Inovação & estratégia
4 minutos min de leitura
Oferecido por:

A inovação não é sobre o futuro. É sobre a consciência de tornar o presente melhor.

Talvez o maior erro da inovação seja tentar adivinhar o futuro, em vez de entender o que já está diante de nós.
Executiva de Tecnologia, professora, palestrante, empresária, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES. Atua na interseção entre tecnologia, governança e estratégia, ajudando líderes e organizações a compreenderem e aplicarem a inteligência artificial como vetor de transformação e vantagem competitiva. É reconhecida por sua visão integrativa e provocativa, conectando pessoas, processos e dados para construir o futuro com propósito e protagonismo.

Compartilhar:

Ao longo da minha carreira, participei de inúmeras discussões sobre o futuro. Algumas delas aconteceram em salas de conselho, outras em comitês de inovação, universidades, empresas de tecnologia e fóruns globais que tentam antecipar as grandes transformações que moldarão os próximos anos. Em praticamente todas essas conversas existe uma pergunta implícita: como nos preparar para o futuro?

Com o tempo, comecei a perceber que talvez estejamos fazendo a pergunta errada.

A inovação é frequentemente apresentada como um exercício de antecipação. Falamos sobre tendências emergentes, tecnologias disruptivas, novos modelos de negócio e cenários futuros. Construímos roadmaps, desenvolvemos estratégias de longo prazo e tentamos imaginar como será o mundo daqui a cinco, dez ou vinte anos. Tudo isso é importante. Mas existe um risco silencioso nessa obsessão pelo amanhã: o de perdermos a capacidade de enxergar as oportunidades que já existem hoje.

Quanto mais observo organizações, líderes e mercados, mais me convenço de que a inovação não nasce da capacidade de prever o futuro. Ela nasce da capacidade de compreender profundamente o presente.

O futuro não é um lugar para onde estamos indo. O futuro é uma consequência das decisões que tomamos agora.

Essa distinção parece sutil, mas muda completamente a forma como enxergamos inovação. Quando acreditamos que inovar é prever tendências, passamos a buscar respostas em relatórios, estudos e projeções. Quando entendemos que inovar é transformar a realidade atual, começamos a prestar atenção nas ineficiências que ignoramos, nos comportamentos que mudaram e nas necessidades que ainda não foram atendidas.

A inovação deixa de ser um exercício de adivinhação e passa a ser um exercício de consciência.

Talvez por isso eu tenha me tornado cada vez mais interessada em observar comportamentos do que tecnologias. Tecnologias são instrumentos. Elas ampliam capacidades, aceleram processos e reduzem barreiras. Mas a transformação nunca acontece por causa da tecnologia em si. Ela acontece porque alguém consegue enxergar uma nova forma de gerar valor utilizando aquela tecnologia.

A história está repleta de exemplos que reforçam essa ideia. A eletricidade não mudou o mundo porque representava uma visão futurista. Ela mudou o mundo porque resolveu limitações concretas da sociedade da época. A internet não se tornou uma revolução porque prometia um amanhã diferente. Ela se tornou indispensável porque tornou a comunicação, o acesso à informação e as relações econômicas mais eficientes no presente.

O mesmo acontece agora com a inteligência artificial.

Grande parte das discussões sobre IA está concentrada naquilo que ela poderá fazer no futuro. Debatemos autonomia, superinteligência, impactos econômicos globais e transformações sociais profundas. São debates legítimos e necessários. Mas existe uma discussão igualmente importante que muitas vezes recebe menos atenção: como essa tecnologia pode melhorar as decisões que tomamos hoje? Como ela pode ampliar a capacidade humana de resolver problemas reais, reduzir desperdícios e criar experiências mais relevantes para pessoas e organizações? Na minha visão, essa é a pergunta que realmente importa.

A verdadeira vantagem competitiva não será construída pelas organizações que simplesmente adotarem novas tecnologias. Ela será construída por aquelas que desenvolverem a capacidade de interpretar melhor a realidade ao seu redor.

Vivemos um momento curioso da história. Nunca tivemos acesso a tantas ferramentas, tantos dados e tanto conhecimento. Ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil confundir movimento com progresso. Muitas empresas investem milhões em transformação digital sem questionar se estão transformando aquilo que realmente gera valor. Muitas lideranças discutem inteligência artificial sem antes compreender quais decisões poderiam ser tomadas de forma mais inteligente. Muitas estratégias de inovação se concentram em iniciativas futuras enquanto problemas fundamentais permanecem sem solução.

Inovar exige disciplina para olhar para o que está diante de nós, exige a humildade de reconhecer que a próxima grande transformação nem sempre surge de uma descoberta extraordinária. Frequentemente ela nasce da capacidade de resolver algo simples de forma melhor.

Ao longo dos anos, aprendi que as organizações mais inovadoras raramente são as que falam mais sobre inovação. São aquelas que criam uma cultura de observação permanente. Empresas que desenvolvem sensibilidade para identificar mudanças sutis no comportamento de clientes, colaboradores e mercados. Organizações que entendem que inovação não é um evento, um laboratório ou uma área específica. É uma forma de interpretar a realidade.

Essa perspectiva também altera a forma como enxergamos liderança, liderar a inovação não significa apenas inspirar pessoas a perseguirem uma visão futura. Significa ajudá-las a compreenderem o contexto presente com maior clareza. Significa desenvolver a capacidade coletiva de perceber oportunidades invisíveis, questionar pressupostos estabelecidos e transformar conhecimento em ação.

No fundo, a inovação é menos sobre tecnologia e mais sobre consciência, consciência para reconhecer que o mundo está mudando,consciência para entender que muitas das respostas que procuramos para o futuro dependem das decisões que estamos adiando no presente, consciência para perceber que o progresso não acontece em saltos mágicos, mas em uma sucessão contínua de melhorias que, acumuladas ao longo do tempo, transformam a realidade de forma profunda.

Talvez a maior lição que a inovação tenha me ensinado seja justamente essa: o futuro não é algo que encontramos. É algo que construímos, e essa construção não começa amanhã, ela começa na forma como escolhemos agir hoje.

Compartilhar:

Executiva de Tecnologia, professora, palestrante, empresária, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES. Atua na interseção entre tecnologia, governança e estratégia, ajudando líderes e organizações a compreenderem e aplicarem a inteligência artificial como vetor de transformação e vantagem competitiva. É reconhecida por sua visão integrativa e provocativa, conectando pessoas, processos e dados para construir o futuro com propósito e protagonismo.

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

Oferecido por:
4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução