Uncategorized

As metas de longo prazo e os indicadores

Sua empresa está investindo nas coisas certas ou vem negligenciando o futuro? A dificuldade de responder a isso, e de emplacar um planejamento do futuro eficaz, tem a ver com a falta das métricas certas
Sócia-fundadora da Symballéin, especializada em gestão de ativos intangíveis, e coordenadora do núcleo de estudos de sustentabilidade em gestão da FGV.

Compartilhar:

A capacidade da empresa de sobreviver ao tempo está no coração dos debates atuais sobre sustentabilidade dos negócios, certo? Sim. Mas não é um atributo fácil de desenvolver. Depende de sua capacidade de adaptar-se às condições sempre mutantes do mercado e das demandas dos consumidores (retendo ou ampliando capacidade competitiva). Tem a ver também com garantir a longevidade dos ativos. Requer a criação de coalizões, internas e externas, que aumentem a motivação das pessoas para resolver problemas. 

Todos esses fatores aumentam a complexidade da gestão, do processo decisório e, em consequência, dificultam brutalmente o estabelecimento de indicadores que nos levem a responder a duas perguntas fundamentais: estamos investindo nas coisas certas? Estamos negligenciando coisas que nos colocam em risco no futuro? Não são respostas simples. 

Um desafio extra das organizações que desejam ser sustentáveis é o de criar indicadores que permitam planejar o futuro equilibrando uma ecologia de fatores relevantes à durabilidade do negócio sem perder de vista a lucratividade. 

**DE ONDE VIRÃO OS INDICADORES?**

Claro, é importante responder a questões como: quais são as macrotendências em comportamento do consumidor? Que mudanças tecnológicas afetarão os negócios? Como os concorrentes estão se organizando para aumentar sua oferta de valor dentro dessas restrições? Qual é o plano dos gestores para atuar nesse mercado com chances de sucesso? O que é sucesso ou fracasso nesse plano no curto, médio e longo prazos? Mas… será que algumas empresas não vêm se baseando apenas nessas questões ao definir suas metas de longo prazo? 

Estou convencida de que a qualidade dos indicadores vem, de fato, de uma análise da realidade concreta da empresa. E isso deve partir do entendimento daquilo que C.K. Prahalad chamou de “competências essenciais”, somado a um diagnóstico claro de seus ativos intangíveis –como a cultura. Sim, a cultura costuma ficar no subsolo das prioridades. A cultura da organização é a síntese do que as pessoas, dentro dela, conseguem entregar de maneira ordenada, e tem forte impacto em seus custos de transação, internos e externos. Um planejamento estratégico de longo prazo terá maior chance de sucesso na implementação à medida que se adaptar melhor à cultura organizacional. 

Para isso, os executivos devem trabalhar com indicadores relativos à cultura, tanto das condições materiais preexistentes (condições objetivas) como da natureza dos processos (condições organizacionais), do sucesso da liderança (condições políticas) e dos valores e da identidade (que dão direção para a coalizão interna necessária para produzir reputação e valor para a marca). 

Tais indicadores, criados sob medida com a análise dessa realidade concreta, explicitarão de modo objetivo os desafios que a organização e suas pessoas encontrarão para atingir as metas de longo prazo. Mais ainda, permitirão a gestão dos fatores que realmente importam à sustentabilidade, reduzindo a vulnerabilidade das empresas diante de oportunismos, complacências e negligências internas e nas relações com governos, comunidades, clientes e fornecedores. Para sobreviver ao tempo, vamos mudar a terrível “gestão por indicadores” atual, que cria cortina de fumaça entre a direção, a realidade organizacional e o futuro.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Liderança
16 de maio de 2026 15H00
Sob pressão, o cérebro compromete exatamente as competências que definem bons líderes - e este artigo mostra por que a falta de autoconsciência e regulação emocional gera um custo invisível que afeta decisões, equipes e resultados.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

8 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de maio de 2026 08H00
Quando falta preparo das lideranças, a inclusão deixa de gerar valor e passa a produzir invisibilidade, rotatividade, baixa performance e riscos reputacionais que não aparecem no balanço - mas corroem os resultados.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de maio de 2026 13H00
Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
Liderança
15 de maio de 2026 07H00
Não é a idade que torna líderes obsoletos - é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

0 min de leitura
Marketing
14 de maio de 2026 15H00
Executivo tende a achar que, depois de um certo ponto, não é mais preciso contar o que faz. O case da co-founder do Nubank prova exatamente o contrário.

Bruna Lopes de Barros

4 minutos min de leitura
Liderança
14 de maio de 2026 08H00
À luz do Aikidô, este artigo analisa a transição da liderança coercitiva para a liderança que harmoniza sistemas complexos, revelando como princípios como Wago, Awase e Shugi‑Dokusai redefinem estratégia e competitividade na era da incerteza.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

10 minutos min de leitura
Liderança
13 de maio de 2026 15H00
Em um mundo dominado pela urgência e pelo excesso de estímulos, este artigo provoca uma reflexão essencial: até que ponto estamos tomando decisões - ou apenas reagindo? E por que recuperar a capacidade de pausar, escolher e agir com intenção se tornou um diferencial crítico para líderes e organizações.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

7 minutos min de leitura
Finanças, Inovação & estratégia
13 de maio de 2026 08H00
Entre pressão por resultados imediatos e apostas de longo prazo, este artigo analisa como iniciativas de CVC podem sobreviver ao conservadorismo corporativo e construir valor além do retorno financeiro.

Rafael Siciliani - Gerente de New Business Development na Deloitte

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
12 de maio de 2026 14H00
O que antes era visto como informalidade agora é diferencial: este artigo explora como a cultura brasileira vem ganhando espaço global - e se transformando em ativo estratégico nas empresas.

Bell Gama - Sócia-fundadora da Air Branding

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
12 de maio de 2026 08H00
Enquanto agendas lotam e decisões patinam, este artigo mostra como a ascensão dos agentes de IA expõe a fragilidade das arquiteturas de decisão - e por que insistir em reuniões pode ser sinal de atraso estrutural.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão