Empreendedorismo, Comunidades: CEOs do Amanhã
Oferecido por:

Você é parte da solução na desigualdade brasileira

Entenda a realidade do Brasil a fundo e verifique as potencialidades e sinergias que existem em seu negócio para promover impactos positivos na sociedade
Entusiasta de juventudes e empreendedorismo social, gerente de programa na Enactus Brasil, fellow na Social Good Brasil e Conselheiro Nacional da Juventude. Faz parte da comunidade Young Leaders.

Compartilhar:

Mais de 50 milhões de brasileiros estão em situação de pobreza, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde sempre, o senso comum nos diz que o Brasil é um país desigual, mas esse número ainda me assusta. Porém, o que de fato é pobreza?

Além de pensar na parte puramente financeira, uma palavra-chave que ajuda nessa definição é [acesso](https://www.revistahsm.com.br/post/trabalho-e-as-barreiras-de-acesso). Pessoas em [situação de pobreza carecem de acesso](https://www.revistahsm.com.br/post/sistema-b-certifica-o-impacto-positivo) a diferentes recursos, como saneamento básico, informações, tecnologia, oportunidades, condições de trabalho, saúde e educação de qualidade. E por que essas pessoas em situação de pobreza simplesmente não se esforçam mais e saem dessa situação?

Porque há um mecanismo chamado armadilha da pobreza (*poverty trap*), criada quando um sistema econômico requer uma certa quantidade de capital para que pessoas saiam da linha de pobreza. Contudo, o problema é que os indivíduos não têm esse capital – ou não conseguem acessá-lo –, criando um ciclo de pobreza que se reforça ao longo do tempo. Uma família pode quebrar essa armadilha, por exemplo com economias, planejamento financeiro e meios fornecidos por terceiros, de forma a conseguir emprego e capital.

A questão é que as pessoas do lado esquerdo do gráfico abaixo (zona de pobreza) normalmente possuem mais obrigações e estresse, além de menos dinheiro e tempo. Isso acarreta consequências diretas, como uma alimentação pior, o aumento do risco de doenças e mais gastos com medicamentos e médicos, o que dificulta drasticamente a saída dessa situação por meio de seus próprios esforços.

![gráfico linha pobreza](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/2PkhG2sTu11S1rGdGCy1D2/cd3e1581d9ce69877090676f6846a42d/gr__fico_linha_pobreza.png)
Fonte: [The S-Shaped Curve and the Poverty Trap Source](https://www.researchgate.net/figure/The-S-Shaped-Curve-and-the-Poverty-Trap-Source-Banerjee-and-Duflo-2011_fig5_335734566): Banerjee and Duflo 2011

Na prática, essas pessoas precisam de algum auxílio, como financeiro ou matéria-prima, por um intervalo de tempo para passarem ao lado direito do gráfico. Se o fizerem, tendem a ficar mais ricas e ascender. Entretanto, se o plano falhar, ficarão dependentes desse auxílio, podendo até afundar em uma espiral de pobreza.

O Brasil está na 60ª posição de 82 em um ranking de mobilidade social divulgado pelo [Fórum Econômico Mundial](https://www.weforum.org/reports/global-social-mobility-index-2020-why-economies-benefit-from-fixing-inequality), ou seja, é extremamente difícil ascender socialmente no país, caso você não seja de uma família que já tenha dinheiro. Com isso, apresento algumas reflexões:

Quais e quantas decisões corretas foram tomadas para nós?
Quanto mais pobre você for, menos você se beneficia de “decisões corretas tomadas para você” por pessoas e instituições. Um exemplo pode ser a falta de acesso a água encanada, ou seja, há pessoas que deixam de se beneficiar com o cloro e o flúor colocados no abastecimento de água, uma decisão tomada por terceiros.

### Quais informações são “triviais”?
Há uma carência de informações críticas pela população pobre ou uma crença em questões não verdadeiras, como a incerteza sobre os benefícios da vacinação infantil, a baixa percepção de valor nos aprendizados durante os primeiros anos escolares ou a falta de conhecimento sobre o que políticos fazem quando exercem seus cargos.

### O mercado possui interesse em você?
A falta de acesso a alguns mercados ou preços desfavoráveis é um grave desafio enfrentado por pessoas pobres. Caso tenham a sorte de possuir uma conta bancária, provavelmente obtêm uma taxa de rendimentos negativa de suas poupanças e pagam taxas exorbitantes sobre seus empréstimos – e isso sem falarmos dos produtos e serviços que não conseguem acessar.

### Como o potencial de sua organização é afetado pelos 3 I’s: ideologia, ignorância e inércia?
Diversas iniciativas e políticas falham ou não têm o efeito que deveriam, pois partem de pressupostos falhos. Segundo Banerjee e Duflo, autores do livro *Poor Economics*, ideologia é um dos três “I” culpados pelo fracasso de boa parte das políticas de desenvolvimento, seguidos de ignorância e inércia. Um exemplo de ideologia pode ser partir da premissa “os pobres são preguiçosos”, o que acarreta ignorância por parte dos tomadores de decisão e, consequentemente, gera inércia para entregarem soluções efetivas.

Os autores criticam de forma suave economistas, políticos, ONGeiros e tantas outras pessoas que procuram a “bala de prata”, um remédio para os grandes problemas sociais do mundo. Eles adotam uma postura mais humilde ao observar, escutar, perguntar e buscar entender não só “o que”, mas “porque” algumas coisas são faladas pelas pessoas. A partir disso, fazem estudos e direcionam soluções aos problemas sociais.

### Com quais expectativas e perguntas você nutre seu ambiente?
Expectativas quanto a capacidade das pessoas podem virar “profecias autorrealizáveis”. Exemplo: crianças desistindo da escola quando professores (e às vezes até seus pais) dão sinais de que elas não são inteligentes o suficiente; microempreendedores de baixa renda que não se esforçam para pagar suas dívidas, pois já é esperado que se endividem rapidamente; políticos que ninguém espera um desempenho decente não têm incentivo para tentar melhorar as condições de vida das pessoas.

## Reflexões finais
Hoje trabalho na Enactus ajudando a fomentar o empreendedorismo social em diversas IES brasileiras, potencializando talentos universitários no engajamento com comunidades em situação de vulnerabilidade social. Ao sentirem a dor de quem enfrenta problemas sociais complexos e tentarem solucionar alguns destes desafios, os universitários devem se formar como líderes empreendedores, além de agregarem valor social, econômico e ambiental.

Esses jovens buscam empresas coerentes que fazem (ou farão) pessoas e planeta prosperarem. Acredite, eles não são os únicos. Cada empresa possui diferentes stakeholders e respectivas interações com eles, todos fazendo parte da mesma sociedade. Aproveite que ainda dá tempo e coloque sua organização para servir ao mundo.

Entenda como as [potencialidades e sinergias que existem em seu negócio](https://www.revistahsm.com.br/post/sua-lideranca-e-inclusiva) podem trazer impacto positivo. Crie ambientes de compartilhamento, trazendo pessoas de outras realidades e setores que ajudarão no entendimento de contextos, fazendo com que melhores perguntas sejam formuladas.

Pessoalmente, fico feliz ao ver as empresas mais interessadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mas, ao mesmo tempo, me preocupo com a superficialidade de conhecimento e ações em relação à agenda 2030 no dia a dia.

A partir disso, desafio você a refletir sobre como está se preparando e praticando para ser parte da solução. Para ajudar, siga a tríade: cabeça, coração e mãos. A “cabeça” significa ciência, repertório, evidência; o “coração”, idealismo, propósito, causas; as “mãos”, ações. Não se deixe enganar pelas iniciativas de sua organização, pequenas mudanças podem ter grandes efeitos para ascendermos enquanto sociedade.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Oferecido por:
Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

Oferecido por:
12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 14H00
Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

Rodrigo Miluzzi - Diretor de Operações do Grupo Mabu

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 08H00
A partir de uma conversa com Rogério Almeida, principal executivo do Cristália, este artigo discute como investimentos de longo prazo em pesquisa, tecnologia e capacidade produtiva podem contribuir para a construção de maior autonomia científica e industrial no Brasil.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

Oferecido por:
23 minutos min de leitura
Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

Oferecido por:
13 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

Oferecido por:
12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução