Inovação & estratégia
3 minutos min de leitura

Ataques inevitáveis, impacto controlável: a nova lógica da cibersegurança

A pergunta já não é mais “se” sua empresa será atacada - mas quão preparada ela está para responder quando isso acontecer. Este artigo mostra por que a cibersegurança deixou de ser um tema técnico para se tornar um pilar crítico de gestão de risco, continuidade operacional e confiança nos negócios.
CEO da Pronnus Tecnologia

Compartilhar:

Em muitos locais, a cibersegurança ainda ocupa um espaço secundário na agenda executiva. Em geral, é tratada como um tema técnico, restrito à área de TI, acionado em momentos de auditoria, atualização de sistemas ou resposta a incidentes. No entanto, essa abordagem já não reflete a realidade do ambiente digital atual. O Brasil figura entre os países mais visados por ciberataques no mundo, com centenas de bilhões de tentativas registradas anualmente.

Apenas no primeiro semestre de 2025, foram mais de 315 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos por aqui, 84% do volume total na América Latina. Embora esses números sejam frequentemente percebidos como abstratos, eles indicam a condição objetiva de que qualquer organização conectada à internet está continuamente sob tentativa de exploração, independentemente de porte ou setor.

O ponto central é que a dinâmica dos ataques mudou. Temos visto que a maior parte das investidas já não depende de ações manuais isoladas, mas de processos automatizados em larga escala, capazes de identificar vulnerabilidades, testar credenciais e explorar falhas de configuração em poucos segundos. Isso transforma o cenário de risco em algo permanente, e não mais episódico.

Nesse contexto, vetores como phishing continuam sendo amplamente utilizados, justamente por explorarem o fator humano. As campanhas atuais deixaram de ser rudimentares e passaram a incorporar técnicas de engenharia social altamente sofisticadas, muitas vezes indistinguíveis de comunicações legítimas. O resultado é que o usuário final se tornou uma das principais portas de entrada para incidentes de segurança.

Outro destaque relevante percebido nos últimos tempos é o avanço dos ataques de ransomware, que evoluíram para modelos organizados e estruturados, com impacto direto na continuidade operacional das empresas. Além da interrupção de sistemas, há consequências como perda de dados, danos reputacionais e exposição de informações sensíveis, com efeitos prolongados sobre o negócio.

Paralelamente, observo a persistência de falhas básicas de segurança, como o uso inadequado de credenciais, ausência de autenticação multifator e configurações incorretas em ambientes de nuvem. Esses fatores reforçam um ponto recorrente, a vulnerabilidade muitas vezes não está em tecnologias complexas, mas na maturidade dos processos e na disciplina operacional.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), nesse cenário, introduziu uma mudança relevante ao estabelecer responsabilidades claras sobre o tratamento de dados pessoais. No entanto, ainda é comum que sua aplicação seja interpretada sob uma ótica predominantemente formal, voltada à conformidade, quando seu verdadeiro impacto está na governança e na gestão de risco.

Nos últimos anos, soma-se a esse contexto o uso crescente de inteligência artificial por agentes maliciosos. Em 2025, quase metade dos ataques foram praticados com auxílio de IA, conforme relatório elaborado pela NTT Data. Essa tecnologia tem ampliado a eficiência dos ataques, tornando-os mais rápidos, mais personalizados e mais difíceis de detectar, o que eleva significativamente o nível de exigência das estratégias de defesa.

Diante de tudo o que está acontecendo, posso afirmar que a cibersegurança não pode ser tratada como uma função isolada ou meramente operacional. Trata-se de um componente estrutural da continuidade dos negócios, diretamente relacionado à capacidade de resposta, à governança de risco e à preservação da confiança.

O desafio das organizações está em consolidar maturidade decisória e integração entre tecnologia, processos e pessoas. Diante de ataques contínuos e altamente automatizados, a questão central não é mais evitar incidentes, mas reduzir impacto e garantir resiliência operacional diante de eventos inevitáveis.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O SaaSpocalypse chegou? Talvez a pergunta esteja errada.

A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

O cérebro é um velcro para críticas e um teflon para elogios

Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

O líder como jardineiro: a vantagem competitiva que cresce como um jardim

Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

O prêmio do julgamento na era da inteligência abundante

Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 08H00
A partir de uma conversa com Rogério Almeida, principal executivo do Cristália, este artigo discute como investimentos de longo prazo em pesquisa, tecnologia e capacidade produtiva podem contribuir para a construção de maior autonomia científica e industrial no Brasil.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

23 minutos min de leitura
Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

13 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

12 minutos min de leitura
Liderança
14 de setembro de 2026 08H00
Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

11 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 17H00
Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
13 de setembro de 2026 14h00
Os movimentos recentes de Art’G e Belmont Emeralds revelam estratégias de geração e captura de valor

Adriana Salles Gomes

0 min de leitura
Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 08H00
Enquanto os ciclos tecnológicos se tornam cada vez mais curtos, organizações enfrentam um desafio permanente: transformar inovação em resultados concretos e que gere valor para o negócio no longo prazo.

Andréia Rengel - CEO e sócia da AMcom

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
12 de setembro de 2026 14H00
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, o people analytics permite que o RH amplie sua influência nas decisões corporativas.

Gabriela Resende - Diretora de Operações de Recursos Humanos da Propay

5 minutos min de leitura
User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de setembro de 2026 14H00
Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução