Comunidades: HR4T – HR For Tomorrow, Desenvolvimento pessoal

A coragem de ser autêntico

Ao compartilhar algumas reflexões da minha jornada de autoconhecimento e desenvolvimento, espero abrir espaço para iniciarmos um diálogo sobre coragem e autenticidade
Comunicóloga, com MBA em desenvolvimento e gestão de pessoas e especialização em pensamento complexo. Atuou em diversas empresas, entre elas Natura, Danone e ISS. Desde 2018 está como diretora de recursos humanos da Iguatemi Empresa de Shopping Centers. Professora em programas de pós-graduação e MBA e mentora de mulheres no programa Mentoria Colaborativa – Nós por Elas do IVG. Coautora dos livros *Solidariedade: Depoimentos de um beija-flor – Histórias de voluntariado e de esperança*, e *Coaching e Formação de Liderança/Coach*, publicado pelo Arvoredo. Membro de conselhos consultivos da Turma do Jiló e da Specialisterne. Casada com o artista Mauro Piva e mãe do Arthur e Nina.

Compartilhar:

Recentemente tive oportunidade de conversar com duas pessoas diferentes, uma jornalista e um professor e executivo de inovação, sobre minha história e foi muito interessante ouvir de outros algo que no fundo eu sei, mas nem sempre comuniquei: que precisei de coragem em muitos momentos decisivos para me tornar quem estou sendo hoje. E digo quem estou sendo, porque tenho consciência que sou um “produto inacabado”.

Desde muito jovem, sempre fui uma pessoa questionadora, curiosa, profunda e muito disposta a mergulhar dentro de mim, de minhas luzes e sombras, para encontrar respostas para o que emergia em meu contexto de vida. Como diria Albert Camus “na profundidade do inverno, por fim aprendi que no meu interior havia um verão invencível”.

## Liderança ágil e autoconhecimento
Recentemente, assisti uma palestra do Simon Hayward na qual ele mencionou que para ser liderança ágil é preciso atuar como um facilitador e “disruptor” ao mesmo tempo, e ainda, que precisamos abraçar novas formas de engajar pessoas, tais como:

– Estarmos confortáveis com um ambiente desconfortável.

– Fomentarmos a colaboração através de confiança, transparência e empatia.

– Reconhecermos que o “contrato social” de trabalho mudou e valores como sustentabilidade, diversidade e inclusão são imperativos de nosso tempo.

Com o conceito de Ram Charam em mente – “a primeira liderança é a de si mesmo” –, refleti sobre a [importância do autoconhecimento para a liderança](https://www.revistahsm.com.br/post/seja-um-heroi-cada-vez-mais-humano) nos dias de hoje e quero compartilhar alguns dos insights que tive.

Para estar confortável com o que emerge do contexto em constante transformação, entendo que preciso primeiro estar confortável com meus talentos e imperfeições, pois, “é preciso aprender a fracassar ou fracassaremos em nossa aprendizagem”, tal qual nos ensina Tal Bem-Sharar, professor de psicologia positiva da Universidade de Harvard. A partir desta reflexão, duas perguntas ficaram vivas em mim:

– O quanto cada um de nós tem tido a coragem de reconhecer para si e para todas as pessoas os seus fracassos pessoais?

– Como podemos demandar que as organizações sejam tolerantes com os erros como parte do processo de inovação se, nós mesmos não formos capazes de reconhecer nossos fracassos e erros?

Em minha carreira, errei diversas vezes, ora porque julguei antes de perguntar, ora porque realmente tomei uma decisão errada! Isso me faz um fracasso? Entendo que cada um destes erros me fez reconhecer que sou uma pessoa real, com dificuldades e problemas reais, mas sobretudo alguém em constante aprendizado. Hoje muitas vezes compartilho meus insucessos e erros em mentorias como parte de minha contribuição para futuras lideranças.

Faço muitas entrevistas com pessoas diversas todas as semanas e tenho notado que quando questiono sobre algum insucesso ou sobre o que está na [fronteira do desenvolvimento da pessoa](https://www.revistahsm.com.br/post/descubra-seus-pontos-cegos-na-carreira-profissional), as respostas muitas vezes ou me parecem fruto de reflexão muito rasa ou ainda “ensaiadas”, do tipo “sou muito perfeccionista”.

## Autenticidade como prática diária
Brené Brown, em seu livro *A arte da imperfeição*, nos alerta para cultivarmos nossa autenticidade e abandonarmos a pessoa que pensamos que devemos ser e assumir quem somos. Ser autêntico, segundo a autora, é uma prática diária que exige coragem de ser imperfeito, estabelecer limites e [permitir a vulnerabilidade](https://www.revistahsm.com.br/post/que-tal-ser-mais-vulneravel).

E você, o quanto se permite ser autêntico e estar vulnerável?

Minha experiência de vida me mostrou que os momentos onde estive mais vulnerável foram momentos nos quais construí vínculos e confiança mútua com times, amigos e família. Quando reconhecemos nossos pontos fortes, fracos, sucessos e insucessos nos abrirmos para ver a beleza do imperfeito em nós mesmos e nas demais pessoas à nossa volta.

Para fomentar a confiança, transparência e empatia, que permitem a agilidade tão em voga nos dias de hoje, me parece muito importante também dizer a verdade. Sempre digo aos meus times que o [diálogo é capaz de resolver qualquer situação](https://www.revistahsm.com.br/post/o-poder-da-empatia-dos-ceos-durante-a-pandemia) e que, quando falarmos a verdade, que o façamos com amor.

Em um mundo que cultiva que os líderes sempre afirmem e se posicionem, a escuta muitas vezes fica em segundo plano – incluindo a escuta mais importante de todas: a escuta de si mesmo. Não me parece ser possível exercer a autenticidade sem escuta genuína e, sobretudo, sem perguntar mais que afirmar. Como diria Ruth Bebermeyer, palavras são janelas ou são paredes.

## Colaboração e empatia assertiva
Kim Scott, em seu livro *Empatia assertiva*, explica que, para trabalhar a colaboração para atingir resultados, um caminho é falar para ouvir, esta técnica implica em dizer coisas para provocar uma reação nas pessoas – Steve Jobs a usava com maestria ao apresentar uma opinião polêmica a um grupo e pedir que as pessoas opinassem. Mas para que uma técnica como esta funcione em um time há um ingrediente que se faz essencial: [confiança](https://www.revistahsm.com.br/post/a-construcao-de-trust-em-ecossistemas-de-negocios). Sem confiança as pessoas provavelmente não se sentirão acolhidas para contrapor.

As perguntas que estão vivas em mim neste ponto são: como estou fazendo para ouvir as pessoas? Tenho falado para ouvir? O que posso fazer mais e melhor para gerar segurança psicológica em meu time e em todas as minhas relações? O que eu faço que me impede de [criar segurança psicológica](https://www.revistahsm.com.br/post/como-criar-uma-cultura-de-saude-mental-na-sua-empresa)?

E você, tem criado clima de colaboração em suas relações tanto pessoais como profissionais?

## A coragem de ser você
E. E. Cummings escreveu: “Ser ninguém a não ser você mesmo em um mundo que faz o possível, noite e dia, para fazer de você qualquer um, menos você mesmo, significa travar uma das batalhas mais duras que qualquer ser humano já travou, e nunca parar de lutar”.

E nas palavras de Brené Brown – que são janelas para mim – “permanecer real é uma das batalhas mais corajosas que iremos lutar.”

Espero que este texto seja “janela” para você, leitor ou leitora. Por favor, comentem para que eu possa dialogar com vocês em outros dois textos que continuarão nossa conversa sobre autoconhecimento, autenticidade e coragem.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando pessoas inteligentes discordam, o problema pode não ser a informação

Em reuniões de conselho, comitês executivos e equipes de alta gestão, é comum que profissionais experientes analisem os mesmos dados e cheguem a conclusões completamente diferentes. Nem sempre isso é sinal de desalinhamento ou falta de informação. Muitas vezes, a divergência revela algo mais profundo: critérios distintos para avaliar riscos, oportunidades, prioridades e sucesso.

2027 começa em outubro: o que os CEOs já estão decidindo agora

Embora o calendário ainda indique os últimos meses de 2026, as principais decisões que definirão o desempenho das empresas no próximo ciclo já estão sendo tomadas agora. A questão não é prever o que acontecerá em 2027, mas construir antecipadamente as capacidades que permitirão responder melhor ao que vier.

Plataformização da educação: 3 pontos para refletir antes de levar tecnologia para a sala de aula

Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial estão chegando às salas de aula em ritmo acelerado. Mas a transformação educacional não depende apenas da disponibilidade de novas soluções. Ela exige clareza sobre os problemas que se pretende resolver, participação de quem vive o cotidiano escolar e condições reais para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem.

O que Guimarães Rosa pode ensinar sobre liderança na era da IA

Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

O caso Abril não foi uma crise da mídia. Foi uma crise de adaptação

Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Seu valor termina quando sua performance cai?

Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 18H00
A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

5 minutos min de leitura
Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

6 minutos min de leitura
ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças, Gestão de recursos
30 de agosto de 2026 07H00
Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

François Bazini - CMO e Consultor

6 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução