Inovação & estratégia
4 minutos min de leitura

74% das empresas consideram a cibersegurança de terceiros muito importante

A porta de entrada para um incidente cibernético nem sempre está dentro da organização. Em muitos casos, ela pode estar em um parceiro, prestador de serviço ou fornecedor com acesso a sistemas, dados e processos críticos. O artigo explora por que a gestão de terceiros se tornou um dos principais desafios da segurança digital contemporânea.
Sócio e CRO da área de Gestão de Terceiros da Bernhoeft. Formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Pernambuco e com MBA em Gestão de Projetos pela Fundação Getulio Vargas, atua há mais de 15 anos no setor e participou da implementação de programas de Gestão de Terceiros em mais de 70 empresas.

Compartilhar:

A cibersegurança deixou de ser uma preocupação restrita aos sistemas internos das empresas. À medida que as operações se tornam mais dependentes de fornecedores, prestadores de serviços, sistemas e infraestruturas externas, parte do risco digital também passa a existir fora dos limites da própria organização.

Segundo a Pesquisa de Mercado de Gestão de Terceiros e Fornecedores da Bernhoeft 2025, cerca de 74% das empresas consideram a cibersegurança de terceiros muito importante. O dado mostra que a avaliação de riscos de fornecedores já não pode se limitar a questões trabalhistas, documentais, financeiras ou de compliance. A segurança da informação também precisa fazer parte dessa análise.

O cenário internacional reforça essa preocupação. O Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial, mostra que as dependências de terceiros e da cadeia de fornecedores estão entre os principais desafios enfrentados pelas organizações em relação à resiliência cibernética. Entre CEOs de organizações consideradas altamente resilientes, 78% apontam essas dependências como o principal desafio para ampliar ainda mais sua resiliência. Nesse grupo, 70% integram segurança ao processo de compras e 59% priorizam avaliações da maturidade dos fornecedores.

Na América Latina e no Caribe, outro dado chama a atenção: 69% dos CEOs consultados afirmam que suas organizações não dispõem das competências necessárias para atingir seus atuais objetivos de cibersegurança.

Os números expõem um desafio que vai além da tecnologia. As empresas ampliaram seu perímetro digital por meio de terceiros, mas nem sempre ampliaram, na mesma velocidade, o perímetro da gestão de riscos.

Um fornecedor pode acessar dados pessoais, sistemas internos, infraestrutura tecnológica ou processos essenciais para o funcionamento de uma companhia. Nesse contexto, uma vulnerabilidade em um parceiro pode se transformar em uma vulnerabilidade para toda a cadeia. A porta de entrada para um incidente nem sempre está no sistema principal da organização, mas pode estar em um fornecedor com controles menos robustos ou que não são suficientemente conhecidos no momento da contratação.

Essa é uma das razões pelas quais a avaliação precisa começar antes do início da relação. Certificações como a ISO 27001 e requisitos relacionados à LGPD podem fazer parte dos critérios utilizados na avaliação de terceiros, mas a análise não deve se resumir à existência de uma certificação ou de uma cláusula contratual. É preciso entender quais dados serão acessados, quais sistemas estarão envolvidos, quais controles existem e qual seria o impacto para a operação caso aquele fornecedor fosse comprometido ou ficasse indisponível.

E esse risco não permanece estático depois da assinatura do contrato. Sistemas, processos, equipes, acessos e até o grau de dependência de determinado fornecedor podem mudar ao longo da prestação do serviço. Uma relação classificada de uma forma no momento da homologação pode assumir outro nível de criticidade meses depois.

Por isso, nem todos os terceiros devem ser acompanhados da mesma maneira. Um parceiro que acessa dados pessoais, sistemas críticos ou executa uma atividade essencial para o negócio exige uma análise diferente daquela aplicada a um fornecedor sem acesso a informações sensíveis ou ambientes relevantes para a operação. Classificar a cadeia por nível de risco ajuda a direcionar recursos e aprofundar o acompanhamento justamente onde uma falha pode gerar maior impacto.

É aqui também que a cibersegurança e a continuidade operacional se encontram.

Um incidente envolvendo um terceiro não precisa resultar em vazamento de dados para causar prejuízos. A indisponibilidade de um fornecedor responsável por tecnologia, infraestrutura ou um processo crítico pode interromper sistemas, comprometer o atendimento ao cliente ou paralisar uma etapa essencial da operação. Portanto, conhecer a exposição digital da cadeia significa também compreender de quais terceiros o negócio depende para continuar funcionando.

Essa responsabilidade não deve ficar restrita à área de tecnologia. Segurança da informação, compras, jurídico, compliance, gestão de terceiros e as áreas responsáveis pelos contratos possuem diferentes partes da informação necessária para compreender a exposição de cada fornecedor. O desafio é transformar essas informações dispersas em uma visão integrada da cadeia.

A tecnologia pode apoiar esse processo ao organizar dados sobre fornecedores, contratos, acessos e avaliações, permitindo identificar terceiros críticos, acompanhar mudanças na relação e estabelecer prioridades de reavaliação. Mas tecnologia, sozinha, não substitui governança. É a combinação entre informação, critérios de risco e acompanhamento contínuo que permite sair de uma lógica apenas reativa.

A cibersegurança, portanto, precisa ser entendida como parte da governança de terceiros, e não apenas como uma exigência incluída no contrato. Mais do que criar novas barreiras, o desafio está em gerar visibilidade sobre onde estão os riscos, quais fornecedores representam maior exposição e como priorizar ações de mitigação.

Quanto maior a dependência de terceiros, maior a necessidade de incorporar essas informações à gestão de riscos. A expansão das cadeias de fornecedores ampliou também o perímetro que as organizações precisam conhecer e acompanhar.

Por isso, talvez a pergunta já não seja apenas se a empresa está protegida. É preciso saber quanto ela conhece sobre a exposição criada pelos terceiros dos quais depende e quão preparada está para continuar operando caso um elo crítico da cadeia seja comprometido. Afinal, o risco pode não estar dentro de casa, mas suas consequências podem chegar até ela.

Compartilhar:

Artigos relacionados

74% das empresas consideram a cibersegurança de terceiros muito importante

A porta de entrada para um incidente cibernético nem sempre está dentro da organização. Em muitos casos, ela pode estar em um parceiro, prestador de serviço ou fornecedor com acesso a sistemas, dados e processos críticos. O artigo explora por que a gestão de terceiros se tornou um dos principais desafios da segurança digital contemporânea.

IA como álibi das decisões não pensadas

Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

O problema não começa no canteiro. Só fica visível nele.

Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Executivos estão estudando contabilidade para chegar ao C-level. Eu fiz o caminho inverso.

O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Direito, Regulação & Compliance, Liderança
31 de outubro de 2026 15H00
A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

André Naves - Defensor Público Regional de Direitos Humanos em SP, Comendador Cultural, Escritor e Professor

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
31 de outubro de 2026 08H00
Conselhos, mentorias, projetos estratégicos, participações societárias e posições temporárias estão redesenhando o papel dos executivos mais experientes.

Renata Fabrini - Sócia-fundadora da Plongê

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de outubro de 2026 15H00
O artigo reflete sobre os riscos das chamadas “câmaras de eco algorítmicas” e sobre o papel da IA na construção de decisões mais robustas e menos complacentes.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA do Brasil

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
30 de outubro de 2026 08H00
Ferramentas generativas estão acelerando a produção de conteúdo nas áreas de comunicação e relações públicas. O desafio é que rapidez não substitui contexto, discernimento nem responsabilidade.

Ana Paula Soares - Diretora-fundadora da Encaso Comunicação

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
29 de outubro de 2026 15H00
Pesquisas recentes indicam que o envelhecimento biológico pode ser medido, acompanhado e, em determinadas dimensões, influenciado. A partir dessa nova compreensão, cresce o interesse por abordagens capazes de identificar riscos precocemente e promover trajetórias de saúde mais duradouras ao longo da vida.

Natalia Gonçalves - Superintendente Pesquisa & Desenvolvimento e Diretora Instituto de Ensino e Pesquisa (IEPD) da Dasa

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
29 de outubro de 2026 08H00
A evolução da manutenção preditiva está levando a inteligência artificial para além da detecção de falhas. Sistemas multiagentes especializados começam a atuar como apoio para diferentes perfis profissionais, conectando análises técnicas, indicadores operacionais e recomendações de ação em um único fluxo de trabalho. O resultado é uma tomada de decisão mais rápida, contextualizada e alinhada às necessidades da operação.

Bernardo Murta - Principal Engineer da Dynamox

3 minutos min de leitura
Estratégia
28 de outubro de 2026 15H00
Quando compreendemos que nossas decisões impactam pessoas que ainda nem nasceram, o futuro deixa de ser uma ideia abstrata e passa a exigir compromisso concreto. A partir de uma visão inspirada nos saberes indígenas e na interdependência entre pessoas, comunidades e natureza, o texto defende a construção de respostas coletivas para problemas que exigem uma compreensão mais ampla e integrada da realidade.

Alexandre Farias Benjamim, - Sociólogo e membro do Conselho Fiscal da Sustentalli

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de outubro de 2026 08H00
A trajetória dos lubrificantes automotivos acompanha os principais marcos da indústria automotiva brasileira. Com a chegada de motores mais eficientes, exigências ambientais mais rigorosas e a expansão da eletrificação, o setor precisou inovar continuamente para atender novas demandas e permanecer relevante em um cenário de transformação da mobilidade.

Marcelo Martini - Gerente de Vendas do Aftermarket da FUCHS

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de outubro de 2026 15H00
O debate sobre videomonitoramento e inteligência artificial não se limita aos benefícios dessas ferramentas. Ele também envolve questões como governança, controle de acessos, transparência e proteção de dados. O artigo analisa como incidentes e questionamentos recentes reforçam a importância de mecanismos de supervisão capazes de garantir que tecnologias de segurança operem de forma confiável e responsável.

Afonso Morais - Fundador do escritório Pardi e Morais Consultores Jurídicos e Criador e apresentador do podcast Falando de Fraudes

6 minutos min de leitura
Estratégia
27 de outubro de 2026 08H00
Na teoria, cada contato acontece no momento certo e segue o fluxo previsto. Na prática, volume, prioridades e limitações operacionais exigem adaptações constantes. O desafio das empresas não é criar estratégias perfeitas, mas garantir que elas resistam às pressões do dia a dia sem perder seu propósito original.

Guilherme Busch - VP da Paschoalotto

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT