Inovação & estratégia
3 minutos min de leitura
Oferecido por:

Startups e legado: por que a inovação aberta ganhou espaço na modernização tecnológica das grandes empresas

Enquanto a maioria das empresas não pode se dar ao luxo de substituir sistemas críticos da noite para o dia, startups vêm assumindo um papel estratégico na construção de uma transformação tecnológica mais rápida, modular e segura.
Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI e líder do TQI Ventures, projeto de inovação aberta da companhia.

Compartilhar:

Durante muito tempo, a discussão sobre modernização de sistemas legados ficou concentrada dentro das áreas de infraestrutura e arquitetura corporativa. Era um tema associado a grandes projetos internos, ciclos longos de implementação e decisões restritas aos times de tecnologia. Nos últimos anos, porém, esse cenário começou a mudar com a entrada mais forte das startups no ecossistema de transformação tecnológica das grandes organizações.

O movimento acontece em um contexto em que essas organizações passaram a conviver simultaneamente com duas pressões. De um lado, a necessidade de preservar ambientes críticos que sustentam operações financeiras, logísticas, industriais e de telecomunicações. De outro, a demanda crescente por velocidade, integração com cloud, uso de dados em tempo real e adoção de inteligência artificial.

Nesse cenário, startups ganharam relevância por trazer modelos mais especializados e ciclos de desenvolvimento mais rápidos, atuando em áreas como automação, observabilidade, integração de sistemas, APIs, IA aplicada e modernização de arquitetura. Em vez de substituir integralmente estruturas existentes, muitas dessas empresas passaram a ocupar um papel complementar dentro da evolução tecnológica das grandes companhias.

O avanço da inovação aberta ajuda a explicar esse movimento. Segundo a pesquisa “Open Innovation Report Brasil 2024”, produzida pela Distrito, 94% das grandes empresas brasileiras já mantêm relacionamento com startups. Entre os principais objetivos estão aceleração da transformação digital, ganho de eficiência operacional e acesso mais rápido a novas tecnologias.

A modernização de sistemas críticos aparece diretamente dentro dessa agenda. Ambientes legados seguem sendo responsáveis por grande parte das operações de empresas em setores altamente regulados. Dados de mercado indicam que uma parcela relevante das aplicações de missão crítica ainda opera em ambientes de mainframe, refletindo a dependência dessas plataformas em setores como o financeiro.

A convivência entre sistemas históricos e novas demandas digitais criou espaço para soluções mais modulares e especializadas. A modernização de sistemas legados passou a exigir maior capacidade de adaptação, velocidade de execução e integração entre diferentes modelos de inovação. O desafio das grandes organizações já não se limita à adoção de novas tecnologias, mas envolve também a capacidade de integrá-las sem comprometer estruturas que continuam sustentando operações críticas.

Inovação aberta aproxima velocidade e ambientes críticos

Ao contrário do que acontecia há alguns anos, grandes organizações passaram a enxergar inovação aberta menos como um laboratório paralelo e mais como um mecanismo de aceleração tecnológica. Isso alterou a relação entre corporações e startups, principalmente em setores como financeiro, seguros, saúde e logística.

Parte importante desse avanço está ligada à mudança de abordagem na modernização de sistemas. Em vez de projetos extensos de substituição completa, muitas empresas passaram a trabalhar com jornadas progressivas de transformação, incorporando soluções externas para resolver problemas específicos de integração, monitoramento, eficiência operacional e uso de dados.

Esse modelo também reduz riscos. Estruturas críticas continuam operando enquanto novos componentes digitais são integrados gradualmente ao ambiente corporativo. A estratégia permite acelerar ganhos de eficiência sem comprometer continuidade operacional.

Outro fator relevante é a evolução da própria maturidade das startups B2B no Brasil. Nos últimos anos, o ecossistema evoluiu para oferecer soluções mais aderentes às necessidades de grandes corporações, com foco em segurança, compliance, escalabilidade e integração com ambientes complexos.

A tendência é que essa aproximação continue avançando nos próximos anos, principalmente porque a pressão por modernização tecnológica se intensificou. O uso crescente de IA, aplicações em nuvem e modelos orientados a dados exige arquiteturas mais flexíveis e conectadas. Ao mesmo tempo, poucas empresas podem interromper operações críticas para promover mudanças radicais em seus ambientes de TI.

Nesse contexto, startups passaram a ocupar um espaço relevante na modernização de sistemas legados, apoiando grandes organizações na aceleração de entregas, na redução do tempo de implementação e na incorporação de novas capacidades tecnológicas em ambientes que precisam operar com estabilidade. Essa dinâmica reflete uma mudança mais ampla no desafio enfrentado pelas corporações, que hoje envolve não apenas a adoção de novas tecnologias, mas a capacidade de integrá-las de forma eficiente a estruturas críticas já existentes, conciliando adaptação, velocidade de execução e continuidade operacional.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Liderança
14 de setembro de 2026 08H00
Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

Oferecido por:
11 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 17H00
Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
13 de setembro de 2026 14h00
Os movimentos recentes de Art’G e Belmont Emeralds revelam estratégias de geração e captura de valor

Adriana Salles Gomes

Oferecido por:
0 min de leitura
Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 08H00
Enquanto os ciclos tecnológicos se tornam cada vez mais curtos, organizações enfrentam um desafio permanente: transformar inovação em resultados concretos e que gere valor para o negócio no longo prazo.

Andréia Rengel - CEO e sócia da AMcom

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
12 de setembro de 2026 14H00
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, o people analytics permite que o RH amplie sua influência nas decisões corporativas.

Gabriela Resende - Diretora de Operações de Recursos Humanos da Propay

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de setembro de 2026 14H00
Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Marta Ferreira

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
11 de setembro de 2026 08H00
Mais do que dominar ferramentas, o desafio da liderança passou a ser tomar decisões, engajar pessoas e construir crescimento em um ambiente de incerteza permanente.

Eduardo Raffaini - Sócio-líder de Soluções de Strategy da Deloitte

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
10 de setembro de 2026 18H00
Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
10 de setembro de 2026 12H00
Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

Oferecido por:
10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução