudando todos os temas possíveis que envolvam bem-estar, educação e desenvolvimento físico e comportamental da criança. Segundo a escritora Nanda Perim em seu livro *Educar sem pirar* (2021) a inteligência parental requer equilíbrio entre os pilares de conhecimento, autoconhecimento e relacionamento, e esse é um processo diário e constante.

## Um retorno inevitável
Quando chega o momento de retorno ao trabalho, essa mulher se sente fortalecida como mãe, porém fragilizada pela separação. Ela já tem uma rotina organizada para voltar à posição, enquanto encara outras atividades como a logística de leva e traz, o planejamento de ordenha para manter a amamentação ou a preparação para introdução de novos alimentos na dieta da criança.

Ela está pronta, disponível, energizada e carrega consigo uma[ bagagem com poder de transformação](https://www.revistahsm.com.br/post/gestao-de-desempenho-deve-estar-alinhada-a-cultura-e-ao-negocio-da-empresa). O trabalho faz parte de quem ela é, e comprometimento, dedicação e entrega fazem parte do que ela se propõe, com base em seus valores e propósito.

Certamente a resposta para meu questionamento inicial não é positiva em unanimidade, seja por descrença, desconhecimento ou preconceito. Embora haja maior engajamento, inclusão e rede de apoio nas empresas para as mamães e consultorias que prestam serviços com o propósito de promover conscientização e transformação cultural, a verdade é que ainda temos muito espaço a conquistar. Logo, há muita oportunidade de gerar provocações que fomentem a causa nos ambientes em que convivemos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A pergunta que todo treinamento deveria responder

Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

A IA aumentou a produtividade, mas quem está ganhando tempo?

Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

A IA não está substituindo os bancos. Está mudando o trabalho dentro deles.

O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

A Reforma Tributária já não é um tema fiscal. É um tema de supply chain.

O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Futebol feminino: O que mulheres aprendem quando têm espaço para competir?

A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Liderança
14 de setembro de 2026 08H00
Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

11 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 17H00
Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
13 de setembro de 2026 14h00
Os movimentos recentes de Art’G e Belmont Emeralds revelam estratégias de geração e captura de valor

Adriana Salles Gomes

0 min de leitura
Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 08H00
Enquanto os ciclos tecnológicos se tornam cada vez mais curtos, organizações enfrentam um desafio permanente: transformar inovação em resultados concretos e que gere valor para o negócio no longo prazo.

Andréia Rengel - CEO e sócia da AMcom

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
12 de setembro de 2026 14H00
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, o people analytics permite que o RH amplie sua influência nas decisões corporativas.

Gabriela Resende - Diretora de Operações de Recursos Humanos da Propay

5 minutos min de leitura
User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de setembro de 2026 14H00
Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
11 de setembro de 2026 08H00
Mais do que dominar ferramentas, o desafio da liderança passou a ser tomar decisões, engajar pessoas e construir crescimento em um ambiente de incerteza permanente.

Eduardo Raffaini - Sócio-líder de Soluções de Strategy da Deloitte

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
10 de setembro de 2026 18H00
Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

2 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
10 de setembro de 2026 12H00
Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução