Inovação & estratégia, ESG
3 minutos min de leitura
Oferecido por Eccaplan

A transição climática será tecnológica, mas não acontecerá sem pessoas

A tecnologia tem papel decisivo na aceleração da agenda climática, mas a mudança acontece quando informações se transformam em escolhas. Entre indicadores, investimentos e decisões estratégicas, são as pessoas que continuam definindo o ritmo e a profundidade da transformação sustentável.
CEO da Eccaplan, engenheiro pela Unicamp, mestre pela USP e MBA pela FGV, Fernando é especialista em mercado de carbono e mudanças climáticas. Com mais de 20 anos de experiência, criou soluções como CarbonFair, CO₂ Neutro e Sou Resíduo Zero. Membro do Climate Reality Project, atua na transição para uma economia de baixo carbono e na implementação de estratégias Net Zero em empresas e eventos, sendo referência em sustentabilidade e inovação climática.

Compartilhar:

Em 2008, quando fundei a Eccaplan, ainda como startup no centro de inovação da USP, medir as emissões de uma empresa era um trabalho de meses: coletar notas de combustível e energia, organizar planilhas e validar cada número. Hoje, a mesma medição requer menos da metade daquele tempo. 

Depois de 18 anos nessa estrada, aprendi a analisar com cautela esse ganho de velocidade. Estamos ficando melhores em medir, não necessariamente em transformar. 

Um inventário funciona como diagnóstico, passo inicial, mas não é o tratamento. Nenhuma tonelada de CO₂ deixa de ser emitida porque foi calculada com precisão. A descarbonização começa quando o dado sai da tela e chega a alguém com poder de decisão: compras muda critérios de fornecedores, operação redesenha um processo, liderança assume que a meta climática exige dinheiro, tempo e contratos revistos. 

Nenhum software convence um diretor financeiro a investir em algo cujo retorno aparece em décadas, negocia com fornecedor resistente ou escolhe entre prioridades que disputam orçamento. 

É entre o dado e a decisão que está um dos grandes gargalos da agenda climática. Esse gargalo exige mais do que tecnologia: é preciso gente preparada para interpretar, decidir e agir. 

Formação, não só ferramenta 

A próxima fronteira dessa agenda não é unicamente tecnológica, mas humana, e começa na formação. Não adianta treinar equipe para operar painel de indicadores sem entender o que está por trás das cifras: de onde vêm os recursos, quais territórios são afetados, quem está mais exposto a uma crise que não causou. 

As pessoas preparadas para liderar essa transição dominam metodologias e mantêm uma conexão com a natureza. Entendem que informação é representação da realidade, não a realidade em si. Nenhum algoritmo responde a essas perguntas. 

Há ainda uma dimensão importante: os efeitos da crise climática são distribuídos de forma desigual, mesmo entre quem menos contribuiu para causá-la. Uma agenda climática consistente leva essa desigualdade em conta. A tecnologia ajuda a medir e orientar respostas, mas não determina quais alternativas são socialmente mais justas. 

A tecnologia acelera a transição, dá escala às soluções e habilita processos como a economia circular e a aplicação de ações sustentáveis eficazes. Por outro lado, ela também amplia a pressão sobre os recursos que precisamos proteger. Por isso, quem desenvolve, analisa, implementa e usa essas ferramentas também é responsável pelos resultados. Detalhamos alguns desses gargalos no nosso blog. 

Organizo minha vida profissional há quase duas décadas em torno de uma convicção simples: tecnologia organiza informação e dá escala, mas são as pessoas que transformam informação em decisão, e decisão em ação real. 

A métrica mais importante de uma estratégia climática não está centrada unicamente numa plataforma, mas no que cada organização faz com os dados que aparecem na tela.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Por que alguém ensinaria a IA a fazer o próprio trabalho?

Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ter mais robôs já não é suficiente

Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Inovação & estratégia, ESG
14 de outubro de 2026 14H00
A tecnologia tem papel decisivo na aceleração da agenda climática, mas a mudança acontece quando informações se transformam em escolhas. Entre indicadores, investimentos e decisões estratégicas, são as pessoas que continuam definindo o ritmo e a profundidade da transformação sustentável.

Fernando Beltrame - CEO da Eccaplan

Oferecido por Eccaplan
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
14 de outubro de 2026 08H00
Quando a Nintendo rompeu uma parceria estratégica com a Sony diante do mundo inteiro, o que parecia uma derrota humilhante tornou-se o ponto de partida para uma das maiores inovações da história dos negócios. Um caso exemplar de como líderes podem transformar atrito, oposição e conflito em crescimento.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

9 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
12 de outubro de 2026 18H00
Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de outubro de 2026 14H00
Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
12 de outubro de 2026 08H00
Por muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.

André Tourinho - Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução