Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 minutos min de leitura

As pessoas vão permanecer mais tempo, sua empresa está pronta?

Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.
CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

Compartilhar:

O Brasil está passando por uma transformação demográfica profunda. Segundo as Projeções de População do IBGE, o país deve atingir seu pico populacional em 2041, com cerca de 220 milhões de habitantes, e depois iniciar um processo de queda, chegando a aproximadamente 199 milhões em 2070. Esse movimento não significa que viveremos menos, mas que a dinâmica da população está mudando: ao mesmo tempo em que a expectativa de vida aumenta, a taxa de natalidade cai, com famílias tendo menos filhos e menos jovens entrando no mercado de trabalho nos próximos anos.

Por trás desse dado existe uma mudança estrutural que também precisa entrar na agenda das empresas. Teremos profissionais vivendo mais, permanecendo ativos por mais tempo e atravessando diferentes ciclos de carreira, enquanto as organizações precisarão lidar com equipes mais multigeracionais, novos formatos de desenvolvimento e uma disputa ainda mais estratégica por talentos.

A discussão sobre longevidade costuma começar pela vida pessoal. Falamos sobre envelhecer melhor, cuidar da saúde e planejar o futuro. Mas existe uma camada dessa conversa que ainda precisa ganhar mais espaço, se vamos viver mais, também vamos trabalhar, aprender e nos reinventar por mais tempo. Em paralelo, com menos filhos por família e uma entrada menor de jovens no mercado, as empresas terão que repensar como atraem, desenvolvem e retêm pessoas em diferentes fases da vida.

Durante muitos anos, a carreira foi vista quase como uma linha reta, com começo, meio e fim bem definidos. Hoje, essa lógica já não acompanha a realidade. As pessoas atravessam diferentes ciclos profissionais e buscam relações mais sustentáveis com o trabalho. Para as empresas, isso traz uma provocação importante: a longevidade não é apenas uma pauta de saúde ou previdência, é uma transformação de gestão.

Liderar diferentes fases da vida

A liderança do futuro será cada vez menos sobre comandar times homogêneos e cada vez mais sobre compreender pessoas em momentos distintos da vida. As necessidades de quem está começando a carreira não são as mesmas de quem já acumulou anos de experiência ou está passando por uma transição profissional. E isso precisa aparecer na forma como as empresas desenvolvem, escutam e cuidam de seus talentos.

Isso não significa criar uma política individual para cada colaborador. Significa desenvolver uma liderança mais atenta, capaz de adaptar rotas e construir pontes. Na prática, liderar em um contexto de maior longevidade exige abandonar algumas certezas antigas. Experiência não pode ser vista como resistência à mudança. A juventude não pode ser confundida com falta de profundidade. E saúde não pode entrar na agenda corporativa apenas quando o problema já apareceu.

O papel do líder passa a ser também o de criar condições para que as pessoas sustentem sua energia ao longo do tempo. Isso envolve segurança psicológica, aprendizado contínuo e uma visão mais madura sobre produtividade. Pessoas não performam melhor porque estão sempre disponíveis. Elas performam melhor quando encontram equilíbrio, clareza e pertencimento.

Saúde como estratégia de futuro

Se a longevidade amplia a jornada de vida e de trabalho, o cuidado com a saúde deixa de ser um benefício complementar e passa a ser parte da estratégia das empresas. Não é possível falar em futuro do trabalho sem falar em prevenção, movimento e qualidade de vida.

Na TotalPass, vivemos essa pauta de perto todos os dias. Nosso trabalho é conectar empresas e colaboradores a possibilidades reais de cuidado, que ajudam a transformar bem-estar em hábitos. Quanto mais acompanhamos a evolução desse mercado, mais fica claro que saúde corporativa não deve ser tratada como uma ação pontual. Ela precisa fazer parte da cultura.

Empresas que desejam atrair e reter talentos nos próximos anos terão que olhar para esse tema com mais profundidade. O colaborador não quer apenas um pacote de benefícios. Ele quer perceber que a empresa entende suas necessidades reais e apoia sua vida para além da entrega profissional.

Esse debate também passa por pertencimento. Ambientes preparados para a longevidade são aqueles que valorizam diferentes repertórios e criam espaço para que todos possam contribuir. Em um cenário em que haverá menos jovens ingressando no mercado e mais profissionais experientes permanecendo ativos, empresas que só enxergam potência em uma etapa da vida perdem diversidade de pensamento, memória institucional e capacidade de inovação.

Viver mais é uma boa notícia. Mas viver mais e trabalhar por mais tempo exige que empresas e lideranças mudem as perguntas que fazem – sobre engajamento, sobre saúde, sobre o que significa um ambiente verdadeiramente inclusivo. Não como checklist, mas como postura permanente de gestão.

Não existe uma resposta única. Mas existe uma direção, liderar diferente. Em um mundo em que viveremos mais e teremos uma população economicamente ativa em transformação, as empresas que não aprenderem a cuidar melhor das pessoas talvez descubram tarde demais que não existe futuro do trabalho sem futuro para quem trabalha.

Compartilhar:

CEO Latam da TotalPass, um dos maiores players de benefício corporativo de saúde e bem-estar integrado do mercado. Com 20 anos de experiência nas áreas de vendas e marketing, o profissional liderou a aceleração de negócios para grandes empresas. Por mais de 6 anos, ocupou o cargo de Diretor de Vendas na Indeed, maior hrtech do mundo. O executivo também teve passagens pela Bueno Netto, Michael Page e Gafisa. Formado em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela FAAP, possui pós-graduação em Liderança e Disrupção pela Stanford e já realizou cursos de especialização em Harvard e Hyper Island.

Artigos relacionados

As pessoas vão permanecer mais tempo, sua empresa está pronta?

Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

A decisão mais difícil do roadmap de IA não é técnica

Dados, modelo e experiência competem pelo mesmo backlog, e cada frente pode apresentar uma justificativa tecnicamente correta para receber o próximo investimento. Decidir entre elas, exige uma maturidade que poucos times de produto desenvolveram, e uma clareza estratégica que poucas empresas conseguem articular.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
25 de junho de 2026 08H00
Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
24 de junho de 2026 15H00
Dados, modelo e experiência competem pelo mesmo backlog, e cada frente pode apresentar uma justificativa tecnicamente correta para receber o próximo investimento. Decidir entre elas, exige uma maturidade que poucos times de produto desenvolveram, e uma clareza estratégica que poucas empresas conseguem articular.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo, professor de MBA na USP/ESALQ e FIAP, palestrante e especialista em Inteligência Artificial, Transformação Digital e Produtos Digitais

9 minutos min de leitura
Liderança
24 de junho de 2026 08H00
Este artigo propõe um deslocamento essencial: mais do que acumular informação, a liderança precisa desenvolver discernimento - a capacidade de interpretar com clareza quando a pressão empurra para decisões automáticas.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Liderança
23 de junho de 2026 14H00
Uma meta mal definida não impulsiona, trava. Este artigo revela como metas mal calibradas podem desconectar equipes e comprometer resultados, mostrando que o verdadeiro desafio da liderança está em equilibrar ambição e viabilidade para sustentar desempenho ao longo do tempo.

Denise Joaquim Marques -Consultora de negócios especializada em Vendas e Marketing

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
23 de junho de 2026 08H00
Em organizações que cobram inovação, mas penalizam o erro, este artigo revela um paradoxo central: sem espaço para frustração e aprendizado, equipes deixam de evoluir, e a transformação que se busca nunca acontece de fato.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de junho de 2026 15H00
Talvez o maior erro da inovação seja tentar adivinhar o futuro, em vez de entender o que já está diante de nós.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
22 de junho de 2026 09H00
Este artigo mostra como o avanço da IA e da computação em nuvem está redesenhando a eficiência operacional, e por que uma nova geração de gestão de custos se tornou estratégica.

Paulo Laurentys - Chief Commercial Officer (CCO) da A3Data

4 minutos min de leitura
Liderança
21 de junho de 2026 15H00
A partir de uma experiência em meio a mudanças estruturais no setor financeiro, este artigo mostra que, em cenários de alta complexidade, o papel da liderança vai além da operação, exigindo capacidade de sustentar cultura, alinhar expectativas e manter a confiança em meio à incerteza.

Victor Papi - General Manager da Transfeera

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
21 de junho de 2026 08H00
Pagar mais já não basta, médicos estão escolhendo onde trabalhar pelo “como”, não pelo “quanto”. Este artigo revela como a disputa por médicos qualificados está sendo redefinida por fatores estruturais, organizacionais e de experiência profissional.

Rafael Duarte - CEO e fundador do Grupo RD Medicine

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Tecnologia & inteligencia artificial
20 de junho de 2026 14H00
Se mais gente não significa mais resultado, o que ainda justifica equipes gigantes? Este artigo revela como a inteligência artificial está redefinindo estruturas, papéis e critérios de eficiência nas áreas de marketing e growth.

Brian Bittencourt - VP de Growth & Marketing da Woba

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão