Healing leadership, Comunidades: CEOs do Amanhã

A essência da mentoria

Uma conversa entre uma executiva e uma Young Leader sobre a beleza e os desafios sobre a relação de mentor e mentorado
Fernanda d’Utra Vaz e Almeida é gerente de social selling na Natura. Renata de Paula Eduardo da Fonseca é diretora de negócios internacionais na Natura.

Compartilhar:

Hoje, a coluna do Fórum CEOs do Amanhã fornece duas perspectivas sobre a relação da mentoria. Confira!

## Com vocês, a mentorada

Sou a Fernanda, paulistana de 25 anos, formada em administração de empresas pela FGV e coleciono passagens por diferentes segmentos de mercado, como trabalhos informais, multinacional e startup, até que fundei minha própria empresa em 2017. Hoje, estou na Natura como gerente de social selling. Desde criança, sempre fui muito energética e hoje uso essa energia e repertório para liderar projetos que buscam questionar os modelos tradicionais, a fim de desenvolver iniciativas mais conscientes e inovadoras.

Há alguns anos, a frase de um quadro me tocou de maneira inesperada: “toda pessoa que passa pela sua vida tem algo a te ensinar”. Naquele instante, experimentei um momento de arrependimento, por todas as pessoas que passaram pela minha vida e que não tive a oportunidade de conhecê-las por inteiro – talvez porque não quis ouvi-las, porque só queria falar sobre mim ou porque não tive a chance de iniciar uma conversa. 

Isso me levou à mentoria profissional. Ao pesquisar o termo no Google, me deparei com a seguinte definição: “trata-se de uma ferramenta de desenvolvimento profissional. A mentoria é feita com um profissional com expertise em uma área específica com outro profissional menos experiente, que deseja crescer”.

Estranharam alguma coisa? O mercado é extremamente competitivo e temos que ter cautela quando olhamos pessoas e conexões humanas apenas como uma ferramenta de alavanca profissional; se isso acontece, a beleza se perde por completo. Assim, quero trazer um outro olhar sobre a mentoria profissional e como pode ser valiosa para ambos quando realizada de [forma humanizada](https://www.revistahsm.com.br/post/licoes-de-lideres-humanizados-em-tempos-de-pandemia).

Durante meu primeiro ano na Natura, como intraempreendedora, tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas e soube aproveitar o ambiente para me aproximar de líderes que admirava e gostaria de ter uma troca genuína. Sempre ouvia sobre a Duda, um nome carregado de elogios sobre sua experiência com a empresa, seu conhecimento técnico e pelo ser humano que era. Na época, a Duda era nossa diretora de marketing prestes a fazer uma transição para a diretoria internacional, cheia de bagagem e uma [referência de liderança feminina](https://www.revistahsm.com.br/post/o-significado-de-ser-uma-das-women-to-watch).

Sempre me considerei uma pessoa ambiciosa, no lado bom da palavra, afinal, é essa característica que me faz lutar até o último segundo pelo que quero na vida. Quero chegar longe, ocupar lugares como mulher e que eu possa fazer transformações reais e gerar impacto positivo. Sempre penso que “o não eu já tenho”, o que me ajuda a destravar barreiras mentais, e foi assim que consegui a minha mentoria com a Duda: pedindo.

Deixei as formalidades de lado e consegui o WhatsApp, mandei uma mensagem me apresentando novamente, pois ela já tinha me visto em uma reunião, deixando claro o meu interesse em tê-la como mentora. No mesmo dia, a Duda me respondeu e não houve qualquer relutância em dividir sua história comigo. Começamos com um almoço descontraído e sem pauta, depois fiquei responsável por puxar as próximas agendas e pautas, sem compromisso de periodicidade ou tema.

Nossas trocas sempre aconteciam de maneira leve, empática, sem regras e com muita escuta ativa. Afinal, se você não escuta o outro, como se pode construir um relacionamento de verdade? E a conexão foi real! É muito intenso quando você entende que a pessoa também tem medos e inseguranças como qualquer outra no mundo. A vulnerabilidade da Duda me inspirou a ser mais autêntica e mais forte na minha caminhada profissional, ela me fez sentir que é possível chegar lá.

Foi extremamente importante ver a Duda assim, do jeitinho que ela é. Como conseguiria me inspirar em uma líder que só fala sobre a beleza de estar naquele lugar? Impossível! Isso também permitiu que eu expressasse minhas opiniões e até a aconselhasse. Quando menos esperava, uma amizade se formou, sempre acessível, que me abriu portas importantes na carreira – inclusive esse papel que assumo hoje –  e que me ensinou muito.

Passei a [entender que somos todos seres humanos](https://www.revistahsm.com.br/post/a-inteligencia-que-falta-no-trabalho), não devemos ter medo de quem está do outro lado da mesa e, sim, aproveitar cada segundo dessa troca. Mentoria é um dever para todos que desejam aprender com a vivência do outro, mentoria é sobre conexões reais e humanas. Obrigada Duda por ter passado pela minha vida!

## Com vocês, a mentora

Sou a Duda, casada com o Fábio, mãe da Malu, 10 anos, e do Pedro, 7. Comecei minha carreira profissional na Natura como trainee em 2000, e tive a chance de participar de projetos muito especiais por lá, como a criação da área de datas comemorativas e do marketing de ativação do Brasil, passando por todas as marcas e categorias ao longo dos anos. Atualmente, estou há sete meses em um novo desafio na área internacional.

São 20 anos de Natura, foi lá que aprendi a minha vocação e onde me tornei “Duda”. Hoje, é difícil que as pessoas entendam o porquê de eu estar tanto tempo na mesma empresa, mas vivi muitas Naturas ao longo desse período, e as pessoas com quem me relacionei foram fundamentais para que pudesse viver essa jornada de crescimento e de aprimoramento contínuo.

Uma vez me perguntaram em uma reunião porque eu levava tudo para o pessoal, e lembro como se fosse hoje a minha resposta: “é absolutamente pessoal! Não tenham dúvida que estou aqui porque é minha escolha pessoal e não acho que consiga me dividir em pessoa e profissional!”.

Para mim, aquele dia foi um marco, pois pude expressar quem era e o que eu acreditava, e isso só foi possível porque tive o apoio de uma rede de pessoas que construí ao longo dos anos. Essa rede foi formada informalmente, alguns por afinidade, outros por conexão de propósito ou por acreditar que cada um pode contribuir com o outro. Por fim, tive a chance de contar com grandes mentores ao longo da minha trajetória. 

Lembro a primeira conversa que tive com o grupo CorageN, de jovens empreendedores da Natura, e guardo com muito carinho, pois tive a chance de ouvir novas ideias, perspectivas e conseguir agregá-las com o que vivi até então. Sempre temi ficar presa a uma única “fórmula” e são momentos como aquele que proporcionam a ampliação do olhar.

Naquele grupo estava a Fernanda, que logo depois perguntou se poderíamos trocar percepções e reflexões sobre o programa e sobre a sua vivência. Topei na mesma hora, uma vez que são estas conexões que tornam a caminhada mais frutífera e alimentam a nossa rede.

Acredito que não exista um padrão ou formato ideal para mentoria. Estamos falando de conexão e troca, e isso depende de encontrar o que é valor para ambas as partes, portanto, é um processo absolutamente pessoal e único.

Fernanda me trazia um frescor no seu olhar, uma energia acima da média para a transformação e para a inovação. Ela questionava o status quo, mas com o respeito de entender o porquê de as coisas serem como são. Fiquei encantada ao ver aquele brilho no olho e vontade de fazer acontecer, sempre muito presente e consciente do seu papel para a empresa e para a sua jornada.

A troca foi muito especial, pois estava vivendo uma mudança profunda na carreira. Aquele frio na barriga de se jogar ao novo me parecia cada vez mais atraente ao ver aquela jovem destemida querendo expandir o seu olhar. Obrigada, querida Fernanda, por ter me dado ainda [mais coragem para testar o novo](https://www.revistahsm.com.br/post/ceo-diga-adeus-a-solidao), o desconhecido e voltar a ser aprendiz. Feliz de poder contar com você na minha vida. Nosso maior legado sempre será pessoas e o quanto podemos fazer diferença para a vida delas, e saiba que você fez na minha!

## Para dar o start na mentoria

### Dicas da Fernanda:

– Faça uma lista das pessoas que te inspiram (pode ser fora ou dentro do seu trabalho atual);

– Procure pelo LinkedIn, e-mail ou WhatsApp dessas pessoas para pedir sua mentoria;

– Fique tranquilo(a), o máximo que você vai receber será um “não” ou será ignorado;

– Durante a mentoria, seja você mesmo e não tenha medo de perguntar o que deseja.

### Dicas da Duda:

– Abra espaço na sua agenda para mentorias, elas agregam muito mais do que se imagina;

– Permita-se conhecer o mentorado e o que é valor para ele, ambos ganham com a jornada;

– Não queira ter as respostas certas ou fórmulas ideais, se conecte e se permita ser você;

– A mentoria é uma questão pessoal, por isso, cada uma é única e intransferível.

Confira mais artigos como esse no [Fórum: CEOs do Amanhã](https://www.revistahsm.com.br/forum/forum-ceos-do-amanha).

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que não pode mudar quando tudo está mudando?

Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

O Brasil no centro da próxima revolução agrícola: por dentro do caso da Biotrop

A agricultura é uma das grandes forças econômicas do Brasil, mas seus mecanismos de inovação ainda são pouco compreendidos fora do setor. Este artigo parte de uma conversa com Jonas Hipólito, CEO da Biotrop, para observar como ciência, bioinsumos, biodiversidade, dados e competição global começam a redesenhar a próxima etapa da produtividade agrícola.

A inteligência agridoce: a competência que o futuro exige das líderes

Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Acessibilidade sem inteligência cultural é inclusão pela metade

Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Organizações não mudam quando as pessoas mudam. Mudam quando os sistemas mudam.

Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
25 de julho de 2026 14H00
Muitas organizações ainda tratam o engajamento como uma característica individual, quando ele é, em grande parte, resultado do contexto que a liderança constrói. Este artigo mostra como confiança, autonomia, segurança psicológica e qualidade das relações influenciam diretamente a disposição das pessoas para inovar, colaborar e gerar resultados sustentáveis.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Liderança
25 de julho de 2026 08H00
Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Chieko Aoki - Fundadora e presidente da Blue Tree Hotels

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, User Experience, UX
24 de julho de 2026 14H00
Impulsionado pelo avanço do wellness e pela busca crescente por experiências com significado, o setor de turismo enfrenta um novo desafio: deixar de vender viagens para entregar transformação, criando vínculos de longo prazo e novas vantagens competitivas.

João Biancardi - Diretor de Marketing e Experiencia do Cliente do Grupo Mabu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
24 de julho de 2026 08H00
A preocupação com dinheiro já impacta produtividade, saúde mental e permanência no emprego. Diante desse cenário, organizações começam a repensar seu papel e a buscar formas de apoiar colaboradores sem invadir sua autonomia financeira.

Vivian Pardini - Coordenadora de compliance da Biz

4 minutos min de leitura
Marketing, Estratégia
23 de julho de 2026 14H00
O avanço dos vídeos curtos, dos criadores digitais e da inteligência artificial transformou a forma como consumimos informação e entretenimento. O desafio das empresas agora não é apenas alcançar audiências, mas construir confiança, interpretar comportamentos e criar experiências capazes de permanecer na memória das pessoas.

Ronaldo Fragoso - Chief Growth Officer da Deloitte e Carlos Eduardo Fogarolli - Sócio-líder da indústria de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da Deloitte

3 minutos min de leitura
Comunicação, Liderança
23 de julho de 2026 08H00
A autenticidade virou commodity quando todo mundo aprendeu a soar autêntico do mesmo jeito. Este artigo explora como voz, vivência e consistência podem se tornar os principais diferenciais para líderes que desejam construir influência e confiança de forma genuína.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
22 de julho de 2026 14H00
Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de julho de 2026 09H00
Posicionamento claro, gestão comercial estruturada, experiência do cliente, disciplina financeira, desenvolvimento de talentos e capacidade de adaptação formam os pilares de um crescimento sustentável. O desafio das empresas de serviços já não é apenas expandir, mas criar condições para que essa expansão se mantenha saudável e rentável.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, escritor e palestrante

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
21 de julho de 2026 14H00
A desconexão entre pessoas custa bilhões às empresas todos os dias. Ainda assim, muitas organizações seguem tratando cultura como documento, engajamento como métrica e comunicação como ferramenta. Talvez o problema esteja justamente aí.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de julho de 2026 09H00
A construção civil está deixando para trás práticas marcadas por desperdícios e retrabalhos. O avanço de soluções industrializadas, novas tecnologias e modelos de gestão mais eficientes aponta para um novo cenário: construir com mais qualidade, menor impacto e maior previsibilidade.

Rafael Brizot - Diretor da Max Mohr

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo