Liderança, Times e Cultura

Storytelling — usando os sete tipos de histórias

A contação de histórias foi uma das responsáveis pela evolução humana ao facilitar a colaboração, e um booster bem parecido acontece no mundo do trabalho. O problema é o bloqueio das pessoas, que acreditam ter de ser absolutamente originais em seu storytelling. Este artigo oferece sete templates de histórias para destravar este booster.
__Bruno Scartozzoni__, administrador de empresas de formação, é especialista em storytelling, __Paulo Ferreira__ é preparador de palestrantes. Os dois são fundadores da StoryTalks, consultoria especializada em treinamentos de storytelling.

Compartilhar:

Contar histórias é, de certa forma, algo que as pessoas aprendem intuitivamente. Desde crianças, todos nós aprendemos a construir narrativas, seja com nossos ancestrais, com professores, amigos, livros, filmes, séries etc. Todos, em algum momento, compartilhamos histórias na mesa do bar ou na hora do café.

Em Sapiens, um de seus maiores best-sellers, o historiador Yuval Harari argumenta que a cooperação em grande escala é uma das mais importantes especialidades humanas, e que só foi possível porque humanos acreditam em histórias e as compartilham. E acontece algo igualzinho no mundo do trabalho e das empresas.

No entanto, apesar de o impacto dos bons contadores de histórias estar plenamente documentado, ainda há muitas pessoas com dificuldades em aplicar o storytelling em situações de trabalho. Por que isso acontece?

O foco corporativo sempre foi dominado por números e gráficos, pelo uso de conceitos abstratos, e é cada vez mais data-driven. Dizem que essas coisas fazem com que alguns dos instintos mais naturais dos seres humanos sejam bloqueados – e parece ser exatamente o caso com o storytelling.

Em outras palavras, as mesmas pessoas que são perfeitamente capazes de contar histórias em vários contextos, travam completamente quando estão no escritório, em uma sala de reunião ou mesmo em frente à câmera em uma apresentação remota. Muitas vezes, o problema é as pessoas acreditarem que precisam contar algo absolutamente inédito, jamais ouvido por ninguém. Resultado? Elas dizem “essa coisa de storytelling não é para mim; não tenho nenhuma história boa para contar”.

Depois de muitos anos ministrando cursos de storytelling e mentorando executivos de praticamente todas as indústrias, sabemos que essa é uma das dores mais comuns no mundo corporativo. Muitas pessoas se encantam com o storytelling, entendem seu valor como ferramenta, mas, contra todas as evidências, ainda acham que não se aplica a suas realidades. Há espaço de sobra no mundo do trabalho para impactar pessoas por meio de histórias.

Talvez um dos aprendizados mais em falta seja o seguinte: seu objetivo não é criar uma estrutura narrativa jamais vista na história da humanidade. As estruturas básicas das histórias se repetem há muitos anos, o que muda são os detalhes, as circunstâncias, as personagens, os cenários.

> Muitas vezes, o problema é as pessoas acreditarem que precisam contar algo absolutamente inédito, jamais ouvido por ninguém. Resultado? Elas dizem “essa coisa de storytelling não é para mim”

Este é o foco do jornalista e escritor inglês Christopher Booker no livro The Seven Basic Plots: Why we tell stories (em tradução livre, Os Sete Enredos Básicos: Por que contamos histórias), fruto de uma extensa pesquisa sobre os diferentes tipos de histórias que se repetem nas culturas humanas. Pessoas normais, com vidas comuns e carreiras corporativas, podem encontrar, sim, boas narrativas dentro dessas condições. Veja só:

__Vencendo o monstro – Como conseguir o sucesso quando todas as probabilidades estão contra.__

__Exemplo:__ Davi versus Golias.

A cultura brasileira adora histórias de “azarões”, pessoas que alcançam o sucesso mesmo quando não seria esperado. Sabe aquele projeto no qual sua equipe parecia menor que o tamanho das adversidades? O melhor é que elas valorizam seu esforço e o resultado.

__Vencer na vida – como conquistar aquilo que deseja mesmo tendo uma origem humilde.__

__Exemplo:__ Cinderela.

Talvez não seja o caso de todo mundo, mas certamente é o de muitos. Em um mundo que valoriza cada vez mais diversidade e inclusão, histórias assim são cada vez mais bem-vistas e até necessárias. Se encararmos a empresa como um personagem, muitas começaram em garagens e se tornaram impérios.

__A busca – __enfrentar uma série de desafios para conquistar um prêmio, geralmente acompanhado por um grupo.

__Exemplo:__ O Senhor dos Anéis.

Esse é o tipo de narrativa mais interessante para team building.

__Partida e retorno – como viajar para um lugar desconhecido e encontrar o caminho de volta para casa.__

__Exemplo:__ Alice no País das Maravilhas.

Explorar novas culturas, novos mercados, lançamentos da empresa em outro país ou numa nova região.

__Comédia – há uma grande confusão antes que tudo dê certo.

__Exemplo:____ Se beber, não case!

Tirar boas lições de momentos ruins, e é bom lembrar: não existe projeto sem erros e problemas. O que importa é como você os soluciona.

__Tragédia – personagem essencialmente bom cai em tentações que levam a sua queda.

__Exemplo:____ Breaking Bad.

Histórias da concorrência, histórias de empresas que deixaram de entender as mudanças, “pararam no tempo” e perderam relevância.

__Renascimento – personagem falho encontra um caminho de redenção.__

__Exemplo:__ Professor Snape (sub-história de Harry Potter).

Histórias de vulnerabilidade, em que uma falha ou um erro inicial é superado através do aprendizado e da experiência.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Três hipóteses para redesenhar o primeiro degrau da carreira

A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

O mito da prioridade “pra ontem” (e como não enlouquecer sua equipe)

A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Quando o BIM vira uma ilha: a lição do New York Times para a engenharia

Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de setembro de 2026 08H00
Profissionais de alto impacto já conseguem pesquisar, analisar, testar hipóteses e executar entregas com um nível de autonomia impensável há poucos anos. O problema é que muitas organizações ainda operam com estruturas, processos e planos de carreira desenhados para limitar exatamente esse potencial.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

8 minutos min de leitura
Liderança
18 de setembro de 2026 14H00
A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

3 minutos min de leitura
Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução