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5 verdades inconvenientes sobre comportamentos corporativos

Algumas questões corporativas são sempre comentadas, porém também acobertadas. Elas precisam vir à tona para que o debate seja efetivo e solucione como essas verdades poderiam ser tratadas com mais transparência e autenticidade
Alexandre Waclawovsky, o Wacla, é um hacker sistêmico, especialista em solucionar problemas complexos, através de soluções criativas e não óbvias. Com 25 anos de experiência como intraempreendor em empresas multinacionais de bens de consumo, serviços e entretenimento, ocupou posições de liderança em marketing, vendas, mídia e inovação no Brasil e América Latina. Wacla é pioneiro na prática da modalidade Talento sob Demanda no Brasil, atuando como CMO, CRO e Partner as a Service em startups e empresas de médio porte, desde 2019. Atua também como professor convidado em instituições renomadas, como a Fundação Dom Cabral, FIAP e Miami Ad School, além de autor de dois livros: "Guide for Network Planning" e "invente o seu lado i – a arte de

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Esses dias, me perguntaram sobre o que era “O lado i” e, no caso de você não me acompanhar desde o início, vale relembrar como nasceu essa coluna, um livro e um podcast (já na sua 4ª temporada).

O lado i é aquele lado inquieto, insatisfeito, inconformado e inovador, mas não necessariamente visível das pessoas que fazem a diferença por onde passam. Expressar o lado i é desafiador, afinal, inovar e intraempreender gera desconforto e nem todos os ambientes são favoráveis a isso.

Senti isso na pele ao longo de 25 anos intraempreendendo em grandes empresas. Na maioria do tempo me sentia solitário em tentativas de propor o novo ou o diferente, mas aos poucos fui identificando outras pessoas com a mesma motivação. Criei “O lado i”, como um convite para reunir essas pessoas e formarmos uma comunidade, fortalecendo assim aqueles e aquelas que se veem sozinhos e sozinhas, mas não estão.

Nesse mês, apresento cinco verdades inconvenientes, que acabam sendo escondidas embaixo dos tapetes corporativos, mas são comentados, sem nenhuma moderação, naqueles papos de corredor, café ou almoço.

A intenção é trazê-las à tona e provocar uma discussão construtiva sobre como podemos trazer essas verdades para cima da mesa e tratá-las com mais transparência e autenticidade, removendo aquelas barreiras invisíveis que se impõe entre uma iniciativa ou ideia promissoras e seu fracasso ou demora injustificados.

Preparado e preparada? Então, vamos lá:

## 1 – Colaboração é política
Uma palavra usada sem nenhuma moderação no dia a dia das empresas, mas que disfarça uma realidade inconveniente. A colaboração, na maioria das vezes tem conotação política. Sim, isso mesmo que você leu. Política.

Repare que o termo colaborar, geralmente, envolve uma troca ou uma negociação e se parece bastante a uma prática política comum no congresso nacional. Você consegue citar exemplos de colaboração sem alguma concessão ou interesse envolvido? Em 25 anos de vida corporativa, especialmente, em posições de liderança, sempre havia uma barganha em troca de colaboração.

Afinal, colaborar se converteu num jogo de concessões e contrapartidas, exatamente, como acontece na política e não é à toa, que uma boa liderança, geralmente, é comparada a um bom político, que faz alianças e negocia bem seus caminhos. Quantas vezes vemos líderes sendo promovidos não pelo “o que”, mas sim pelo “como fazem”.

Mas acredite, colaborar pode ser um ato de apoio incondicional e sem contrapartidas. Você faz apenas por acreditar que está ajudando alguém, sem pensar em qual benefício aquilo vai gerar para você, sua carreira, seu status ou sua área. Experimente e surpreenda-se com a potência de uma colaboração genuína e sem interesses, bastante praticada no ecossistema startup.

## 2 – Gostamos de transformar, mas não de fazer parte da transformação
Se fizesse uma pesquisa em qualquer empresa, antes da pandemia, sobre transformação digital a resposta seria massiva a favor de mudanças urgentes e imediatas, mas ao longo de 15 anos liderando transformações digitais, acompanhei muitas declarações favoráveis a mudanças em outras pessoas ou áreas, mas bastante resistência em fazer parte dessa mesma mudança.

Mudar os outros é muito mais fácil do que assumir que precisamos evoluir e mudar também e esse comportamento vem desde nossos tempos primitivos. Buscamos o consenso e o conforto por natureza e padrão. Note que gerar desconforto sem fazer parte dele é fácil, enquanto sentir seus efeitos, nos leva a um estado de questionamento e muitas vezes negação.

Gosto sempre de citar o filósofo Zygmunt Bauman que disse que vivemos tempos líquidos, onde nada é para durar. Conforme-se! A velocidade das transformações só vai aumentar, logo é preciso estar em constante evolução e transformação. O termo “life long learning”, ou aprendizado contínuo, diz muito sobre como devemos encarar esse mundo que teima em seguir nos surpreendendo. Seguir em curiosidade e aprendizado constante.

Lutar contra a maré é perda de tempo e energia. Como diria o mestre Yoda, de *Star Wars*: “Fazer parte da transformação é preciso”.

## 3 – Somos bons de briga, mas ruins de debate
Em um artigo recente, publicado no Estadão, Leandro Karnal falou sobre esse tema, que é outra verdade inconveniente e cada vez mais praticada em uma cultura mais digital e superficial.

Em uma cultura de abundância de informações, deixamos de buscar a profundidade de conhecimento, para tomarmos notícias de fontes duvidosas ou mesmo passar a interpretar manchetes, como grandes conhecedores de algum tema.

Ao primeiro questionamento do “por que?”, tendemos a sair da zona racional e buscar argumentos emocionais que desqualificam a quem nos questiona. Quantas vezes você não rebateu alguma crítica desqualificando a quem a fez, usando de argumentos pessoais, como: ele(a) é pouco preparado(a) ou tem um passado assim ou assado?

É verdade que somos inundados por incontáveis estímulos, mas vale refletir sobre nossas opiniões e buscar mais embasamento ou ter a humildade de dizer apenas, não sei ou preciso me informar melhor sobre esse tema.

Exercer a vulnerabilidade de dizer não sei ou ouvir os outros mais, desapegados de certezas mobilizadoras, pode ser um grande passo para mais entendimento, acolhimento da diversidade de pensamentos e da colaboração ativa.

## 4 – Temos dificuldade para expressar o que não gostamos ou do que discordamos
Esse é um clássico cultural de quem é brasileiro ou brasileira. Repare que temos muita, mas muita dificuldade em confrontar ou desagradar a alguém. Duvida? Explico. Você encontra um(a) conhecido(a) em um evento qualquer que não via há um bom tempo. Papo vai e logo vem e logo surge a clássica: “Puxa! Precisamos marcar um almoço ou café. Vamos combinar?”.

Já saí de eventos com 23 cafés ou almoços combinados que nunca aconteceram. Quer outro exemplo? Aparece um imprevisto de última hora e você precisa adiar um encontro ou reunião. Enquanto na maioria dos países as pessoas ligam ou enviam uma mensagem de desculpas pedindo para cancelar ou adiar o compromisso, no Brasil vamos gastar um tempo pensando numa justificativa para nos explicar (e, que geralmente, é uma mentira).

Não é à toa, que nos surpreendemos com a honestidade direta e muitas vezes dura (para nós) de outras culturas. Temos dificuldade em dizer o que pensamos e isso muitas vezes adia ou posterga resoluções de problemas. Quantas vezes na sua carreira, um feedback não dado gerou mais trabalho e prejudicou a pessoa, do que se tivesse sido dado?

Nos quase 10 anos que trabalhei numa empresa inglesa, ouvi diversas vezes sobre a dificuldade que os brasileiros tinham sobre ir direto ao ponto e ficavam criando justificativas para dar uma notícia, quando ela não era boa.

Não disse que seria fácil, mas vale refletir sobre essa prática. Ir direto ao ponto pode ser mais duro, mas economiza tempo e ajuda a todos os envolvidos.

## 5 – Inovar e intraempreender tem a ver com ineficiência
Sim, acredite! Desconheço alguma invenção ou inovação que não custou muito suor e “n” tentativas frustradas até ficar redonda para um teste ou lançamento.

Os padrões da era industrial nos moldaram a buscar a eficiência absoluta, que se caracterizam pela padronização, processos, repetição e zonas de conforto nos negócios, onde o perfeito e a eliminação de riscos sempre foi o desejável.

Claro, que para um novo medicamento ou para uma turbina de avião precisamos minimizar ou eliminar qualquer risco, afinal vidas estão em jogo, porém, para um novo serviço ou produto, onde não há vidas em jogo, precisamos do mesmo rigor? Na minha opinião, não. E é por isso que não vemos mais inovações, como poderíamos ver.

Deixo a provocação: seguir nesse padrão em um mundo líquido e em constante evolução faz sentido? Na minha opinião, não. Enquanto uma empresa pensa, analisa e investe milhões em testes empíricos, uma startup idealiza, monta um protótipo e teste pequeno, mas na prática.

Ser ineficiente, portanto, não é ruim, necessariamente, mas sim um passo mais curto entre o pensamento e a realização.

Entendo que para aqueles(as) que tem na previsibilidade um mantra sagrado, esse contexto não é nada confortável, mas acostume-se, afinal a inteligência artificial vai abarcar os temas mais operacionais e processuais, cabendo a nós assumirmos mais riscos e ativar nossa criatividade em outro patamar.

Como você está se sentindo? Incomodado e desconfortável? Que bom! Essa era a ideia.

Acredito que essas e outras verdades inconvenientes virão mais e mais à superfície, à medida que nos tornarmos mais vulneráveis e honestos. Basta expandirmos as mesmas conversas, que sempre tivemos nos pequenos círculos de confiança, onde essas verdades são ditas, para os palcos ou rodas maiores.

Um mundo de negócios menos artificial e midiático tem tudo para gerar mais engajamento e conexões.

Para mais exemplos de lideranças que dizem o que precisa ser dito e tem coragem de colocar o elefante na mesa, convido você a conferir o videocast [“O lado i”](https://open.spotify.com/show/25yLJw8sWtrrR3v1TwuPY0?si=0e57eb122a8c4f4e).

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Alexandre Waclawovsky, o Wacla, é um hacker sistêmico, especialista em solucionar problemas complexos, através de soluções criativas e não óbvias. Com 25 anos de experiência como intraempreendor em empresas multinacionais de bens de consumo, serviços e entretenimento, ocupou posições de liderança em marketing, vendas, mídia e inovação no Brasil e América Latina. Wacla é pioneiro na prática da modalidade Talento sob Demanda no Brasil, atuando como CMO, CRO e Partner as a Service em startups e empresas de médio porte, desde 2019. Atua também como professor convidado em instituições renomadas, como a Fundação Dom Cabral, FIAP e Miami Ad School, além de autor de dois livros: "Guide for Network Planning" e "invente o seu lado i – a arte de

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