Dossiê: Jovens Talentos, Desenvolvimento pessoal
Oferecido por:

Um retrato da juventude brasileira

Atlas das Juventudes faz diagnóstico de um quarto da população do País e sugere iniciativas para que os jovens cheguem ao mercado de trabalho capacitados
Angela Miguel é editora de conteúdos customizados em HSM Management e MIT Sloan Review Brasil.

Compartilhar:

Em linha com os últimos anos do boom demográfico, o Brasil possui quase 50 milhões de jovens com idades entre 15 e 29 anos – um quarto da população total do País. E embora tenham, em sua maioria, saúde e força de vontade para construir caminhos brilhantes, a realidade de grande parte desses jovens é bem distante de uma estrada tranquila.

Não basta apenas “vontade” de ser o [protagonista de sua história](https://www.revistahsm.com.br/post/a-jornada-de-desenvolvimento-do-jovem-no-mercado-de-trabalho). Na verdade, o que as pesquisas mostram, dia após dia, é que todas as outras condições econômicas, sociais, culturais e políticas pesam muito mais do que a “força de vontade”. A juventude brasileira precisa lidar com a evasão escolar, com a capacitação insuficiente, com o agravamento das desigualdades sociais, com a insegurança alimentar e com o difícil acesso a serviços essenciais. É uma discussão que aprofunda as diferenças e os privilégios sociais.

Apesar da complexidade existente, há muitas instituições que acreditam na transformação dessa realidade com a aplicação de iniciativas concretas, consistentes e sustentáveis. Assim, nasceu o [*Atlas das Juventudes*](https://atlasdasjuventudes.com.br/), que tem o objetivo de produzir, sistematizar e disseminar dados sobre os jovens brasileiros, de maneira a estimular um futuro bem-sucedido. A iniciativa do Em Movimento e do Pacto das Juventudes pelos ODS teve apoio de diversas empresas, como Sicoob, Instituto Arapyaú, Itaú, FGV, British Council, Globo e Eureca.

## O retrato diverso da juventude
A diversidade é a principal característica dos jovens brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a juventude é composta por negros (61%), brancos (38%), amarelos (0,5%) e indígenas (0,4%). Entre homens e mulheres, há um equilíbrio: de 15 a 24 anos, a maioria é masculina; de 25 a 29, feminina.

Entre as regiões do País, os jovens se concentram nas regiões Norte (28%) e Nordeste (26%), e a maioria está presente nas áreas urbanas, especialmente nas periferias metropolitanas nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Ceará. Entre as capitais, a maioria ocupa São Paulo, Curitiba, Salvador, Recife e Belém.

Estimativas de grupos do [movimento LBGTQIA+](https://www.revistahsm.com.br/post/diversidade-e-inclusao-em-pauta-na-pandemia) apontam que existem cerca de 20 milhões de jovens gays (10% da população), 12 milhões de lésbicas (6%) e 1 milhão de pessoas trans (0,5%).

Quanto à educação e colocação no mercado de trabalho, o Brasil ocupa o 11º lugar entre 30 países a respeito do [potencial dos jovens de se adaptar às mudanças tecnológicas](https://www.mitsloanreview.com.br/post/conheca-a-jornada-de-educacao-em-dados-sgb). Ao mesmo tempo, a juventude tupiniquim apresentou índice acima da média internacional sobre o engajamento em atividades empreendedoras.

Porém, ainda há um espaço grande entre a quantidade de jovens e a quantidade de oportunidades no País. Para movimentar as reflexões, o *Atlas das Juventudes* analisou as condições do acesso à educação, ao emprego e outras questões fundamentais para o desenvolvimento dessa grande parcela da população.

## Educação em primeiro lugar
O [direito à educação](https://www.revistahsm.com.br/post/o-que-explica-a-baixa-qualidade-nos-curriculos) deve ser encarado como uma das necessidades básicas para os jovens. Somente assim cidadãos poderão nascer. Contudo, ainda há uma série de obstáculos para que as crianças e os jovens completem seus estudos de maneira adequada e esperada pelo mercado de trabalho, sejam as condições socioeconômicas, a escassez de oportunidades educacionais ou a qualidade da educação em si.

Dados da plataforma Juventude, Educação e Trabalho (JET), ferramenta da Fundação Roberto Marinho (FRM), ainda que a grande maioria dos jovens de 15 a 17 anos frequentem o Ensino Médio, ainda há um grande atraso escolar, e as desigualdades nesse período são ainda maiores: em 2020, entre os 25% mais ricos do Brasil, mais de 90% deles estudam no Ensino Médio; entre os 25% mais pobres, o acesso cai para 50%. Para isso, são esperadas iniciativas como as listadas a seguir:

1. __Facilitar a entrada e frequência escolar__, por meio de novas escolas, novas vagas e redução de custos, e __prevenir a evasão escolar__ com a promoção de espaços de diálogo com jovens e responsáveis, além de oferta de programa de transferência de renda;

2. __Favorecer o desempenho acadêmico__ a partir de mudanças pedagógicas, como gestão educacional, clima e cultura escolar, currículo e relacionamento da escola com a comunidade;

3. __Desenvolver habilidades socioemocionais__, aprofundando as relações entre jovens e comunidade;

4. __Aplicar recursos tecnológicos na instrução__, o que pode envolver tablets, computadores, videoaulas e organizadores gráficos;

5. __Promover o bem-estar dos professores e do time educacional__, necessidade diretamente ligada à contratação de mais professores e com melhores condições.

## Trabalho e renda
A falha na educação causa outra consequência séria aos jovens: a dificuldade do [ingresso ao mercado de trabalho](https://www.revistahsm.com.br/post/como-se-tornar-um-talento-de-alto-potencial-na-sua-empresa). Com a capacitação insuficiente e a desaceleração econômica, os jovens enfrentam desafios crescentes ao chegar à idade de profissionalização. De acordo com dados do IBGE, a taxa de desemprego entre brasileiros de 18 a 24 anos foi quase 30% maior no fim de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019. A pesquisa sugere quatro ações para abrir o caminho aos jovens em direção ao mercado de trabalho:

– __Desenvolver habilidades e promover a capacitação dos jovens__, utilizando especialmente a habilidade tecnológica quase que inerente desses cidadãos;

– __Proporcionar serviços que apoiam a busca por colocação no mercado de trabalho__, unindo o treinamento para negócios, assessoria e acesso ao capital;

– __Facilitar a contratação dos jovens__, ofertando subsídios às empresas;

– __Promover o empreendedorismo jovem__, possibilitando acesso ao microcrédito e ao desenvolvimento de aprendizados nesta área.

## Segurança e justiça
De acordo com o *Atlas da Violência 2020*, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os jovens negros são as maiores vítimas de assassinatos no Brasil, cerca de 53% do total. De quebra, na totalidade, foi identificada uma alta de 13,3% nos casos de jovens mortos no País.

Principalmente devido aos exemplos diários de violência contra a juventude, a confiança na segurança e na justiça caem a cada dia. O estudo sugere cinco ações que podem envolver diversos atores da sociedade na mudança desse retrato.

– __Prevenção da violência desde a primeira infância__, que inclui o acompanhamento do ambiente domiciliar periodicamente;

– __Promoção de enriquecimento acadêmico e das habilidades sociais__, de maneira a prevenir o bullying, o preconceito e a violência no namoro;

– __Acompanhamento dos jovens em situação de maior risco__, por meio de abordagens terapêuticas e programas de capacitação, mentoria e prevenção de violência de rua;

– __Prevenção da violência sexual__, a partir da identificação de sinais de violência e acolhimento;

– __Fortalecimento da estratégia comunitária__, uma vez que o local de nascimento e as relações são fundamentais na redução da violência.

## Reflexões permanentes
O *Atlas das Juventudes* traz ainda reflexões e sugestões de iniciativas acerca de cultura, lazer, [comunicação](https://www.revistahsm.com.br/post/como-a-comunicacao-pode-te-ajudar-na-sua-carreira-profissional), liberdade de expressão, saúde, sustentabilidade, meio ambiente, mobilidade, cidadania, participação social e política e representação juvenil. Por fim, o material traz ainda abordagens transversais para que haja uma coordenação entre governo e instituições da sociedade para que os jovens brasileiros sejam quem desejam ser e ocupem seus lugares no mercado de trabalho.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Thought leadership: quando a ideia vale mais que a visibilidade

Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Diversidade não é tendência. É teste de autenticidade.

Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Cultura organizacional, Comunicação, Estratégia
1º de outubro de 2026 14H00
Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

Caetano Tona - Fundador da Life Lab, TEDx Organizer e Professor de Comunicação na ESPM

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de outubro de 2026 08H00
A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Carol Martins - CEO da SOAP

Oferecido por SOAP
3 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura
ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução