Uncategorized

A psicologia da IA

Pesquisadora do Google Brain tem feito a inteligência artificial passar por testes similares aos feitos com humanos; objetivo é construir o uso responsável

Compartilhar:

Pesquisadora-sênior do Google Brain, Been Kim se especializou no que se pode chamar de “psicologia da inteligência artificial”. Para isso, ela desenvolve formas de sondar redes neurais artificiais (ANN, na sigla em inglês), avaliando-as de modo detalhado a fim de compreender melhor seus modelos e suas respostas a diferentes tipos de dados. 

Quanto maior a possibilidade de interpretar as ANNs, mais fácil será revelar as potenciais falhas de raciocínio de uma inteligência artificial (IA). Em outras palavras, ao entender quando e por que os sistemas podem paralisar, será possível também saber quando não recorrer a eles – e esse é um dos caminhos para a construção de um uso responsável da IA.

Em sua mais recente iniciativa, de acordo com reportagem do portal SingularityHub, Kim partiu para aplicar em ANNs um teste cognitivo desenvolvido para seres humanos. A ideia original do chamado “teste de Gestalt” é mostrar como as pessoas tendem a preencher automaticamente as lacunas, de forma a “completar” os objetos que veem. Essa tendência também explicaria por que a mente humana costuma generalizar e transformar dados em conceitos.

O teste foi realizado em duas etapas. Primeiro, o sistema de inteligência artificial foi treinado para completar triângulos. Segundo, o sistema foi submetido a diferentes conjuntos de dados. Caso as respostas da IA fossem no sentido de identificar semelhanças com os triângulos, indicaria um efeito parecido ao observado nos seres humanos. 

A conclusão do estudo foi positiva. Treinadas com base em imagens verdadeiras, as redes de inteligência artificial classificaram as imagens “ilusórias” como triângulos com frequência satisfatória.

Capacidade de generalizar
————————-

Na etapa seguinte, ao investigar as razões dos resultados obtidos, Kim concluiu que a capacidade de completar as imagens está relacionada com a capacidade das redes de generalizar. Os seres humanos fazem isso constantemente de maneira subconsciente. Por exemplo: qualquer coisa com uma alça, feita de cerâmica, independentemente do formato que tenha, pode se tornar facilmente uma caneca. 

As ANNs ainda têm dificuldade para captar características comuns, pistas que imediatamente mostram às pessoas que um objeto pode, por exemplo, ser utilizado como caneca. Mas, quando são treinadas para isso, muitas vezes conseguem generalizar até melhor do que nós. 

À medida que as redes aprendem, sua capacidade de mapear objetos com base em fragmentos também aumenta. O teste “embaralhou” as imagens, com elementos como brilho e contraste, e a IA ainda assim conseguiu aprender a distinguir árvores de uma floresta.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A pressão que não aparece no organograma: a carreira das mulheres exige mais remédios do que reconhecimento

Quando mulheres consomem a maior parte dos antidepressivos, analgésicos, sedativos e ansiolíticos dentro das empresas, não estamos falando de fragilidade – estamos falando de um modelo de liderança que normaliza exaustão como competência. Este artigo confronta a farsa da “supermulher” e questiona o preço real que elas pagam para sustentar ambientes que ainda insistem em chamá‑las de resilientes.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
3 de fevereiro de 2026
Organizações querem velocidade em IA, mas ignoram a base que a sustenta. Governança de Dados deixou de ser diferencial - tornou-se critério de sobrevivência.

Bergson Lopes - CEO e fundador da BLR Data

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
2 de fevereiro de 2026
Burnout não explodiu nas empresas porque as pessoas ficaram frágeis, mas porque os sistemas ficaram tóxicos. Entender a síndrome como feedback organizacional - e não como falha pessoal - é o primeiro passo para enfrentar suas causas estruturais.

Marta Ferreira - Cofundadora e presidente da Spread Portugal

3 minutos min de leitura
Estratégia, Marketing & growth
1º de fevereiro de 2026
Como respostas rápidas, tom humano e escuta ativa transformam perfis em plataformas de reputação e em vantagem competitiva para marcas e negócios

Kelly Pinheiro - Fundadora e CEO da Mclair Comunicação e Mika Mattos - Jornalista

5 minutos min de leitura
Lifelong learning
31 de janeiro de 2026
Engajamento não desaparece: ele é desaprendido. Esse ano vai exigir líderes capazes de redesenhar ambientes onde aprender volte a valer a pena.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

7 minutos min de leitura
Liderança
30 de janeiro de 2026
À medida que inovação e pressão por resultados se intensificam, disciplina com propósito torna-se o eixo central da liderança capaz de conduzir - e não apenas reagir.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Estratégia
29 de janeiro de 2026
Antes de falar, sua marca já se revela - e, sem consciência, pode estar dizendo exatamente o contrário do que você imagina.

Cristiano Zanetta - Empresário, palestrante TED e escritor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de janeiro de 2026
Se o seu RH ainda preenche organogramas, você está no século errado. 2025 provou que não basta contratar - é preciso orquestrar talentos com fluidez, propósito e inteligência intergeracional. A era da Arquitetura de Talento já começou.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior e Cris Sabbag - COO da Talento Sênior

2 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de janeiro de 2026
Não é uma previsão do que a IA fará em 2026, mas uma reflexão com mais critério sobre como ela vem sendo usada e interpretada. Sem negar os avanços recentes, discute-se como parte do discurso público se afastou da prática, especialmente no uso de agentes e automações, transformando promessas em certezas e respostas em autoridade.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

0 min de leitura
Lifelong learning
26 de janeiro de 2026
O desenvolvimento profissional não acontece por acaso, mas resulta de aprendizado contínuo e da busca intencional por competências que ampliam seu potencial

Diego Nogare

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
25 de janeiro de 2026
Entre IA agentiva, cibersegurança e novos modelos de negócio, 2026 exige decisões que unem tecnologia, confiança e design organizacional.

Eduardo Peixoto - CEO do CESAR

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...