Marketing Business Driven

CMO fora da estratégia? Como assim!?

Muitas vezes culpam o marketing digital quando o departamento está ficando menos estratégico. Pudera: marketing não pode ficar só no operacional
Neil Patel é considerado um dos principais influenciadores da web pelo The Wall Street Journal e integrou a lista dos 100 melhores empreendedores do ex-presidente Barack Obama antes de completar 30 anos. Rafael Mayrink é CEO da NP Digital no Brasil, atua há 20 anos na área de marketing e comunicação.

Compartilhar:

Estávamos conversando esses dias com um profissional de marketing de uma grande empresa global sobre estratégia e reposicionamento de um produto muito conhecido no mercado. Para nossa surpresa, quando entramos na discussão sobre mark-up do produto, margem de contribuição, volume de vendas e outras questões, ouvi a seguinte frase: “Não participo dessas discussões. Não acompanho DRE {demonstração de resultado de exercício} nem o resultado de vendas dos produtos. Nem sequer participo das reuniões.” Isso é real, existem outros profissionais assim, os CMOs que fazem todo o trabalho de marketing, mas não sabem, de fato, o impacto disso no resultado da empresa!

Em alguns casos, a liderança de marketing nem sequer atua na estratégia. Ou seja, o marketing está virando operacional demais, mas não deveria. Se a/o CEO ou o conselho considera que o marketing é apenas execução e não estratégia, aí o problema é pior ainda.

Voltando ao conceito básico dos 4Ps, produto, preço, praça e promoção: me parece que algumas empresas acreditam que a função do marketing é apenas a execução da promoção (comunicar o produto ou serviço). Mas como é que o marketing pode atuar de forma eficaz se não entende a margem de contribuição e o objetivo real daquele produto no mix da empresa? Se não sabe se o preço está compatível com o mercado?Se não compreende qual praça precisa priorizar para conquistar mercado e/ou superar um concorrente? Não tem o menor cabimento o marketing não ser estratégico. Ninguém até hoje conseguiu me convencer do contrário. Então, se você, que é CEO, membro de conselho ou o que quer que seja, acredita que marketing só tem um papel operacional em sua organização, passou da hora de rever seus conceitos.

E você, CMO, que está atuando mais na execução do que no planejamento, também passou da hora de mudar isso. Mas é possível mudar? Sim. Como?

1 – Estude seus concorrentes.
2 – Escute seus clientes. O que eles têm a dizer da sua marca?
3 – Busque saber qual é o futuro da empresa para os próximos cinco ou dez anos.
4 – Mapeie toda a jornada do seu cliente, entendendo quais são os pontos de contato que ele tem com sua empresa – vendas, atendimento a cliente, financeiro, pós-vendas etc.
5 – Aprenda sobre finanças. Saiba ler uma DRE. Busque ter acesso
a ela, caso não tenha.

Em seguida, apresente para a liderança a conclusão do seu estudo, usando esses cinco passos. Se eles não entenderem que o marketing precisa ser estratégico, não apenas operacional, aí talvez seja a hora de você mudar, em vez de esperar que os outros mudem.

Artigo publicado na HSM Management nº 158.

Compartilhar:

Neil Patel é considerado um dos principais influenciadores da web pelo The Wall Street Journal e integrou a lista dos 100 melhores empreendedores do ex-presidente Barack Obama antes de completar 30 anos. Rafael Mayrink é CEO da NP Digital no Brasil, atua há 20 anos na área de marketing e comunicação.

Artigos relacionados

A revolução que a tecnologia não consegue fazer por você

Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Agentes de IA são apenas o começo

Em 2026 o diferencial no uso da IA não será de quem criar mais agentes ou automatizar mais tarefas, mas em quem souber construir sistemas capazes de pensar, aprender e decidir melhor no seu contexto organizacional.

Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
4 de março de 2026 06H00
As agendas do ATD26 e SHRM26 deixam claro: o ano começou exigindo líderes capazes de decidir com IA, sustentar cultura e entregar performance em sistemas cada vez mais complexos. Liderança virou infraestrutura de execução - e está em ritmo acelerado.

Allessandra Canuto - Especialista em Inteligência Emocional e Saúde Mental

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de março de 2026 15h00
O verdadeiro poder está em aprender a editar o que a tecnologia ousa criar. Em outras palavras, a era da IA generativa derruba o mito da máquina infalível e te convida para dialogar com artistas imprevisíveis.

Sylvio Leal - Head de Marketing Latam da Sinch

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de março de 2026 08h00
Quando o ego negocia no seu lugar, até decisões inteligentes produzem resultados medíocres. Este artigo aborda a negociação sob a ótica da teoria dos jogos, identidade decisória e arquitetura de incentivos - não apenas como técnica, mas como variável estrutural na construção de valor organizacional.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Cultura organizacional, Liderança
2 de março de 2026
Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de março de 2026
A crise não está apenas no excesso de trabalho, mas no peso emocional que distorce decisões e fragiliza equipes.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de fevereiro de 2026
Em 2026 o diferencial no uso da IA não será de quem criar mais agentes ou automatizar mais tarefas, mas em quem souber construir sistemas capazes de pensar, aprender e decidir melhor no seu contexto organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de fevereiro de 2026
Sem modelo operativo claro, sua IA é só enfeite - e suas reuniões, só barulho.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de fevereiro de 2026
Diante dos desafios crescentes da mobilidade, conectar corporações, startups, parceiros e especialistas em um ambiente colaborativo pode ser o caminho para acelerar soluções, transformar ideias em projetos concretos e impulsionar a inovação nesse setor.

Juliana Burza - Gerente de Novos Negócios & Produtos de Inovação no Learning Village

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de fevereiro de 2026
No novo jogo do trabalho, talento não é ativo para reter - é inteligência para circular.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
25 de fevereiro de 2026
Enquanto o discurso corporativo vende inovação, o backoffice fiscal segue preso em planilhas - e pagando a conta

Isis Abbud - co-CEO e cofundadora da Qive

4 minutos min de leitura