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Amanhã é o limite: baixa adesão às normas IFRS expõe risco para empresas brasileiras

No dia 31 de dezembro de 2025 acaba o prazo para adesão voluntária às normas IFRS S1 e S2. Se sua empresa ainda acha que tem tempo, cuidado: 2026 não vai esperar. ESG deixou de ser discurso - é regra do jogo, e quem não se mover agora ficará fora dele
Conselheira de Administração pelo IBGC, Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli – Cooperativa de Especialistas em Sustentabilidade e Governança, onde atua para fortalecer empresas através de práticas sustentáveis e governança eficaz. Especialista em ESG pelo IBMEC, cursa MBA em Finanças para Negócios pela Saint Paul | EXAME, além de seguir aprofundando sua expertise em governança pelo IBGC e outras referências nacionais e internacionais. Também é jornalista e estrategista de Comunicação.

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Falta pouco para uma transformação estrutural nas práticas ESG no Brasil, embora muitas empresas ainda não tenham se dado conta disso. No dia 31 de dezembro deste ano, encerra-se o prazo estabelecido pela Resolução 193 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para que companhias abertas e fundos de investimento façam a adesão voluntária à divulgação de relatórios de sustentabilidade alinhados às normas internacionais IFRS S1 e S2.

A IFRS S1 estabelece requisitos gerais para a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, incluindo riscos, oportunidades e governança. Já a IFRS S2 aprofunda o foco nos riscos e impactos associados às mudanças climáticas, exigindo que esses fatores sejam incorporados à gestão financeira e estratégica das organizações.

É importante colocar os pingos nos is. A adoção das normas IFRS S1 e S2 não se torna obrigatória automaticamente em 1º de janeiro de 2026. O que a CVM determinou é que os exercícios iniciados a partir dessa data já deverão ser preparados de acordo com os novos padrões. Na prática, isso significa que as informações serão reportadas ao mercado apenas em 2027, quando forem divulgados os relatórios referentes ao exercício de 2026.

Esse aparente distanciamento temporal tem levado muitas companhias a subestimar a complexidade da transição, deixando muitos processos necessários em segundo plano. Pesquisa realizada pela própria CVM no primeiro semestre de 2025 revelou que apenas quatro, entre cerca de 700 companhias abertas no país, haviam aderido voluntariamente aos novos padrões. Do total de 291 empresas respondentes, apenas 17 sinalizaram intenção de adesão até o final deste ano.

O problema é que, apesar de a entrega ocorrer apenas em 2027, o tempo real de preparação é significativamente maior. Construir inventários robustos de emissões, estruturar governança climática, mapear riscos financeiros, revisar controles internos e integrar essas informações aos processos de gestão e reporte demanda, em média, de 12 a 18 meses. Portanto, quem não iniciar imediatamente corre sério risco de não cumprir as exigências regulatórias dentro do prazo.

Mais do que uma questão reputacional e de credibilidade, trata-se de um tema central de governança e mercado de capitais. A partir de 2026, investidores, bancos, seguradoras e auditorias passarão a exigir evidências objetivas de gestão de riscos climáticos e de sustentabilidade financeira no longo prazo. Empresas despreparadas tendem a enfrentar maior custo de capital, restrições de crédito e questionamentos sobre a qualidade de sua governança.

Nesse contexto, a antecipação deixa de ser apenas uma boa prática para representar uma vantagem competitiva mensurável. A era dos compromissos genéricos, do discurso vazio e do greenwashing, está ficando para trás, pressionada por investidores, reguladores, consumidores e pela própria realidade climática.

Daqui para frente, sustentabilidade será medida pela capacidade das organizações (privadas ou públicas) de identificar, mensurar e integrar riscos climáticos e impactos socioambientais à estratégia do negócio, influenciando decisões, investimentos, governança e a perenidade das empresas no longo prazo, com foco em resultados concretos, transparência e geração de valor sustentável.

Os reflexos dessa mudança, vale ressaltar, não se limitam ao mercado financeiro. Consumidores, especialmente das novas gerações, também estão atentos. Pesquisa recente da Kantar mostra que 51% dos jovens da Geração Z no Brasil afirmam que optar por produtos e serviços sustentáveis está alinhado aos seus valores. Entre os millennials, esse percentual sobe para 58%, reforçando a pressão por coerência entre discurso e prática.

Os sinais são claros. As empresas precisam rever metodologias, fortalecer sua governança e incorporar critérios ESG ao núcleo de suas decisões estratégicas. Não se trata apenas de atender a uma exigência regulatória, mas de compreender que a competitividade futura será definida pela capacidade de gerar valor em um ambiente cada vez mais marcado por riscos climáticos, impactos sociais e expectativas crescentes de transparência.

O movimento é inevitável. A escolha, agora, é entre liderar essa transição ou correr para não ficar para trás.

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